Versos 28:10-22 – O Sonho da Escada e a Fundação de Beit-El
- Yaakov parte de Beer-Sheva rumo a Haran para fugir da ira de Esav e chega a um lugar onde passa a noite, usando uma pedra como travesseiro.
- Em sonho, vê uma escada apoiada na terra com o topo nos céus, anjos subindo e descendo por ela, e D’us acima, renovando a promessa feita a Avraham e Yitschak: a terra será dada a ele e sua descendência, que se espalhará em todas as direções, e todas as famílias da terra serão abençoadas por meio deles.
- D’us assegura a Yaakov que estará com ele, o guardará em sua jornada e o trará de volta à terra, sem abandoná-lo até cumprir tudo o que disse.
- Ao acordar, Yaakov exclama que D’us está no lugar sem que ele soubesse, chama-o de “Casa de D’us” e “porta dos céus”, unge a pedra como monumento e a chama Beit-El (Casa de D’us).
- Yaakov faz um voto: se D’us o guardar, prover pão e roupa, e o retornar em paz, então D’us será seu D’us, a pedra será Casa de D’us, e ele dará o dízimo de tudo.
Contexto Cabalístico: O Zohar (Vayetzei 149b-150a) interpreta a escada como a Árvore da Vida, com Malkhut (o reino material) na base e Keter (a Coroa Divina) no topo; os anjos representam o fluxo de luz (shefa) pelas sefirot intermediárias. O Ari z”l (Etz Chaim, Shaar 3) explica que os anjos subindo e descendo simbolizam as almas dos justos que descem ao mundo para retificar (tikkun) as centelhas divinas e sobem de volta. O Talmud (Chullin 91b) ensina que os anjos de Canaã não podiam seguir Yaakov para fora da Terra de Israel, revelando a singularidade espiritual da terra santa. A unção da pedra é o primeiro yichud (unificação) das sefirot, elevando Malkhut até Biná, preparando o local futuro do Beit HaMikdash.
Versos 29:1-30 – O Encontro no Poço, o Trabalho e o Casamento com Leá e Raquel
- Yaakov chega à terra do Oriente e vê um poço com três rebanhos esperando, coberto por uma grande pedra que só é removida quando todos se reúnem.
- Ele pergunta aos pastores sobre Lavan, filho de Nachor, e eles confirmam conhecê-lo; Raquel chega com o rebanho de seu pai, e Yaakov, ao vê-la, remove a pedra sozinho, dá de beber às ovelhas e a beija, chorando.
- Yaakov revela ser parente de Lavan, filho de Rivká; ela corre para contar ao pai, que o recebe, abraça e o leva para casa.
- Após um mês, Lavan oferece salário a Yaakov, que ama Raquel e concorda em servi-lo sete anos por ela; os anos passam como dias pelo amor.
- No banquete de casamento, Lavan engana Yaakov dando-lhe Leá; Yaakov confronta-o, e Lavan justifica pelo costume local, prometendo Raquel após a semana nupcial por mais sete anos de serviço.
- Yaakov casa-se com ambas, recebendo Zilpá para Leá e Bilhá para Raquel, e continua servindo.
Contexto Cabalístico: O poço simboliza a Torah oral coberta pela pedra da Torah escrita (Zohar I:153a), revelada apenas na unidade de Israel (os três rebanhos como Torah, Profetas e Escritos). Yaakov removendo a pedra sozinho alude à força messiânica futura. O Zohar (I:154a) vê o choro de Yaakov como profético pela separação de túmulos com Raquel, cujas lágrimas gravadas facilitam as orações das mães de Israel. Os quatro casamentos correspondem às quatro letras do Tetragrama: Leá (Yud-Biná), Raquel (He-Malkhut), Bilhá (Vav-sefirot intermediárias), Zilpá (He final), reparando o dano do pecado de Adam (Sefer HaBahir §190; Tikunei Zohar, Tikun 13).
Versos 29:31-35; 30:1-24 – O Nascimento das Tribos e a Rivalidade das Irmãs
- D’us vê Leá desprezada e abre sua madre, enquanto Raquel permanece estéril; Leá dá à luz Reuven (“D’us viu minha aflição”), Shimon (“D’us ouviu que sou desprezada”), Levi (“meu marido se juntará a mim”) e Yehudá (“louvarei ao D’us”), cessando de parir.
- Raquel, invejosa, exige filhos de Yaakov, que replica que não é D’us; ela dá-lhe Bilhá, que gera Dan (“D’us julgou-me”) e Naftali (“lutei com minha irmã e prevaleci”).
- Leá, parando de parir, dá Zilpá, que gera Gad (“veio ventura”) e Asher (“as mulheres me chamarão venturosa”).
- Reuven traz mandrágoras a Leá; Raquel as troca por uma noite com Yaakov; Leá concebe Issachar (“D’us me deu salário”), Zevulun (“D’us me deu boa parte”) e Diná.
- D’us lembra-se de Raquel, que dá à luz Yossef (“D’us tirou meu opróbrio; que acrescente outro filho”).
Contexto Cabalístico: Cada nome das doze tribos contém permutações do Nome de 72 letras (Shem Mem-Bet); Reuven alude a Chokhmá (visão), Yehudá às quatro letras + dalet (humildade). A rivalidade das irmãs reflete a tensão entre Biná (Leá) e Malkhut (Raquel), resolvida pelo tikkun das centelhas via nascimento das tribos (Zohar I:158b). O Talmud (Bereshit Rabbah 71:4) discute a esterilidade como teste de emuná, elevando as sefirot de Chesed para Gevurah em equilíbrio.
Versos 30:25-43 – O Acordo com Lavan e a Prosperidade Milagrosa de Yaakov
- Após o nascimento de Yossef, Yaakov pede para partir com suas mulheres e filhos; Lavan insiste que prosperou por sua causa e pede que fixe salário.
- Yaakov propõe separar animais malhados e pintados como seu pagamento; Lavan concorda, mas remove os semelhantes para seus filhos e afasta-os três dias.
- Yaakov usa varas descascadas de árvores (álamo, aveleira, castanheiro) com riscas brancas nos bebedouros para influenciar as concepções, gerando listrados, pintados e malhados; separa rebanhos fortes para si, enriquecendo grandemente com ovelhas, servos, camelos e jumentos.
Contexto Cabalístico: As varas listradas representam o yichud de cores (ייחוד הצבעים), unificando Chokhmá (branco) com Malkhut para fluxo de abundância, não feitiçaria mas sabedoria celestial (Zohar I:161b-163a; Ramban 30:38). Isso retifica as klipot (cascas) do gado de Lavan, elevando centelhas divinas presas no exílio material.
Versos 31:1-55 – A Fuga, a Perseguição e o Pacto de Gal-Ed
- Yaakov ouve os filhos de Lavan reclamarem que ele tomou a riqueza de seu pai e nota a mudança no rosto de Lavan; D’us ordena que retorne à terra de seus pais.
- Yaakov convoca Raquel e Leá, relatando como D’us mudou dez vezes seu salário mas o abençoou em sonhos com bodes listrados; elas concordam que a riqueza tirada de Lavan é delas.
- Yaakov foge com tudo, Raquel rouba os terafim (ídolos) de Lavan; no terceiro dia, Lavan é avisado, persegue-o por sete dias e o alcança em Guilad, mas D’us o adverte em sonho a não falar mal.
- Lavan acusa Yaakov de roubo e de não beijar netos; Yaakov nega, desafia-o a encontrar os deuses (desconhecendo o roubo de Raquel, que os esconde e mente sobre seu ciclo menstrual).
- Yaakov irado lista seus 20 anos de serviço sofrido; eles fazem pacto com um montão de pedras (Gal-Ed/Mitspá), jurando não se maltratam, com D’us como testemunha; comem e dormem na montanha.
Contexto Cabalístico: Os terafim continham ruach tumá (espírito impuro); Raquel os neutraliza com nidá, anulando impureza com impureza (Zohar I:164b). O montão unifica hebraico e aramaico, completando o Nome no exílio (Tikunei Zohar, Tikun 70). O Talmud (Bereshit Rabbah 74:5) vê o pacto como equilíbrio de Chesed e Gevurah, retificando a separação das colunas da Árvore da Vida.
Versos 32:1-3 – A Despedida e o Encontro com os Anjos em Machanáim
- Lavan beija netos e filhas, abençoa-os e retorna; Yaakov segue e encontra anjos de D’us, chamando o lugar Machanáim (“Dois Acampamentos”).
Contexto Cabalístico: Machanáim simboliza dois acampamentos angelicais: um do exílio e um da redemção em Israel, elevando a alma ao entrar na terra santa (Zohar I:169b). Isso marca o tikkun final de Yaakov, unificando o exílio com a redenção.
