Resumo da Parashá: Vayeshev

Gênesis 37:1 – 40:23

A Parashá Vayeshev, cujo nome significa “E ele habitou”, marca o início da narrativa central de José, o filho predileto de Jacó, e revela as complexidades da dinâmica familiar que pavimentam o caminho para o exílio e a redenção do povo de Israel. Ambientada na terra de Canaã, a porção explora temas profundos como o favoritismo parental que gera inveja, os sonhos como veículos da vontade divina, a providência que transforma traição em salvação, e a busca pela continuidade da linhagem através da história de Judá e Tamar. José, aos 17 anos, é elevado por seu pai com uma túnica especial, mas seus sonhos proféticos inflamam o ódio dos irmãos, levando à sua venda como escravo no Egito. Paralelamente, o interlúdio de Judá e Tamar destaca o dever levirato e a justiça moral, enquanto no Egito, José enfrenta tentação e prisão, mas prospera pela graça divina, interpretando sonhos que prenunciam sua ascensão. No Talmud (Bereshit Rabbah 84:3), aprendemos que a tranquilidade buscada por Jacó é interrompida pelos “relatos maus” de José, ensinando que a paz verdadeira surge da retidão, não da complacência. Cabalisticamente, o Zohar (Vayeshev 179b) interpreta os sonhos de José como reflexos das sefirot, com o feixe central representando Tiferet (beleza e equilíbrio), elevando-o como canal da luz divina. Essa porção nos convida a refletir sobre como o sofrimento aparente tecem o tapete da redenção, inspirando-nos a confiar na orientação celestial em meio às provações familiares e pessoais. Que possamos, como José, transformar visões em realidade através da fé inabalável. Que esta leitura ilumine sua semana!

Versos 37:1-36 – Os Sonhos de José e a Traição dos Irmãos

Resumo dos Eventos:

  • Jacó habita na terra de Canaã, e inicia-se a narrativa das gerações de Jacó com José, de 17 anos, que apascenta o rebanho com seus irmãos, mas relata a Jacó as falhas dos filhos de Lia.
  • Jacó ama José mais que aos outros, por ser filho da velhice, e lhe faz uma túnica listrada de mangas compridas, o que desperta o ódio dos irmãos.
  • José sonha que seus feixes se prostram ante o seu no campo, e compartilha com os irmãos, que o ridicularizam e o odeiam mais.
  • Em outro sonho, o sol, a lua e 11 estrelas se curvam a ele; Jacó o repreende, mas guarda o dito, enquanto os irmãos invejam.
  • Os irmãos vão a Shechem pastorear; Jacó envia José de Hebron para verificar sua paz, e um homem o direciona a Dotan.
  • Ao avistá-lo de longe, tramam matá-lo, chamando-o de “sonhador”; Rúben intervém para salvá-lo, sugerindo jogá-lo em um poço seco.
  • Tirando sua túnica, jogam-no no poço; avistam uma caravana de ismaelitas e Judá sugere vendê-lo em vez de matá-lo.
  • Midianitas o retiram do poço e o vendem por 20 pratas aos ismaelitas, que o levam ao Egito; Rúben lamenta ao não encontrá-lo.
  • Os irmãos degolam um cabrito, mancham a túnica e a mostram a Jacó, que pranteia acreditando-o devorado por fera; recusa consolo, dizendo que descerá enlutado à sepultura.
  • Os midianitas vendem José a Potifar, oficial do Faraó e chefe dos guardas.

Explicações e Paralelos Cabalísticos e Talmúdicos: O Zohar (Vayeshev 1) interpreta “Vayeshev Yaakov” não como mera habitação física, mas como a busca de Yaakov por shalva (paz espiritual), interrompida pelos “relatos maus” de José, simbolizando como a tranquilidade dos justos atrai o yetzer hará (inclinação maligna), conforme Talmud Berachot 5b, onde Rashi explica que Yaakov desejava paz após suas provações, mas o exílio de José inicia a descida necessária para a redenção. A túnica de José (ketonet passim), segundo Rashi em Gênesis 37:3 (baseado em Bereshit Rabbah 84:8), era de seda fina ou com listras, mas cabalisticamente, no Etz Chaim (Shaar HaPesukim), representa as vestes da sefirá de Yesod, canalizando a luz de Tiferet para Malkhut, elevando José como mediador espiritual. Seus sonhos, no Talmud (Shabbat 10b), são proféticos, com o feixe simbolizando a realeza futura; o Zohar (Vayeshev 179a) os vê como unificação das sefirot superiores (sol como Chesed, lua como Gevurah, estrelas como os filhos), prefigurando a correção (tikkun) do mundo inferior. A venda por 20 pratas ecoa os 20 dinheiros do levirato (Talmud Yevamot 65a), ligando ao destino de Judá; Rashi (37:28) nota a providência divina, transformando ódio fraterno em salvação nacional, como no Midrash Tanchuma (Vayeshev 9), onde os irmãos são comparados a cobras venenosas que falham em matar sua presa.

Versos 38:1-30 – Judá e Tamar: Justiça e Linhagem

Resumo dos Eventos:

  • Judá se afasta dos irmãos, associa-se a Hira, o adulamita, e casa com a filha de Shua, tendo três filhos: Er, Onan e Shelá.
  • Judá casa Er com Tamar, mas Er é mau aos olhos do Eterno e morre; Onan é ordenado a cumprir o levirato, mas derrama o sêmen no chão para evitar descendência ao irmão, e também morre.
  • Judá diz a Tamar para aguardar Shelá em casa paterna, temendo sua morte, mas não a entrega quando Shelá cresce.
  • Após a morte da esposa de Judá, ele vai a Timná tosquiar ovelhas; Tamar, sabendo, disfarça-se de prostituta na encruzilhada.
  • Judá a toma, dando penhor (anel-selo, manto e cajado) por um cabrito prometido; ela concebe e retorna ao luto.
  • Hira não encontra a mulher para resgatar o penhor; três meses depois, acusa-se Tamar de adultério e gravidez; Judá ordena queimá-la.
  • Tamar envia os penhores, dizendo conceber do dono; Judá reconhece, confessa ser mais justo que ele por não dar Shelá, e não a conhece mais.
  • Gêmeos no ventre; na parto, mão de Zerah sai primeiro com fio vermelho, mas Peretz nasce primeiro, rompendo o caminho.

Explicações e Paralelos Cabalísticos e Talmúdicos: Rashi em Gênesis 38:6 (baseado em Talmud Sotah 10b) explica que Er evitou relações com Tamar para não manchar sua beleza, mas o Talmud (Yevamot 34b) detalha o levirato como dever de preservar a linhagem, com Onan punido por coito interruptus como negação ao irmão. Cabalisticamente, o Zohar (Vayeshev 179b-180a) vê Tamar como encarnação da sefirá de Malkhut, descendendo para elevar a centelha divina de Judá (Tiferet), gerando Peretz como raiz messiânica, conforme Etz Chaim (Shaar HaYichudim). Judá, ao confessar “Ela é mais tzedek (justa) que eu” (38:26), inicia a tribo real, como no Midrash Bereshit Rabbah 85:10, onde sua admissão corrige o erro de não cumprir o yibum. O fio vermelho em Zerah simboliza o yetzer hará (Talmud Berachot 7a), mas Peretz “rompe” (peretz) as cascas (klipot), elevando a luz, prefigurando o Mashiach de sua linhagem (Zohar Vayeshev 2). Essa narrativa intercalada com José ensina, per Talmud Megilah 16b, que o mérito de Judá (admissão) equilibra o sofrimento de José, tecendo o destino de Israel.

Versos 39:1-23 – José no Egito: Prosperidade, Tentação e Prisão

Resumo dos Eventos:

  • José é vendido a Potifar, oficial egípcio; o Eterno o abençoa, tornando-o próspero na casa do amo.
  • Potifar vê a graça divina em José, confiando-lhe toda a casa e bens; a bênção se estende à casa por José.
  • José é belo de forma e rosto; a mulher de Potifar o seduz diariamente: “Deita-te comigo”; ele recusa, citando lealdade a Potifar e pecado contra Deus.
  • Num dia, sozinhos, ela agarra sua roupa; ele foge, deixando-a; ela acusa-o de assalto aos servos e a Potifar.
  • Potifar o prende na casa do cárcere real; o Eterno estende bondade a José, dando graça ao chefe da prisão.
  • O chefe confia a José todos os presos e tarefas; nada supervisiona, pois o Eterno prospera o que José faz.

Explicações e Paralelos Cabalísticos e Talmúdicos: Rashi em Gênesis 39:1 identifica Potifar como o castrado de Nebucadnezar (baseado em Midrash), mas Talmud Sotah 36b elogia José por resistir à tentação 10 vezes, merecendo o nome Yehosef (Deus adiciona). Cabalisticamente, o Zohar (Vayeshev 184a) vê a sedução como teste da sefirá de Yesod em José, canalizando pureza contra as klipot egípcias; sua recusa (“Como pecaria contra Deus?”) unifica Chesed e Gevurah. A prisão, per Rashi (39:20), é “bayit asurim” (casa dos presos), mas Talmud Shabbat 10b nota que José transforma confinamento em elevação, como “o Eterno esteve com ele” ecoa sua presença constante. No Tanya (cap. 26), a integridade de José exemplifica bitul (anulação do ego), prosperando em exílio como tikkun para a centelha hebraica no Egito, preparando a descida de Israel.

Versos 40:1-23 – Sonhos na Prisão: Interpretações Proféticas

Resumo dos Eventos:

  • O copeiro e padeiro do Faraó ofendem-no e são presos na casa de Potifar, onde José os serve.
  • Ambos sonham numa noite, cada um com interpretação própria; José nota sua tristeza e pergunta.
  • Eles relatam sonhos; José diz: “As interpretações pertencem a Deus; contai-me.”
  • Copeiro sonha com videira de três ramos florescendo, espremendo uvas no copo do Faraó; José interpreta: três dias até restauração ao posto.
  • Pede lembrança para sair da prisão, pois foi roubado dos hebreus sem culpa.
  • Padeiro sonha com três cestos de pães no topo, aves comendo; José: três dias até enforcamento.
  • No aniversário do Faraó, banquete; restaura o copeiro, mas enforca o padeiro, como dito.
  • O copeiro esquece José, deixando-o na prisão.

Explicações e Paralelos Cabalísticos e Talmúdicos: Rashi em Gênesis 40:8 (baseado em Talmud Berachot 55b) explica que José atribui a Deus para santificar Seu nome, ensinando humildade na sabedoria. Os sonhos, no Zohar (Vayeshev 188a), simbolizam fluxos das sefirot: videira como Netzach (vitória eterna do copeiro), cestos como Hod (esplendor efêmero do padeiro), com três dias ecoando a ressurreição messiânica. Talmud Sanhedrin 109a nota o esquecimento do copeiro como punição por não agradecer, mas Midrash Tanchuma (Mikeitz 1) vê nisso providência, prolongando o exílio de José para salvar o mundo. Cabalisticamente, Etz Chaim (Shaar HaChagim) interpreta os três ramos/cestos como as três colunas da Árvore da Vida, com José como Tiferet interpretando para equilibrar julgamento e misericórdia, prefigurando sua revelação ao Faraó.

Essa Parashá nos convida a abraçar os sonhos divinos em meio ao caos familiar e ao exílio, transformando inveja em unidade e provação em triunfo. Que possamos, como José, discernir a luz nas sombras e perpetuar a linhagem da retidão. Para estudos mais profundos, junte-se ao nosso grupo de Torá.

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