A Parashá Shemot, que significa “Nomes”, inicia o Livro de Êxodo e descreve a transição dos descendentes de Jacó de uma família para uma nação no Egito, sob opressão crescente. Ela narra a multiplicação dos israelitas, a ascensão de um novo faraó que os escraviza, o nascimento e a juventude de Moisés, sua fuga para Midiã, o chamado divino na sarça ardente e a primeira confrontação com o Faraó, que agrava a escravidão. Temas centrais incluem opressão, identidade divina, redenção e fé. Este resumo segue verso por verso, com um breve resumo do conteúdo bíblico, seguido de paralelos cabalísticos (principalmente do Zohar), talmúdicos (do Talmud Babilônico e Jerusalémico, Midrashim) e comentários clássicos (como Rashi, Ramban, Sforno), com referências específicas. Os paralelos destacam interpretações místicas, éticas e históricas, baseadas em fontes como o Zohar (edições padrão), Talmud (tratados como Sotah, Sanhedrin), Midrash Rabbah e comentários rabínicos.
Êxodo 1:1-7 – A Multiplicação dos Israelitas no Egito
1:1 – “E estes são os nomes dos filhos de Israel que vieram ao Egito com Jacó – cada um veio com a sua família.” Resumo: Lista os nomes dos filhos de Jacó, conectando ao Gênesis e enfatizando a continuidade familiar. Paralelos Talmúdicos e Comentários: O Midrash (Sifre a Deuteronômio) explica que “nomes” destaca a importância de Israel, comparando-os às estrelas (Salmos 147:4), pois Deus os contou como astros preciosos (Midrash Rabbah, Êxodo 1:3). Rashi comenta que repetir os nomes mostra o amor de Deus por Israel, como em Números 1. O Talmud (Sotah 11b) vê aqui a preservação da identidade hebraica, um mérito para a redenção. Cabalísticos: O Zohar (Shemot 2a) interpreta os “nomes” como revelações divinas (Sefirot), onde cada nome dos patriarcas representa aspectos da Divindade: Reuven (visão espiritual), Simeão (ouvir a Torá). A descida ao Egito simboliza o exílio da Shechiná (Presença Divina) para redimir as centelhas sagradas presas na impureza (Zohar, Shemot 7b).
1:2-4 – Lista dos nomes: Ruben, Simão, Levi, Judá; Issacar, Zebulom, Benjamim; Dan, Naftali, Gade, Aser. Resumo: Continuação da lista, totalizando 11 tribos (José já no Egito). Paralelos Talmúdicos e Comentários: O Talmud (Baba Batra 143b) discute a ordem genealógica, ligando-a à bênção de Jacó em Gênesis 49. Ramban nota que a lista reforça a unidade familiar apesar do exílio. Cabalísticos: Zohar (Shemot 2b) associa cada tribo a uma Sefirá: Judá a Malchut (Reino), Levi a Biná (Entendimento), simbolizando o equilíbrio cósmico rompido no exílio egípcio.
1:5 – “E todas as almas que saíram da coxa de Jacó foram 70 almas. E José estava no Egito.” Resumo: Total de 70 almas, incluindo José. Paralelos Talmúdicos e Comentários: O Talmud (Sotah 11b) explica o “70” como simbólico de nações (Deuteronômio 32:8), com Israel como contraponto. Rashi cita que “almas” inclui descendentes espirituais. Midrash (Pirkei de-Rabbi Eliezer 39) inclui mulheres e netos no cálculo. Cabalísticos: Zohar (Shemot 3a) vê 70 como as 70 faces da Torá e nações, com Israel como a raiz unificadora; o exílio purifica essas 70 centelhas divinas.
1:6 – “E José morreu, assim como todos os seus irmãos e toda aquela geração.” Resumo: Morte da geração de Jacó. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 13b) ensina que José morreu primeiro por arrogância (usar “servos” em Gênesis 50:2). Midrash Rabbah (Êxodo 1:8) liga à opressão posterior, pois José protegia Israel. Cabalísticos: Zohar (Shemot 7b) interpreta a morte como transição para o exílio espiritual, onde a luz de Yessod (fundamento, associado a José) diminui, permitindo o domínio de Klipot (cascas impuras).
1:7 – “E os filhos de Israel frutificaram, aumentaram, multiplicaram-se e fizeram-se fortes, muitíssimo, e a terra encheu-se deles.” Resumo: Explosivo crescimento populacional. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 11b) calcula seis ou doze filhos por parto (baseado nos verbos). Midrash (Tanchuma, Shemot 5) compara ao sonho do copeiro (Gênesis 40:10). Rashi vê milagre divino. Cabalísticos: Zohar (Shemot 2b) liga os verbos às Sefirot inferiores, simbolizando a fertilidade espiritual apesar da impureza egípcia; o crescimento reflete a elevação de centelhas sagradas.
Êxodo 1:8-22 – A Opressão e os Decretos do Faraó
1:8 – “E um novo rei – que não conhecera José – se levantou sobre o Egito.” Resumo: Novo faraó ignora José. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 11a) debate se é novo literal ou em decretos. Rashi favorece o segundo. Midrash (Shemot Rabbah 1:8) vê amnésia intencional. Cabalísticos: Zohar (Shemot 8a) interpreta “novo” como renovação das forças do mal (Sitrá Achrá), opostas à memória divina de José (Yessod).
1:9-10 – “E disse a seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte que nós! Vinde, usemos de astúcia para com ele…” Resumo: Faraó teme os israelitas e planeja opressão. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 11a) identifica conselheiros: Balaão (punido), Jó (sofrimento), Jetro (recompensa por fugir). Rashi nota medo de traição. Cabalísticos: Zohar (Shemot 8b) vê “astúcia” como manipulação das Klipot para suprimir a luz israelita.
1:11 – “E puseram sobre ele chefes de impostos… E edificou para o Faraó as cidades-armazéns de Pitom e Ramsés.” Resumo: Trabalhos forçados e construção. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 11b) explica cidades como perigosas ou empobrecedoras. Rashi descreve moldes de tijolos no pescoço de Faraó. Cabalísticos: Zohar (Shemot 9a) associa cidades às estruturas materiais que aprisionam almas, contrastando com o Templo espiritual.
1:12 – “E quanto mais o afligiam, mais ele se multiplicava… e (os egípcios) se enfastiaram por causa dos filhos de Israel.” Resumo: Opressão aumenta o crescimento. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Pesachim 118b) vê previsão divina. Rashi compara israelitas a espinhos. Cabalísticos: Zohar (Shemot 9b) interpreta como resiliência da Shechiná no exílio.
1:13-14 – “E os do Egito fizeram os filhos de Israel os servir com rigor, amargurando as suas vidas…” Resumo: Trabalho rigoroso com barro e tijolos. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 11b) descreve inversão de gêneros no trabalho. Rashi explica “rigor” como boca macia ou trabalho duro. Cabalísticos: Zohar (Shemot 10a) liga ao amargor como purificação das impurezas, preparando a redenção.
1:15-17 – Ordem às parteiras hebreias (Shifrá e Puá) para matar meninos; elas temem Deus e desobedecem. Resumo: Parteiras salvam vidas. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 11b) identifica Shifrá como Jochebed, Puá como Miriam; recompensa com casas (dinastias). Midrash (Shemot Rabbah 1:15) elogia sua sabedoria. Cabalísticos: Zohar (Shemot 11a) vê parteiras como aspectos de Biná (mãe divina), resistindo ao mal.
1:18-21 – Faraó questiona; parteiras explicam; Deus as abençoa. Resumo: Recompensa divina. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 11b) detalha “castas” como sacerdócio e realeza. Rashi nota multiplicação do povo. Cabalísticos: Zohar (Shemot 11b) associa bênção à elevação de Sefirot femininas.
1:22 – “Todo filho que nascer, lançá-lo-eis no Nilo…” Resumo: Decreto de afogamento. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 12a) liga ao nascimento de Moisés. Midrash (Pirkei de-Rabbi Eliezer 42) vê punição com água por faraó escolher elemento “seguro” (Isaías 54:9). Cabalísticos: Zohar (Shemot 12a) interpreta Nilo como fonte de impureza (Klipá de Egito), mas água como veículo de redenção.
Êxodo 2:1-10 – Nascimento e Salvação de Moisés
2:1-2 – Casamento levita; nascimento de Moisés, escondido por três meses. Resumo: Nascimento milagroso. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 12a) explica Amram se divorciando por medo, mas recasando por conselho de Miriam. Rashi nota “bom” como cheio de luz. Cabalísticos: Zohar (Shemot 12b) vê Moisés como Tzaddik, alma de Da’at (conhecimento), nascido para redimir.
2:3-4 – Arca no Nilo; irmã vigia. Resumo: Salvação pela água. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 12b) compara arca à de Noé. Midrash (Shemot Rabbah 1:22) elogia fé de Jochebed. Cabalísticos: Zohar (Shemot 13a) associa Nilo a forças do mal, mas arca como proteção de Chochmá (sabedoria).
2:5-10 – Filha de Faraó salva Moisés; Miriam arranja amamentação; nome “Moisés”. Resumo: Adoção. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotah 12b) identifica Batia como filha; conversão ao judaísmo. Rashi explica nome como “tirado das águas”. Cabalísticos: Zohar (Shemot 13b) vê Batia como centelha redimida, unindo Egito e Israel.
Êxodo 2:11-25 – Juventude, Fuga e Vida em Midiã
2:11-12 – Moisés mata egípcio opressor. Resumo: Defesa de hebreu. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Nedarim 64b) justifica ato por visão profética. Midrash (Shemot Rabbah 1:29) nota checagem de testemunhas. Cabalísticos: Zohar (Shemot 14a) interpreta como batalha contra Klipot.
2:13-15 – Intervém em briga hebreia; foge para Midiã. Resumo: Fuga. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sanhedrin 58b) identifica hebreus como Datã e Abirão. Rashi vê medo de denúncia. Cabalísticos: Zohar (Shemot 14b) vê exílio como purificação de Moisés.
2:16-22 – Ajuda filhas de Jetro; casa com Ziporá; nascimento de Gérson. Resumo: Vida em Midiã. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Baba Batra 16b) identifica Reuel como Jetro. Midrash (Shemot Rabbah 1:32) elogia hospitalidade. Cabalísticos: Zohar (Shemot 15a) associa poço à revelação divina, Ziporá a Malchut.
2:23-25 – Clamor de Israel; Deus ouve e lembra aliança. Resumo: Promessa de redenção. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Berachot 5a) liga gemidos à oração. Rashi explica “lembrança” como ação. Cabalísticos: Zohar (Shemot 15b) vê como despertar de Rachamim (misericórdia) superior.
Êxodo 3:1-22 – A Sarça Ardente e o Chamado de Moisés
3:1-3 – Moisés pastoreia; sarça ardente não consumida. Resumo: Visão milagrosa. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Shabbat 67a) vê sarça como humildade. Midrash (Shemot Rabbah 2:5) compara a Israel indestrutível. Cabalísticos: Zohar (Shemot 16a) interpreta fogo como julgamento, sarça como Shechiná no exílio, não consumida por união divina.
3:4-6 – Deus chama; terra santa; identificação como Deus dos patriarcas. Resumo: Revelação. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Berachot 7a) explica repetição “Moisés” como afeto. Rashi nota medo de Moisés. Cabalísticos: Zohar (Shemot 17a) associa patriarcas a Chesed, Gevurá, Tiferet.
3:7-10 – Deus vê aflição; envia Moisés para libertar. Resumo: Missão. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Shemot Rabbah 3:2) elogia empatia divina. Ramban nota descida de Deus. Cabalísticos: Zohar (Shemot 17b) vê como descida de Ein Sof para redimir.
3:11-12 – Moisés duvida; Deus promete sinal. Resumo: Hesitação. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Berachot 7a) elogia humildade de Moisés. Cabalísticos: Zohar (Shemot 18a) interpreta sinal como união no Sinai.
3:13-15 – Revelação do Nome “Eu Sou o Que Sou” (Ehyeh Asher Ehyeh). Resumo: Nome eterno. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Pesachim 50a) explica como misericórdia e justiça. Rashi nota eternidade. Cabalísticos: Zohar (Shemot 18b) liga a Keter (coroa), essência além do tempo.
3:16-22 – Instruções para anciãos; promessas de libertação e despojo. Resumo: Plano divino. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sanhedrin 91a) vê despojo como salário devido. Midrash (Shemot Rabbah 3:8) liga a promessa a Abraão. Cabalísticos: Zohar (Shemot 19a) interpreta despojo como recuperação de centelhas sagradas.
Êxodo 4:1-17 – Sinais e Nomeação de Aarão
4:1-9 – Sinais: vara em serpente, mão leprosa, água em sangue. Resumo: Provas divinas. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Menachot 29b) vê serpente como Egito. Rashi explica simbolismo. Cabalísticos: Zohar (Shemot 20a) associa vara a Metatron, lepra a impureza purificada.
4:10-17 – Moisés alega gagueira; Deus nomeia Aarão. Resumo: Ajuda fraterna. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Zevachim 102a) explica ira divina. Midrash (Shemot Rabbah 3:16) vê Aarão como profeta. Cabalísticos: Zohar (Shemot 20b) liga Moisés a Netzach, Aarão a Hod.
Êxodo 4:18-31 – Retorno ao Egito e Encontro com Aarão
4:18-23 – Partida; aviso sobre endurecimento do coração. Resumo: Jornada. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Nedarim 65a) elogia permissão de Jetro. Ramban explica endurecimento como punição. Cabalísticos: Zohar (Shemot 21a) vê primogênito como elevação espiritual.
4:24-26 – Incidente da circuncisão. Resumo: Ziporá salva Moisés. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Nedarim 31b) explica anjo por negligência na brit milá. Rashi nota “noivo de sangue”. Cabalísticos: Zohar (Shemot 21b) interpreta como correção de Yessod.
4:27-31 – Encontro com Aarão; sinais ao povo; crença. Resumo: Aceitação inicial. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Shemot Rabbah 5:13) elogia prostração. Cabalísticos: Zohar (Shemot 22a) vê crença como unificação de Sefirot.
Êxodo 5:1-23 – Primeira Audiência com Faraó e Aumento da Opressão
5:1-5 – Pedido rejeitado; Faraó acusa ociosidade. Resumo: Recusa. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Yoma 86b) vê “quem é o Eterno?” como blasfêmia. Rashi nota ironia. Cabalísticos: Zohar (Shemot 22b) interpreta como negação de Ein Sof.
5:6-19 – Ordem de não dar palha; opressão aumenta. Resumo: Piora da escravidão. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Shemot Rabbah 5:18) descreve espancamentos. Cabalísticos: Zohar (Shemot 23a) vê palha como matéria impura, tijolos como construções do mal.
5:20-23 – Queixa dos guardas a Moisés; oração de Moisés. Resumo: Desespero. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sanhedrin 111a) elogia honestidade de Moisés. Cabalísticos: Zohar (Shemot 23b) interpreta como teste de fé.
Êxodo 6:1 – Promessa de Deus
6:1 – “Agora verás o que farei ao Faraó! Porque com mão forte vos enviará…” Resumo: Garantia de libertação. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi nota “agora” como início das pragas. Midrash (Shemot Rabbah 6:4) vê mão forte como justiça divina. Cabalísticos: Zohar (Shemot 24a) associa a Gevurá (força), iniciando redenção cósmica.
Que esta parashá nos inspire a buscar redenção em meio à opressão, confiando na revelação divina.
