Resumo da Parashá: Chayê Sara

Versos 23:1-20 – A Morte de Sara e a Compra da Caverna de Machpelá

  • Sara morre aos 127 anos em Kiriat-Arbá (Hevron); Avraham lamenta e pranteia, negociando com os filhos de Chet para adquirir a caverna de Machpelá de Efron, o hitita, por 400 siclos de prata, estabelecendo-a como posse eterna de sepultura.
  • A transação é pública, confirmando o campo, a caverna e todas as árvores ao redor, e Avraham enterra Sara ali.
    • Contexto Cabalístico: A vida de 127 anos de Sara simboliza a soma das 7 Sefirot inferiores (Chesed a Malchut) x 18 (Chai, vida), representando a retificação completa de Binah (Mãe Superior, associada a Sara como receptáculo de luz). A morte em Hevron evoca o equilíbrio das 4 direções espirituais (as 4 pares de túmulos patriarcais), ancorando Tiferet na terra. A negociação com Efron (nome gemátrico 400, como os siclos) é um Tikkun de Gevurah (severidade hitita, klipá de rigidez) por Chesed de Avraham, transformando posse material em portal eterno para Malchut elevada – a Machpelá como “dobrada” (dupla), unindo Zeir Anpin e Nukva em Yichud (Zohar I:127a). Os 400 siclos ecoam os 400 anos de exílio (Gênesis 15), purificando klipot cananeias para a Shechinah em repouso.

Versos 24:1-67 – O Juramento do Servo e a Busca por Rivká

  • Avraham, idoso e abençoado, faz seu servo mais antigo jurar (mão sob a coxa) que não casará Isaac com cananeias, mas buscará esposa de sua família em Aram-Naharaim. O servo parte com 10 camelos, ora no poço ao entardecer por um sinal: uma moça que dê água a ele e aos camelos.
  • Rivká, filha de Betuel (neta de Nahor), aparece, cumpre o sinal com hospitalidade extrema, revelando sua linhagem. O servo oferece joias e inquérito; ela convida-o à casa. Labão e Betuel consentem, vendo a providência divina; presentes são dados, e Rivká parte após bênção familiar.
  • Isaac, no campo ao entardecer, vê os camelos; Rivká se vela e é levada à tenda de Sara, tornando-se esposa, trazendo consolo pela perda da mãe.
    • Contexto Cabalístico: O juramento sob a coxa (Yerech, raiz de Yareach – lua) ativa Yesod (fundamento reprodutivo), unindo Chesed de Avraham (raiz familiar) a Malchut pura, evitando klipot cananeias (impureza de Gevurah desequilibrada). Os 10 camelos simbolizam as 10 Sefirot em jornada, o poço (Be’er) é Binah (fonte de águas vivas), e o entardecer evoca a transição de Netzach para Hod, onde a oração (tefilá) canaliza Da’at. Rivká, como Nukva de Zeir Anpin, cumpre o sinal elevando faíscas de Malchut (água para 10 camelos = 10 Sefirot nutridas); sua hospitalidade é Chesed feminino, gemátrico de seu nome (Rivká = 307, como “paz da casa”). O véu é Tzimtzum (contração) de Binah, preparando o Yichud com Isaac (Tiferet); o consolo é Tikkun da ausência de Sara, unindo gerações em fluxo de Chochmah (visão no campo) para a Árvore da Vida (Zohar I:129b-132a; Likutei Torá, Chayê Sara).

Versos 25:1-6 – O Casamento de Avraham com Ketura e as Dádivas aos Filhos

  • Avraham casa-se com Ketura, que lhe dá seis filhos: Zimran, Yokshan, Medan, Midian, Ishbak e Shuach. Yokshan gera Sheba e Dedan; Midian gera Eifá, Efer, Hanokh, Avidá e Eldaá.
  • Avraham dá todos os bens a Isaac, mas presentes aos filhos das concubinas, enviando-os ao Oriente, à terra de Kedem.
    • Contexto Cabalístico: Ketura (Ketura = “incenso”, atik yomin – antigo dos dias) representa Malchut elevada de Hagar, agora purificada como canal de Netzach (vitória oriental); seus seis filhos ecoam as 6 Sefirot de Zeir Anpin (Chesed a Yesod), ramificando faíscas para nações futuras (midianitas como raiz de Tziporá, esposa de Moshê). As dádivas são Chesed mitigado, separando klipot mistas (concubinas = Gevurah contida) de Tiferet pura de Isaac, ancorando o fluxo em Kedem (Oriente = Chochmah primordial). Este é Tikkun parcial de Yishmael, expandindo a luz de Avraham para os 70 rostos das nações, preparando o universalismo da Torá (Zohar I:133a).

Versos 25:7-11 – A Morte e Sepultamento de Avraham

  • Avraham vive 175 anos, morre em boa velhice, “reunido ao seu povo”. Isaac e Yishmael o enterram na Machpelá, ao lado de Sara.
  • Deus abençoa Isaac, que habita junto ao poço Lahai-Roí.
    • Contexto Cabalístico: 175 anos = 100 (Keter de Avraham) + 70 (Binah das nações) + 5 (Gevurah da circuncisão), completando o ciclo de Chesed patriarcal. A reunião “ao seu povo” é ascensão a Atzilut, unindo almas raízes (gilgulim) em Olam HaBa. O sepultamento por Isaac (sucessor de Tiferet) e Yishmael (Netzach guerreiro) harmoniza opostos, retificando a expulsão anterior. Lahai-Roí (Poço do Vivente que Me Vê) é Yesod de Binah (visão de Hagar), onde Isaac canaliza a bênção, florescendo Malchut em fertilidade espiritual – transição para a era de Tiferet-Yaakov (Zohar I:134b).

Versos 25:12-18 – As Gerações de Yishmael

  • Gerações de Yishmael: primogênito Nevayot, seguido de Kedar, Adbe’el, Mivsam, Mishma, Dumah, Massa, Hadad, Tema, Yetur, Nafish e Kedemá – 12 príncipes por nações.
  • Yishmael vive 137 anos, morre e é reunido ao seu povo; habita de Havilá a Shur, frente ao Egito, “diante de todos seus irmãos”.
    • Contexto Cabalístico: Os 12 príncipes de Yishmael espelham as 12 tribos de Israel, mas em Netzach desequilibrado (selvagem, “mão contra todos”), ramificando faíscas para o Islam (Kedar como beduínos árabes). 137 anos = gemátria de “Kabbalah” (tradição recebida), sugerindo Tikkun latente via descendentes. Havilá a Shur evoca os limites de Malchut (Egito = klipá), mas “diante dos irmãos” (perekh al-penei achav) é potencial de submissão a Chesed ishaquiano, cumprindo a bênção de 17:20 – elevação de Gevurah para harmonia universal, como profetizado em Isaías (Zohar I:135a; Ramban al HaTorá, 25:18).

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