Resumo da Parashá: Bereshit

Resumo da Parashá

Bereshit 1:1-6:8

I. A Criação dos Universos e sua estabilidade quântica no espaço-tempo do Shabat (Capítulos 1-2:3)

A porção começa com a descrição hermética e estruturada da criação por HaShem. Em seis estágios, os universos emergem do caos dos radicais livres das sefirot através do poder da palavra ordenador do Todo Poderoso. Cada dia representa uma fase:

Dias 1 a 3: Foco na distinção de conceitos de causa e consequência por meio de separação de opostos (Luz/Escuridão; Águas Superiores/Inferiores; Terra/Mar) e no surgimento da vegetação.

Dias 4 a 6: Foco na distribuição de funções para o povoamento dos distintos estágios e universos interdimensionais (luminares para governar o tempo; vida aquática e aérea; animais terrestres e, finalmente, o ser humano).

O ápice da criação é o Shabat, o sétimo dia. HaShem cria o equilíbrio quântico dos universos capazes de se perpetuar no tempo-espaço através das leis naturais, dia que foi chamado na Torá de Shabat (Descanso), separando-o dos demais dias da semana, oferecendo-o à humanidade como um padrão de festa com familiares, um descanso das atividades laborais, para que por meio da alegria todos reconhecessem o bem maior da soberania Divina: a vida em seu tempo presente.

II. O Jardim do Éden e a Busca de Elevação Espiritual do Homem (Capítulos 2:4-3)

HaShem cria o primeiro homem, Adam, a partir de vários elementos existentes nos céus e na terra, metaforicamente chamada de terra na Torá, de modo que lhe deu faculdades intelectuais e gênio criativo por meio de uma alma celestial, colocando-o no Gan Éden, pois o objetivo final é descrito logo no início: que a vida eterna é resultado de servirmos ao Eterno com alegria. Com a percepção de que “não é bom que o homem esteja só”, HaShem realiza a criação da mulher (Chava – Eva) e os une, estabelecendo a primeiro casal fundador da humanidade.

O cenário é de perfeição, mas é condicional. O único mandamento era não consumir o fruto da Árvore do Conhecimento. A perfeição cede à sua busca, a desobediência abriu espaço para o livre arbítrio em quebrar paradigmas limitadores onde a humanidade deseja criar e determinar seu próprio destino. Porém, a consequência disso tudo é que por meio da Teshuvá, um trabalho de retorno ao Criador por meio de abrir mão de seus próprios desejos em prol das leis do Eterno, é que o ser humano não seria destruído pelas consequências de suas más escolhas, mas que a morte (a finitude) só seria vencida através das dificuldades na terra pelo trabalho de consertar a si mesmo, para que a expulsão do Jardim da terra, feita pelo homem, pudesse ser anulada e até mesmo as dores na criação de uma família passasse a justificar a existência humana.

III. Os Primeiros Descendentes e a Aparição de um Justo em suas gerações (Capítulos 4-6:8)

A narrativa avança para a primeira família humana, apresentando o primeiro serviço religioso oferecido Cayin (Caim) e Hevel (Abel). Cayin desenvolve um senso de estar sendo injustiçado ao perceber que o serviço sacrificial do irmão caçula é aceito, então suas intenções passam a ser movidas por ciúmes e inveja até que o fruto do conhecimento dá o seu resultado material: o primeiro fratricídio, o assassinato de Hevel. Este evento demonstrou como o mal age no livre arbítrio humano no mundo material. HaShem amaldiçoou a terra por causa de Cayin durando até os dias de Nôach, quando a bênção sobre a terra seria restaurada.

Cayin é perdoado e é mandadobpara o exílio para expiação de seus erros. Suas gerações constroem o mundo. Enquanto isso, 130 anos após a morte de Cayin, a Adam e Chava nasce Shet, um novo caminho de descendência até Nôach, continuador da humanidade.

A longanimidade do Misericordioso dava longos anos para o ser humano, até quase 1000 anos para fazerem Teshuvá. Porém, apenas alguns atingiam o status de ser um tsadik na sua geração, sendo Chanoch (Enoque) um dos tais e Nôach (Noé). No entanto, o mundo precisava do Atributo da Justiça para existir e haver uma purificação de muitos erros que o Atributo da Misericórdia tinha permitido às primeiras 10 gerações de Adam. O Dilúvio foi inevitável (tema da próxima parashá).

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