Parashá Vayêshev – Gênesis 37:1 a Gênesis 40:23 – BHS

A Parashá Vayeshev nos transporta para o coração da família de Jacó, agora estabelecida na terra de Canaã, onde as sementes da inveja e do destino divino começam a brotar. Aqui, José, o filho predileto, emerge como figura central, com sonhos proféticos que inflamam o ciúme de seus irmãos, levando a uma traição que o envia ao exílio no Egito. Entrelaçada nessa narrativa, encontramos a história paralela de Judá e Tamar, um interlúdio de moralidade complexa que explora temas de justiça, linhagem e redenção. No Egito, José enfrenta provações – da tentação na casa de Potifar à prisão injusta –, mas sua integridade e fé o elevam, culminando na interpretação de sonhos que prenuncia sua ascensão futura. Esta porção revela as tensões familiares, o papel dos sonhos como portais divinos e a providência que transforma sofrimento em propósito. Temas centrais incluem: o favoritismo parental e suas consequências, a resiliência perante a adversidade, a interpretação profética como dom celestial, o dever levirato e a busca por herança, e a fidelidade em meio à tentação. Que esta leitura nos inspire a enxergar as tramas ocultas de nossas próprias vidas, confiando na orientação divina para tecer um legado de esperança e retidão. Que esta leitura ilumine sua semana!

Texto da Parashá

Os Sonhos de José e a Traição dos Irmãos (Gênesis 37:1–36)

37:1 E Jacob habitou na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaan. 37:2 Estas são as gerações de Jacob. José, aos 17 anos de idade, apascentava o rebanho com seus irmãos e, por ser mais jovem, ficava com os filhos de Bilá e com os filhos de Zilpá, as mulheres de seu pai, e José reportava a seu pai coisas más sobre eles (os filhos de Lea). 37:3 E Israel amava a José mais que a todos os seus filhos, porque era para ele o filho da velhice; e fez-lhe uma túnica listrada com mangas compridas. 37:4 E seus irmãos viram que seu pai amava mais a ele que a todos seus irmãos, e odiaram-no, e não podiam falar-lhe em paz. 37:5 E José teve um sonho e anunciou-o a seus irmãos; e passaram a odiá-lo mais. 37:6 E disse a eles: Escutai, rogo, o sonho que tive: 37:7 Eis que nós estávamos atando feixes no meio do campo, e eis que meu feixe se levantava e ficava em pé, e eis que vossos feixes o rodeavam e prostravam-se diante do meu feixe. 37:8 E seus irmãos disseram-lhe: Por acaso reinarás sobre nós ou terás domínio sobre nós? – e passaram a odiá-lo ainda mais, por seus sonhos e por suas palavras. 37:9 E teve ainda outro sonho, e o contou a seus irmãos, dizendo: Eis que tive outro sonho, e nele, o Sol, a Lua e 11 estrelas se prostravam diante de mim. 37:10 E contou a seu pai e a seus irmãos. E seu pai repreendeu-o e lhe disse: Que sonho é este que tiveste? Viremos, pois, eu, tua mãe e teus irmãos a prostrar-nos na terra perante ti? 37:11 E seus irmãos invejaram-no, e seu pai esperou o fato. 37:12 E seus irmãos foram apascentar o rebanho de seu pai em Shehém. 37:13 E Israel disse a José: Por certo teus irmãos estão apascentando em Shehém; anda e te enviarei a eles. – e disse: Eis-me. 37:14 E disse-lhe: Vai, rogo, vê a paz de teus irmãos e a paz do rebanho, e responde-me alguma coisa. E o enviou do vale de Hebron, e chegou a Shehém. 37:15 E encontrou-o um homem, e eis que estava perdido no campo, e o homem perguntou-lhe, dizendo: O que buscas? 37:16 – e disse: A meus irmãos eu busco; diz-me, rogo, onde eles apascentam. 37:17 E o homem disse: Partiram daqui; porque escutei-os dizerem: ‘Vamos a Dotán’. E José foi atrás de seus irmãos e encontrouos em Dotán. 37:18 E viram-no de longe e, antes que os alcançasse, tramaram matá-lo. 37:19 E cada um disse a seu irmão: Eis que aquele sonhador está vindo. 37:20 E agora, vamos matá-lo e jogá-lo num dos poços, e depois diremos: ‘Um animal mau o devorou’, e então veremos o que será dos seus sonhos. 37:21 E Ruben escutou, e livrou-o das mãos deles, e disse: Não o feriremos de morte! 37:22 E Ruben disse-lhes: Não derrameis sangue! Jogai-o neste poço que está no deserto, e não ponhais a mão nele! – (e isto) para livrá-lo das mãos deles e devolvê-lo a seu pai. 37:23 E quando José chegou a seus irmãos, tiraram de José sua túnica – a túnica listrada que tinha sobre si – 37:24 e pegaram-no e o jogaram no poço. E o poço estava vazio; não havia água nele. 37:25 E sentaram-se a comer pão. E levantaram os olhos e viram, e eis que uma caravana de ismaelitas vinha de Guilad, e seus camelos levavam cera, bálsamo e goma odorífera, que iam baixar ao Egito. 37:26 E Judá disse a seus irmãos: Que proveito teremos matando a nosso irmão e ocultando seu sangue? 37:27 Vamos vendê-lo aos ismaelitas, e não poremos nossas mãos nele, pois ele é nosso irmão; ele é nossa carne! – e seus irmãos o escutaram. 37:28 E passaram homens midianitas, mercadores; e (os irmãos) puxaram e fizeram subir a José do poço, e venderam José por 20 (moedas de) pratas aos ismaelitas, que levaram José ao Egito. 37:29 E Ruben voltou ao poço e, ao ver que José não estava no poço, rasgou suas roupas. 37:30 E voltou a seus irmãos e disse: O menino não está! E eu, aonde vou? 37:31 E tomaram a túnica de José, degolaram um cabrito e molharam a túnica no sangue. 37:32 E levaram a túnica listrada, trouxeramna a seu pai e disseram: Encontramos isto; reconhece, por favor, se a túnica é do teu filho ou não. 37:33 E a reconheceu e disse: A túnica é de meu filho; algum animal selvagem o devorou! Certamente José foi despedaçado! 37:34 E Jacob rasgou suas roupas e se vestiu com um saco, e enlutou-se por seu filho muitos dias. 37:35 E todos os seus filhos e todas as suas filhas (noras) levantaram-se para consolá-lo; e recusou-se a ser consolado e disse: Enlutado por meu filho descerei à sepultura! – e seu pai o pranteou. 37:36 E os midianitas o venderam no Egito a Potifar, um oficial da corte do Faraó e chefe dos carrascos.

Judá e Tamar: Justiça e Linhagem (Gênesis 38:1–30)

38:1 Naquele tempo, Judá apartou-se de seus irmãos e associou-se a um homem adulamita, cujo nome era Hirá. 38:2 E Judá viu ali a filha de um comerciante, que se chamava Shúa, e tomou-a e esteve com ela. 38:3 E concebeu e deu à luz um filho, e ele chamou a seu nome Er. 38:4 E concebeu mais, e deu à luz outro filho, e ela chamou a seu nome Onán. 38:5 E deu à luz mais um filho, e ela chamou a seu nome Shelá, e estava em Keziv quando deu à luz este. 38:6 E Judá tomou uma mulher para Er, seu primogênito, e seu nome era Tamar. 38:7 E Er, o primogênito de Judá, foi mau aos olhos do Eterno, e o Eterno o matou. 38:8 E Judá disse a Onán: Vem à mulher de teu irmão, e cumpre a lei do levirato e dá sucessão a teu irmão. 38:9 E Onán soube que a descendência não seria dele, e quando ia à mulher de seu irmão, jogava (seu sêmen) no chão, para não dar sucessão a seu irmão. 38:10 E o que fez foi mau aos olhos do Eterno, que matou a ele também. 38:11 E Judá disse a Tamar, sua nora: Fica viúva na casa de teu pai, até que Shelá, meu filho, cresça – pois pensou consigo mesmo: Quiçá ele morra também como seus irmãos. E Tamar foi e ficou na casa de seu pai. 38:12 E passaram-se muitos dias, e a filha de Shúa, mulher de Judá, morreu; e Judá consolou-se e subiu aos tosquiadores de seu rebanho, ele e seu companheiro Hirá, o Adulamita, em Timná. 38:13 E foi anunciado a Tamar, dizendo: Eis que teu sogro subiu a Timná para tosquiar seu rebanho. 38:14 E tirou os vestidos de sua viuvez de si, e cobriu-se com véu e envolveu-se, e sentou-se na encruzilhada sobre o caminho de Timná, porque viu que Shelá crescera e ela não lhe fora dada por mulher. 38:15 E Judá a viu e pensou que fosse uma prostituta, pois cobrira suas faces. 38:16 E se dirigiu a ela no caminho e disse: Vem e deixame estar contigo – porque não sabia que era sua nora – e (Tamar) disse: O que me darás para estar comigo? 38:17 – e disse: Mandarei um cabrito do rebanho. – e ela disse: Só se me deres um penhor até o mandar. 38:18 E disse: Qual é o penhor que te darei? – e disse: Teu anel-selo, teu manto e teu cajado que tens na tua mão. E os deu a ela e esteve com ela, e ela concebeu dele. 38:19 E ela se levantou e se foi; e tirou seu véu de sobre si e vestiu os vestidos de sua viuvez. 38:20 E Judá mandou o cabrito através de seu companheiro, o Adulamita, para tomar o penhor da mão da mulher, mas não a encontrou. 38:21 E perguntou aos homens de seu lugar, dizendo: Onde está a consagrada (à prostituição) que estava à vista no caminho? – e disseram: Aqui não havia nenhuma consagrada. 38:22 E voltou a Judá e disse: Não a encontrei, e também os homens do lugar disseram que aqui não havia nenhuma consagrada. 38:23 E Judá disse: Que ela o guarde (o penhor), para que não sejamos menosprezados. Eis que enviei este cabrito e tu não a encontraste. 38:24 Ao cabo de uns três meses foi anunciado a Judá, dizendo: Tamar, tua nora, adulterou, e também está grávida por adultério. E Judá disse: Tirai-a e que seja queimada! 38:25 Ela, ao ser tirada, mandou dizer a seu sogro: Do homem a quem pertence isto, eu concebi! – e disse: Reconhece, rogo, de quem é este anel-selo, este manto e esta vara? 38:26 E Judá reconheceu e disse: Ela é mais justa do que eu, porque não a dei a Shelá, meu filho! – e nunca mais tornou a conhecê-la. 38:27 E na hora de dar à luz, eis que havia gêmeos em seu ventre. 38:28 E ao dar à luz, saiu uma mão, e tomou a parteira e amarrou sobre a mão um fio avermelhado, dizendo: Este saiu primeiro! 38:29 E ao retirar a mão, eis que saiu seu irmão. E disse: Por que fizeste força sobre ti? – e chamou seu nome Pérets. 38:30 E depois saiu seu irmão, que tinha sobre sua mão o fio avermelhado, e chamou-lhe Zérah.

José no Egito: Prosperidade, Tentação e Prisão (Gênesis 39:1–23)

39:1 E José foi baixado ao Egito, e Potifar, um oficial do Faraó e chefe dos carrascos, um homem egípcio, comprou-o das mãos dos ismaelitas que o fizeram descer ali. 39:2 E o Eterno esteve com José, e tornou-se um homem próspero; e esteve na casa de seu amo, o egípcio. 39:3 E seu senhor viu que o Eterno estava com ele e, em tudo que ele fazia, o Eterno o fazia prosperar. 39:4 E José achou graça a seus olhos, e o servia; e o encarregou sobre sua casa, e tudo o que tinha entregou em suas mãos. 39:5 Então, quando o encarregou sobre sua casa e tudo que tinha, o Eterno abençoou a casa do egípcio por causa de José; e a bênção do Eterno estava em tudo que ele tinha, na casa e no campo. 39:6 E deixou tudo que era seu nas mãos de José e não sabia o que estava com ele, senão o pão que comia. E José era formoso de porte e formoso de semblante. 39:7 Depois destas coisas, a mulher de seu senhor levantou seus olhos para José e disse: Deita comigo. 39:8 E recusou e disse à mulher de seu senhor: Eis que meu senhor não sabe o que está comigo nesta casa, e tudo que tem, ele entregou em minhas mãos. 39:9 Não há maior nesta casa do que eu, e não me proibiu nenhuma coisa, salvo a ti, porque és sua mulher. Como poderia eu cometer esta grande maldade e pecar contra Deus? 39:10 E ela ficava falando com José dia após dia, mas ele não lhe dava ouvidos, para se deitar perto dela e estar com ela. 39:11 Mas num certo dia, ele veio à casa para fazer seu trabalho, e não havia nenhum dos homens da casa ali na casa, 39:12 e ela agarrou na sua roupa, dizendo: Deita-te comigo! – e ele deixou sua roupa em suas mãos e fugiu para fora. 39:13 E ela, quando viu que deixou sua roupa nas mãos dela e fugiu para fora, 39:14 chamou pelos homens da sua casa e falou com eles, dizendo: Vede, trouxe-nos um homem hebreu para zombar de nós! Ele veio a mim para se deitar comigo, e gritei em alta voz; 39:15 e foi ao escutar que levantei a minha voz e gritei, ele deixou sua roupa perto de mim e fugiu, saindo para fora. 39:16 E pôs sua roupa perto dela até vir seu senhor à sua casa. 39:17 E falou a ele as mesmas palavras, dizendo: Veio a mim o servo, o hebreu que nos trouxeste, para zombar de mim. 39:18 E quando levantei minha voz e gritei, ele deixou sua roupa perto de mim e fugiu para fora. 39:19 E ao escutar seu senhor as palavras de sua mulher, que lhe falou dizendo: Desta maneira fez teu servo – acendeu-se sua ira. 39:20 E o senhor de José tomou-o e o pôs no cárcere – o lugar onde os presos do rei eram encarcerados –, e ele ficou lá na prisão. 39:21 E o Eterno esteve com José, e estendeu-lhe a Sua bondade e deu sua graça aos olhos do chefe do cárcere. 39:22 E o chefe do cárcere deu, nas mãos de José, todos os presos que estavam na prisão, e tudo o que faziam ali, 39:23 por sua ordem se executava. Não via o chefe do cárcere nada que estava nas mãos dele, porquanto estava o Eterno com ele; e o que ele fazia, o Eterno o fazia prosperar.

Sonhos na Prisão: Interpretações Proféticas (Gênesis 40:1–23)

40:1 Depois destes acontecimentos, o copeiro do rei do Egito e o padeiro pecaram contra seu senhor, o rei do Egito. 40:2 E o Faraó [Par’o] indignou-se contra seus dois oficiais – contra o chefe dos copeiros e contra o chefe dos padeiros, 40:3 e os pôs em guarda na casa do chefe dos carrascos, na prisão, o lugar em que José estava encarcerado. 40:4 E o chefe dos carrascos encarregou a José para estar com eles; e os servia; e estiveram alguns dias (1 ano) em detenção. 40:5 E sonharam ambos, cada um seu sonho em uma noite, cada um conforme a interpretação de seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam encarcerados na prisão. 40:6 E José veio a eles, pela manhã, e viu-os, e eis que eles estavam tristes. 40:7 E perguntou aos oficiais do Faraó que estavam com ele presos na casa de seu senhor, dizendo: Por que vossas faces estão tão más hoje? 40:8 – e disseram-lhe: Tivemos um sonho, e não há quem o interprete para nós. – e José disse-lhes: Acaso não pertencem a Deus as interpretações? Contai, rogo-vos, a mim. 40:9 E o chefe dos copeiros contou seu sonho a José, e disse-lhe: Em meu sonho, eis que uma videira estava diante de mim, 40:10 e na videira havia três sarmentos, e ela como que florescia, crescia sua flor, amadureciam seus cachos e davam uvas. 40:11 E o copo do Faraó estava na minha mão, e eu tomava as uvas, as espremia no copo do Faraó e dava o copo na palma da mão do Faraó. 40:12 E José disse-lhe: Sua interpretação é esta: os três sarmentos são três dias; 40:13 dentro de três dias o Faraó levantará tua cabeça e te fará voltar a teu posto, e darás o copo do Faraó em sua mão, como de costume, quando eras seu copeiro. 40:14 Se me recordares quando estiveres bem, usa, rogo, de bondade comigo, e menciona-me ao Faraó, e tira-me desta casa; 40:15 pois fui roubado da terra dos hebreus e tampouco nada fiz aqui para que me pusessem no cárcere. 40:16 E o chefe dos padeiros viu quão bem ele interpretara e disse a José: Também eu, no meu sonho, eis que três cestos ralos estavam em cima de minha cabeça, 40:17 e no cesto superior havia de todas as comidas do Faraó, obras de padeiro; mas a ave as comia do cesto que estava sobre minha cabeça. 40:18 E José respondeu e disse: Sua interpretação é esta: os três cestos são três dias; 40:19 dentro de três dias o Faraó tirará de sobre ti a tua cabeça e te pendurará na forca, e uma ave comerá tua carne de sobre ti. 40:20 E no terceiro dia, no dia do aniversário do Faraó, ele fez um banquete para todos os seus servos, e contou a cabeça do chefe dos copeiros e a cabeça do chefe dos padeiros, entre seus servidores. 40:21 E fez voltar o chefe dos copeiros ao seu posto; e ele deu o copo sobre a palma da mão do Faraó. 40:22 Mas ao chefe dos padeiros enforcou, como José lhes havia interpretado. 40:23 Porém, o chefe dos copeiros não se lembrou de José, e esqueceu-o.

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