Midrash da Parashá: Shemot

A Parashá Shemot marca o início do Livro de Êxodo, narrando a transição dos descendentes de Yaacov de uma família para uma nação oprimida no Egito. Através das seleções do Midrash, exploramos lições profundas sobre a provação divina, a preservação da identidade hebraica, a opressão faraônica e o surgimento de Moshê como redentor. Essas narrativas destacam a resiliência espiritual dos Bnei Israel, o cumprimento das promessas a Avraham, a importância da teshuvá e a providência de Hashem em meio ao exílio. Elas nos inspiram a valorizar nossa herança, resistir à assimilação e confiar na redenção divina, mesmo nas adversidades. Que esta leitura fortaleça nossa fé e nos motive a buscar a retidão em todos os aspectos da vida.

Hashem Põe à Prova o Povo Hebreu

Vocês se lembram que Yaacov, junto com a família, viajou para o Egito, onde Yossef governava. Mesmo depois da morte de Yossef, seus irmãos e os filhos e netos desses permaneceram no Egito. Ali ficaram por muitos anos mais. O povo de Israel esteve pelo total de 210 anos no Egito.

Esperavam pelo mensageiro especial do Eterno, porque Yossef lhes havia ordenado que não saíssem do Egito até que Hashem enviasse seu mensageiro para tirá-los de lá.

O plano do Eterno era fazer com que os hebreus permanecessem no Egito por muito tempo. Desse modo, Hashem cumpriu as palavras ditas a Avraham: “Teus filhos serão estranhos numa terra que não é a deles. Serão escravizados e ali sofrerão por muitos anos.”

Hashem tinha muitas razões para fazer com que os hebreus permanecessem no Egito por um longo tempo. Uma delas era colocar os hebreus à prova, das seguintes formas:

  • Continuariam sendo tsadikim (justos) e continuariam servindo ao Eterno, embora seus vizinhos egípcios venerassem ídolos?
  • Os homens hebreus tomariam egípcias por esposas, e as mulheres hebreias aceitariam homens egípcios por esposos, ou negar-se-iam a contrair matrimônio?
  • Os hebreus falariam hebraico entre eles, dando aos filhos nomes hebraicos, ou começariam a falar egípcio e dariam nomes egípcios aos filhos?
  • E quando o Eterno enviasse Moshê para libertá-los, os hebreus aceitariam segui-lo à Terra de Israel ou prefeririam ficar no Egito por se sentirem bem ali?

O Eterno pôs o povo de Israel à prova de todas essas formas. Os hebreus que não passaram por elas morreram no Egito. Somente aqueles que mereciam receber a Torá foram libertados do Egito.

O Midrash Explica: Uma Razão pela Qual o Eterno Exilou o Povo de Israel no Egito

Nosso antepassado Yaacov tinha quatro esposas. Duas delas, Bil-ha e Zilpa, eram servas das outras duas, Rachel e Léa. Quando Yaacov casou-se com Bil-ha e Zilpa, deu-lhes a liberdade.

Os filhos de Léa, sem pena, desprezavam os filhos de Bil-ha e Zilpa. Zombavam deles, dizendo: “Vocês são [escravos] filhos de escravas!”

Hashem disse: “Levarei todos os Bnei Yaacov a uma terra estrangeira, o Egito. Os egípcios sentirão aversão pelos hebreus e os escravizarão. Então, todos os hebreus serão iguais e amigos entre si.”

E assim aconteceu. Como os egípcios depreciavam todos os hebreus, estes se tornaram amigos entre si. Quando saíram do Egito, todos os hebreus se sentiam irmãos. Nem um só deles se acreditava ser melhor que qualquer outro hebreu por descender de Rachel ou Léa, nem de Bil-ha ou Zilpa.

Como o Povo de Israel Suportou a Prova do Exílio Egípcio?

Os descendentes de Yaacov, o Povo de Israel, não prosperaram muito entre os egípcios depois da morte de Yossef e seus irmãos.

Enquanto Yossef vivia e governava o país, havia ordenado ao Povo de Israel: “Fiquem no distrito de Goshen, longe dos egípcios!” Yossef sabia que os hebreus não se misturariam com os egípcios e desta forma não venerariam ídolos como eles.

Quando Yossef morreu, seus irmãos continuaram advertindo os filhos e netos sobre preservar a herança do povo hebreu.

Porém, depois da morte de todos os irmãos de Yossef, os hebreus somente tinham a tribo de Levi para adverti-los de que não deveriam mesclar-se aos egípcios. Muitos hebreus se afastaram de Goshen e se fixaram em outras partes do Egito. Logo aprenderam a inclinar-se perante o deus principal do Egito, o cordeiro, e perante outros deuses animais egípcios. A maioria dos hebreus começou a venerar ídolos, como seus vizinhos egípcios.

Porém, nenhum hebreu contraiu matrimônio com mulher não hebreia, e nenhuma moça hebreia consentiu em casar-se com um egípcio. Os hebreus não falavam egípcio entre si; somente falavam lashon hakodesh: o hebraico. Também não deram nomes egípcios a seus filhos.

Porém, Hashem não estava satisfeito com os hebreus. Queria que todos eles continuassem servindo somente a Ele. Quando preferiam misturar-se aos egípcios e agir como eles, o Eterno fazia com que os egípcios odiassem os hebreus. Queria que os hebreus compreendessem que deviam fazer teshuvá (arrependimento), e deixassem de servir aos deuses egípcios.

Os Egípcios Ficam Descontentes pelo Grande Número de Filhos dos Hebreus

Hashem havia prometido a Avraham que seus descendentes seriam tão numerosos como as estrelas. Começou a dar cumprimento a essa promessa aumentando a família de Yaacov. Ao chegar ao Egito, a família de Yaacov tinha somente 70 membros. Mas logo teve centenas, depois milhares, e logo centenas de milhares de hebreus. Milhões de hebreus.

Como isso aconteceu?

O Eterno fez um milagre e as mães hebreias deram à luz não a um filho só, mas seis ao mesmo tempo! Logo existiam muitas famílias hebreias que tinham 50 ou 60 filhos. E outras famílias tinham 60 filhos homens e igual número de filhas. Imaginem o barulho, a emoção, e a diversão para as crianças, com tantos irmãos e irmãs!

Os egípcios comentavam furiosos, cada vez mais indignados. Esperavam uma oportunidade para ferir e destruir essas crianças.

Faraó Escraviza os Hebreus

O Faraó, o rei egípcio que vivia nessa época, era um homem malvado. Decidiu ser cruel com o povo hebreu. Resolveu “esquecer” que um hebreu, Yossef, havia certa vez salvado todo o Egito da morte por inanição, quando juntou o cereal necessário para alimentar todo o povo egípcio, havendo governado o Egito por 80 anos.

Faraó disse a seus conselheiros (Iyov – Jó, Yitrô – Jetro e Bilam – Balaão): “Devemos criar um plano para evitar que as hebreias tenham tantos filhos! Se as famílias continuarem crescendo da forma que estão fazendo agora, logo haverá mais hebreus que egípcios, e os hebreus poderão aliar-se a nossos inimigos e assumir o controle do país!”

O faraó e o ministro Bilam urdiram um terrível plano: transformariam os hebreus em escravos que trabalhariam para eles noite e dia. Separariam os pais das famílias e os deixariam tão fracos que poucas crianças nasceriam.

Mas como o faraó faria para converter os hebreus em escravos? Ele e seus conselheiros tiveram uma ideia maligna.

Proclamaram o seguinte anúncio: “O faraó precisa construir novos edifícios para armazenamento de cereal. Necessita de grande número de trabalhadores para as obras. Espera que todos os cidadãos responsáveis se unam para ajudar! Todos os trabalhadores serão pagos.”

Os egípcios disseram ao povo de Israel: “O que vocês, hebreus, estão fazendo para ajudar nosso país? Também devem ajudar!”

Assim, os hebreus começaram a trabalhar na construção de novos armazéns para o faraó.

Para estimular as pessoas a trabalhar, o próprio faraó se apresentou na obra no primeiro dia com uma pá na mão e com uma forma de fazer tijolos pendurada no pescoço. Logo correu a notícia de que até o rei havia pessoalmente ajudado nas tarefas da construção. Animadas, mais e mais pessoas se apresentaram, entre essas todos os homens hebreus, com exceção da tribo de Levi.

Os homens do faraó foram à tribo de Levi e perguntaram: “Não nos ajudarão na construção?” Mas eles se negaram. Responderam: “Somos os rabinos do povo hebreu. Devemos estudar nossas tradições e ensiná-las. Não temos tempo para nenhum outro trabalho.”

Quando os oficiais do faraó escutaram isso, não mais incomodaram a tribo de Levi.

No princípio, faraó pagava aos trabalhadores hebreus. Ao cabo de certo tempo, porém, deixou de fazê-lo. Quando os hebreus protestaram, os supervisores disseram: “O rei ordena que todos os hebreus continuem construindo, mesmo sem salário!” Alguns hebreus não se apresentaram mais para trabalhar, mas os supervisores conheciam o nome e endereço de cada um deles. Os oficiais egípcios eram informados sobre todo hebreu que faltava ao trabalho e este era levado à força.

Os supervisores egípcios eram exploradores cruéis e desalmados. Obrigaram todos os hebreus a trabalhar rapidamente e sem descanso. Se um hebreu demorava porque estava cansado, era açoitado com chicote e obrigado a trabalhar ainda mais rápido.

Faraó também designou guardas entre os hebreus, cujo trabalho era conseguir que os hebreus trabalhassem ao máximo de sua capacidade. Os guardas hebreus tinham ordens de açoitar todo hebreu que fosse lento no trabalho, mas se negaram a castigar seus irmãos hebreus. Quando os supervisores egípcios viram que a guarda hebraica se apiedava dos demais hebreus e permitia-lhes fazer o trabalho mais lentamente, começaram então a açoitar os guardas hebreus. Porém, estes hebreus preferiam o chicote a golpear seus irmãos hebreus.

Mais tarde, o Eterno premiou estes heróicos guardas hebreus. Chamou-os zekenim, anciãos do povo hebraico.

O Faraó dá Permissão aos Egípcios para Empregar Hebreus como Escravos

O faraó esperava escutar a notícia de que o Povo de Israel tinha cada vez menor número de filhos. Mas para sua desilusão, foi informado que o número de filhos era cada vez maior!

“Os hebreus não trabalham com empenho suficiente!” concluiu o faraó. “Aí é que está o problema.”

Por isso, o faraó fez um novo anúncio. “Todo egípcio pode levar os hebreus que quiser, a fim de que trabalhem na sua casa ou na lavoura.”

Os egípcios ficaram muito satisfeitos com essa nova ordem, pois agora podiam ter todos os escravos que quisessem para fazer seu trabalho.

Um egípcio podia simplesmente dizer a um hebreu: “Preciso de alguém para tirar as pedras do meu jardim”, ou “necessito plantar no meu jardim, venha comigo!” e o pobre e exausto hebreu deveria trabalhar para o egípcio à noite, quando terminasse o trabalho para o faraó.

Porém, a esperança do faraó de que cada vez houvessem menos filhos para os hebreus não se cumpriu. As famílias hebreias continuaram crescendo. De tal modo cresceram que o faraó aprovou um novo decreto. A princípio, os homens do faraó forneciam aos hebreus os tijolos para a construção. Agora o faraó queria que os hebreus fabricassem seus próprios tijolos. Deviam reunir o material para fabricar os tijolos, exceto a palha, que seria fornecida pelo faraó. Esta nova exigência tornou o trabalho dos pobres escravos hebreus muito mais pesado.

Mas os planos do faraó não tinham êxito. As famílias hebreias se multiplicavam cada vez mais.

Quando o faraó se deu conta disso, urdiu um plano novo e terrível. De agora em diante, tomaria os cuidados para que todos os varões hebreus recém-nascidos fossem assassinados secretamente!

Faraó Ordena às Parteiras que Matem os Hebreus Recém-Nascidos

Faraó ordenou que trouxessem ao palácio as duas mulheres hebreias encarregadas de ajudar as mães a ter os bebês. Chamavam-se Shifrá (Yocheved, mãe de Moshê) e Puá (Miriam).

Ordenou-lhes: “Shifrá e Puá, façam com que não nasçam mais meninos hebreus vivos! Quando forem chamadas à casa de uma hebreia prestes a dar à luz e for um menino, asfixiem-no e digam à mãe: ‘Sentimos muito, mas seu filho nasceu morto!'”

Faraó pensou: “Pronto, não haverá mais meninos hebreus.”

Por que o faraó ordenou a morte somente dos varões? Poderia ter ordenado a morte de meninas! Mas seus sábios feiticeiros haviam-no avisado: “vemos nas estrelas, Majestade, que está para nascer um menino que libertará todos os escravos hebreus e os tirará do Egito.” Por isso, o faraó decidiu matar todos os meninos hebreus, na esperança de que o futuro líder se encontrasse entre eles. Não ocorreu ao faraó que as parteiras pudessem desobedecer-lhe. Afinal, bem se sabia no Egito que todo aquele que se atrevesse a desobedecer o poderoso faraó seria condenado à morte.

Acontece que Shifrá e Puá decidiram ignorar a ordem, pois eram tsadikaniot, mulheres justas. Afirmaram: “Estamos dispostas a morrer antes de matar meninos hebreus, chas veshalom!”

Quando o faraó ficou sabendo que nenhum menino hebreu estava nascendo morto, chamou Shifrá e Puá para repreendê-las: “Por que estão deixando viver os meninos hebreus?”

Elas responderam: “Não é nossa culpa, Majestade. Nunca somos chamadas a tempo. As mulheres hebreias fazem tefilá (rezam) para que seus filhos nasçam rapidamente e em paz. Quando nos chamam já é demasiado tarde; os bebês já nasceram!”

O Eterno recompensou Shifrá e Puá com bênçãos pela sua coragem em desobedecer as ordens do faraó. Seus descendentes se converteram nos líderes do povo de Israel: cohanim, leviyim e reis.

Os Meninos Hebreus são Arremessados ao Rio Nilo

O faraó e seus assessores compreenderam que não podiam mandar matar os meninos hebreus em segredo, de modo que decidiram assassiná-los abertamente.

O rei proclamou: “De agora em diante, todos os varões hebreus serão jogados ao Nilo!”

Como o faraó imaginou que as mães hebreias esconderiam seus filhos recém-nascidos, ordenou aos egípcios que se mudassem para casas vizinhas às dos hebreus para espioná-los e saber quando uma mulher hebreia estava prestes a dar à luz. Então deviam informar à polícia egípcia, e a casa judaica era registrada assim que nascesse o bebê. Se fosse menino, levariam-no e o afogariam no rio. Os egípcios ajudaram o faraó, vigiando os hebreus. Diziam aos filhos: “sigam as mulheres hebreias para todos os lados, assim saberão quando estão prestes a dar à luz.”

As egípcias também ajudaram o faraó da seguinte maneira: quando um policial egípcio ia procurar um menino hebreu num lugar assinalado e não o encontrava, as mulheres egípcias levavam seu próprio filho ao lugar. Beliscavam a criança para que chorasse, e quando o menino hebreu escutava o choro, também começava a chorar. Assim, era descoberto e levado para ser jogado ao Rio Nilo.

Como Hashem Salvou os Meninos Hebreus?

O Eterno fez um milagre para o povo hebreu. Os meninos jogados ao rio não se afogavam. Ao contrário, o rio os arrastava até umas cavernas perto de uns campos, longe das cidades egípcias. Ali, o Eterno se ocupava com os meninos. Colocou duas pedras junto à boca dos pequenos. De uma delas fluía leite, e da outra mel. Os meninos cresciam, alimentados por Hashem, e logo regressavam às casas de suas famílias.

Outro Midrash explica que o Eterno salvava os meninos mantendo-os vivos milagrosamente no Rio Nilo. O Eterno permitia que pudessem respirar na água como peixes, e tiravam o sustento do rio. Assim, quando o faraó cancelou o decreto, os meninos saíram vivos do rio.

Desse modo, os malvados planos do faraó não tiveram êxito.

Nasce Moshê

Um dos líderes do povo hebreu nesse momento era o tsadik (justo) Amram Ben Kehat, da tribo de Levi. Era tão justo que não havia jamais cometido um só pecado na vida. Sua esposa Yocheved Bat Levi era também uma grande tsadeket (justa). Tinham uma filha de seis anos, Miriam, e um filho de três, Aharon.

No dia em que Yocheved estava para dar à luz a outro menino, os astrólogos e sábios do faraó advertiram-no: “Vemos nas estrelas que hoje nascerá o menino que tirará os hebreus do Egito.” Porém, os egípcios nunca puderam descobrir o filho de Amram e Yocheved. Esta o escondeu em casa por três meses. Porém, temerosa de que os egípcios tivessem visto algo, buscou outro esconderijo.

Yocheved pensou: “Talvez, se ocultar meu filho no rio, os astrólogos do faraó vejam nas estrelas que o menino que os preocupa foi jogado ao rio. Talvez assim o faraó cancele a ordem de atirar os meninos hebreus no rio.”

Moshê no Rio Nilo

A mãe de Moshê arrumou uma caixa de madeira e colocou uma tampa. Para impermeabilizá-la, cobriu-a com breu por fora e com argila por dentro. Pôs a caixa no Rio Nilo entre os juncos que cresciam às margens, onde poderia ser vista pela gente que passava perto do rio.

A irmã de Moshê, Miriam, decidiu permanecer perto da margem do rio para ver o que aconteceria ao irmãozinho. Passaram-se vinte minutos e ninguém notou a caixa que flutuava no rio.

Mas quem se aproximava agora? Miriam viu que se tratava de uma dama egípcia da alta nobreza, seguida pelas criadas. Quem poderia ser? Quando se aproximou, Miriam viu que era a filha do faraó, a princesa Batiyah, que vinha banhar-se no Nilo. Podem imaginar como bateu o coraçãozinho de Miriam, quando viu que Batiyah mergulhava no rio, não muito distante da caixa com seu irmãozinho dentro?

Miriam observou ansiosamente, para ver se Batiyah descobriria o menino. Pois não é que descobriu?

“Que será isso que flutua entre os juncos?” exclamou a princesa.

Ordenou às criadas: “Tragam-me essa caixa!” Como se negassem, Batia estendeu o braço para alcançá-la. Era impossível para Batiyah alcançar a caixa, que estava fora de seu alcance, mas ela tentou de todas as maneiras. Hashem fez um milagre: seu braço se esticou até alcançar a caixa e Batiyah pôde abri-la. Surpreendeu-se ao encontrar um menino dentro.

Que lindo bebê! Batiyah ficou encantada e não sabia o que fazer com ele. O Eterno enviou o anjo Gabriel para que o menino começasse a chorar; Batiyah sentiu pena dele. “Rápido, corram!!” ordenou às criadas. “Este menino deve ser um hebreu, e está com muita fome. Tragam uma ama de leite para que o amamente!”

As moças regressaram com uma ama egípcia, mas para surpresa de todos, o bebê fechava a boca com força e não quis mamar do seu peito. Batiyah ordenou que trouxessem outra ama egípcia para amamentar o nenê, porém uma vez mais ele cerrou a boca e se negou a mamar. Miriam estava observando a cena desde o começo. Neste momento, perguntou: “Trago uma ama hebreia? Talvez o menino aceite seu leite.”

Quando a princesa consentiu, Miriam correu para casa e trouxe a sua própria mãe, Yocheved. Naturalmente, o pequeno mamou o leite de sua mãe!

Moshê no Palácio do Faraó

Você acaba de saber quem era o menino. Não era outro senão Moshê. Na verdade, este nome foi-lhe dado pela princesa Batiyah. Chamou-o assim porque a palavra Moshê significa “tirei-o da água”, e Batiyah o havia encontrado no rio.

Batiyah disse à mãe de Moshê: “Fique com o menino em sua casa e o amamente até que eu vá buscá-lo para levar ao palácio e pagar-te-ei por isso.”

Doze anos depois, a princesa mandou buscar Moshê e o levou ao palácio do faraó. Cuidava muito bem dele. Amava o menino como se fosse seu próprio filho. Seu pai, o faraó, também se encantou com Moshê e sempre brincava com ele.

Moshê Tira a Coroa do Faraó

Certa vez, o pequeno Moshê estava visitando Batiyah e ficou sentado sobre os joelhos do faraó. De repente, esticou a mãozinha, tirou a coroa do faraó, e a colocou sobre a própria cabeça.

Podem imaginar o alvoroço que se produziu na corte? Bila’am, um dos ministros, advertiu o faraó: “Majestade, este menino, embora pequeno, já está lhe tirando a coroa! Quando crescer, tirará todo o reino! Talvez seja este o menino que os astrólogos diziam que levaria os hebreus do Egito. Mate-o agora mesmo e não se converterá num inimigo poderoso para o senhor!”

Outro ministro, Yitrô (que no futuro seria sogro de Moshê), interpôs-se, dizendo: “Majestade, é um exagero dar tanta atenção aos atos de uma criança. Todos os pequeninos gostam de brincar com objetos brilhantes. Ele tomou sua coroa simplesmente porque pensou que era um objeto agradável e brilhante para brincar.”

Para por fim à discussão entre os ministros, o ministro Iyov (Jó, que mais tarde seria testado pelo Eterno), decidiu por o pequeno Moshê à prova, e descobrir porque havia tirado a coroa do faraó. Compreendia ele a importância da coroa ou estava só brincando? Se a prova mostrasse que Moshê havia tomado a coroa do faraó com um propósito determinado, seria morto.

Colocaram diante de Moshê duas vasilhas: uma cheia de moedas de ouro e outra de carvões acesos e resplandecentes. Escolheria Moshê o ouro ou os carvões ardentes? Se escolhesse as moedas de ouro, demonstraria que tinha inteligência suficiente para compreender que o ouro era mais valioso que o carvão. Se era tão inteligente, isso queria dizer que compreendia o valor da coroa e que a havia colocado sobre a própria cabeça de propósito. Porém, se escolhesse o carvão por causa de seu esplendor, demonstraria ser apenas uma criança que se sentia atraída pelo brilho da coroa.

Moshê era um menino muito esperto. Sabia que o ouro era muito mais valioso que o carvão e estendeu a mãozinha para o ouro. Mas Hashem enviou o anjo Gabriel para que empurrasse a mão de Moshê até o recipiente cheio de carvões ardentes. Moshê pegou um e vendo que estava muito quente para segurá-lo, levou-o à boca. O carvão ardente queimou-lhe a língua, e desde esse dia Moshê teve dificuldades para falar.

Moshê Cresceu

Moshê cresceu e foi morar definitivamente no palácio do faraó. Embora fosse tratado como um príncipe e pudesse desfrutar de todos os prazeres da corte egípcia, Moshê estava sempre triste, tão triste que chorava sem parar. Sabia que era hebreu, e sentia-se consternado ao ver como o faraó tratava cruelmente aos seus irmãos, os hebreus. Moshê se negou a desfrutar dos prazeres do palácio enquanto outros hebreus sofriam e trabalhavam duramente.

Então, Moshê pediu ao faraó que o deixasse supervisionar os escravos hebreus, e a cada vez que visitava um lugar onde via os hebreus trabalhando, ajudava-os secretamente no que fosse possível. Com o pretexto de ajudar o faraó, Moshê os ajudava a carregar fardos ou a terminar um trabalho. Angustiava-se terrivelmente ao ver que os hebreus sofriam tanto.

Os Planos de Moshê para dar aos Hebreus um Dia de Descanso

Moshê estava constantemente pensando na forma de aliviar o trabalho dos hebreus e finalmente elaborou um plano.

Foi ter com o faraó e disse-lhe: “Tenho observado os hebreus trabalhando e devo informar-lhe que estão a ponto de sofrer um colapso. Aí, não terão mais utilidade, pois o senhor os obriga a trabalhar sem descanso. Nenhum escravo pode trabalhar semana após semana, mês após mês.”

“Tens alguma sugestão para evitar que sofram um colapso?” perguntou-lhe o faraó.

“Creio que se lhes permitisse descansar um dia por semana”, sugeriu Moshê, “dar-lhes-ia a oportunidade de reunir força suficiente para trabalhar melhor o restante do tempo.”

Faraó aceitou o plano de Moshê. Quando permitiu a Moshê escolher um dia da semana, que dia acham que escolheu? Sim, foi o Shabat. Embora a Torá ainda não tivesse sido outorgada, Moshê sabia que o Shabat era um dia que deveria ser santificado. Sabia que Avraham, Yitschak, Yaacov e Yossef descansavam no Shabat.

Segundo outro Midrash, o faraó descobriu que qualquer edifício que os hebreus levantavam no Shabat, caía imediatamente.

O faraó perguntou desconfiado: “Por que os edifícios construídos no sétimo dia não duram?”

Moshê explicou ao faraó: “Porque não lhes permite descansar neste dia!”

Desde então, o faraó liberou o Povo de Israel de trabalhar no Shabat.

Moshê Mata um Egípcio

Certo dia, quando Moshê tinha vinte anos, chegou ao lugar onde trabalhavam os hebreus e se deparou com um espetáculo pavoroso! Um supervisor egípcio estava chicoteando selvagemente um hebreu!

Moshê sabia que precisava detê-lo rapidamente ou ele mataria o hebreu. Decidiu que o malvado egípcio não merecia viver, mas pensou que poderia ter filhos ou netos que fossem bons. Embora Moshê fosse jovem, era um grande tsadik (justo) que tinha um poderoso ruach hacodesh, um dom que lhe permitia ver o futuro de uma pessoa. Moshê previu que este egípcio era um malvado da pior espécie e que seus filhos e descendentes que pudesse ter seriam reshaim (malvados).

Moshê conhecia o segredo de matar uma pessoa invocando o Nome Divino, pois Hashem havia enviado um anjo para que o ensinasse. Pronunciou o Nome de 42 letras e o egípcio caiu morto.

Moshê rapidamente sepultou o egípcio na areia e advertiu os hebreus que haviam presenciado a cena: “Não digam uma palavra do que viram aqui.”

No dia seguinte, Moshê voltou a esse lugar. Havia problemas novamente. Dois homens estavam lutando e um havia levantado a mão para golpear o outro. Quando Moshê se aproximou, viu que eram hebreus. Eram dois reshaim (malvados) chamados Datan e Aviram.

“Parem!” ordenou Moshê a Datan, o hebreu que levantava a mão contra o outro. Por que faz isso? Nenhum hebreu pode golpear outro!”

Datan replicou com insolência: “És muito jovem para me dar ordens! E mesmo que fosses mais velho, quem te nomeou juiz sobre nós? Ou talvez queres matar-me como fez ontem com o egípcio!”

Quando Moshê escutou essas palavras, sentiu-se desolado. Datan mencionara em voz alta o fato de que matara o egípcio. Por acaso Moshê não advertira os hebreus a guardar segredo e não falar lashon hará (palavras maliciosas) sobre ele? Moshê temia que Hashem não iria tirar os hebreus do Egito por pecar, falando lashon hará!

Os dois reshaim (malvados), Datan e Aviram, ficaram tão furiosos porque Moshê apartara sua briga, que se apressaram em ir ao palácio e informar ao faraó: “Moshê assassinou um supervisor egípcio!”

O faraó deu ordens para deterem Moshê e o condenou à morte. O carrasco quis brandir sua poderosa espada no pescoço de Moshê, mas Hashem fez um milagre: seu pescoço ficou duro como uma pedra, e a espada voltou-se para trás, matando o carrasco. Então Hashem deixou o faraó mudo, para que não pudesse falar e dar ordens de matar Moshê, e deixou as pessoas cegas, para que não vissem sua fuga.

Moshê se Refugia na Casa de Yitrô

Moshê saiu da terra do Egito, porque o faraó era poderoso e tinha espiões em toda parte. Viajou para países distantes por muitos anos, até que chegou à terra de Midian. Enquanto descansava junto a um poço, viu sete irmãs com um rebanho de ovelhas que se aproximavam do poço. Uns pastores que estavam por perto não permitiram que as moças dessem de beber às ovelhas e jogaram as irmãs dentro do poço.

Quando Moshê viu o ocorrido, tirou as moças do poço e deu água às suas ovelhas. Também ajudou os pastores a dar de beber aos animais. As irmãs agradeceram e foram para casa. Ao chegarem, o pai, Yitrô, lhes perguntou: “Por que chegaram tão cedo hoje? Sempre chegam tarde, pois os pastores as tratam mal e não as deixam dar água às ovelhas.”

“Hoje um homem estranho, um egípcio, ajudou-nos,” explicaram-lhe elas. “Tirou-nos do poço e deu de beber às ovelhas.”

“Trata-se, sem dúvida, de um homem muito bondoso”, disse Yitrô. Vão buscá-lo e convidem-no a jantar conosco.”

Moshê foi à casa de Yitrô.

“Quem és e o que fazes em Midian?” perguntou-lhe Yitrô.

Quando Moshê explicou que estava fugindo do faraó porque este queria matá-lo, Yitrô se assustou porque temia que o faraó o castigasse por dar abrigo a Moshê. Assim, Yitrô ordenou aos serventes que colocassem Moshê em um poço perto de sua casa e o mantiveram ali por dez anos. Todos os dias, Tsiporá, uma das filhas de Yitrô, levava-lhe comida e assim Moshê pôde sobreviver. Finalmente, dez anos depois, Yitrô o libertou.

O Maravilhoso Cajado de Moshê

Quando Hashem criou os céus e a terra e tudo que há neles, criou também um maravilhoso bastão de safira, que deu a Adam, o primeiro homem, que viveu por 930 anos. Adam o entregou a seu tataraneto, o tsadik Chanosh, que havia nascido quando Adam tinha 622 anos. Chanosh o deu a Metushelach, que por sua vez o deu a Noâch. Noâch o deu a Avraham, que o deu a Yitschak, que o deu a Yaacov, que o deu a Yossef. Quando Yossef morreu, Yitrô, que era conselheiro na corte do faraó, o tomou porque percebeu o quão importante era. Yitrô o cravou na terra de seu jardim, no fundo da casa. Porém, quando o bastão foi plantado ali, ninguém, por mais forte que fosse, conseguia tirá-lo. Yitrô proclamou: “Se algum homem conseguir tirar o bastão da terra, dar-lhe-ei uma de minhas filhas por esposa!” Mas ninguém conseguia. Quando Moshê saiu do cárcere de Yitrô, tirou o cajado. Guardou-o com ele.

Moshê se Casa com Tsiporá

Yitrô deu a Moshê a mais especial de suas filhas, Tsiporá, que era uma grande tsadeket (justa). Esta deu à luz um filho, a quem Moshê chamou Gershom, e logo outro, Eliezer.

Moshê ficou vivendo com Yitrô e se ocupou em cuidar das ovelhas.

Por que Moshê Merecia ser o Líder de Israel

Apesar de ter sido criado como príncipe no Egito junto à nobreza antissemita, Moshê se aproximou de seus irmãos hebreus escravizados e compartilhou de sua dor.

Quando viu que um escravo hebreu era golpeado, quase assassinado pelo capataz egípcio, matou o egípcio para salvar seu irmão hebreu, pois amava a todos de seu povo.

Mais tarde, Moshê viu um hebreu a ponto de golpear outro; repreendeu o rashá (malvado), dizendo-lhe: “Como se atreve a golpear seu irmão?” Salvou-o, pois realmente se importava com cada um deles.

Ao chegar ao poço de Midian, Moshê viu que as filhas de Yitrô eram empurradas na água pelos pastores malvados. Essas moças foram resgatadas por Moshê que realmente se preocupava com todas as pessoas criadas pelo Eterno.

E quando cuidou das ovelhas de Yitrô, um cordeiro sedento se aproximou em busca de água. Ao vê-lo, Moshê disse: “Sem dúvida, deves estar cansado”. Levou-o até o rebanho para pô-lo a salvo, pois realmente se preocupava com todas as criaturas de Hashem.

O Eterno disse: “Moshê, porque te preocupas com todas as criaturas que fiz e tratas a todas tão bem, quero que sejas o pastor de meu povo, o líder do Povo de Israel.”

O Eterno Fala com Moshê

Os pastores só levam as ovelhas e cabras para pastarem o mais perto possível de casa. Moshê, ao contrário, não fazia assim. Todos os dias levava as ovelhas de Yitrô muito longe das cidades povoadas, pois temia que os animais comessem pasto de alguma outra pessoa, e isso seria roubo. Moshê somente ia com o rebanho em campos abertos, onde a terra não pertencia a ninguém.

Estava chegando a hora de liberar o Povo de Israel do Egito. Apenas Hashem sabia quando chegaria este momento. Pois como Moshê era um tsadik (justo) tão especial, o Eterno decidiu elegê-lo líder dos hebreus.

Certa vez Moshê conduzia as ovelhas por um campo deserto, e viu um fato inusitado: numa colina havia um arbusto espinhoso que estava se incendiando, sem que os ramos fossem destruídos pelo fogo. Moshê olhou com mais atenção e viu um segundo milagre: apenas o coração do arbusto estava se incendiando e o fogo não tocava as extremidades de jeito nenhum.

Moshê ficou admirado pelo maravilhoso espetáculo. Havia outros pastores junto a Moshê, mas apenas o tsadik (justo) Moshê podia ver o maravilhoso arbusto e somente ele escutou o anjo que o chamava para que se aproximasse do arbusto.

Quando Moshê chegou perto, o Eterno ordenou-lhe: “Não chegue muito perto! Tire os sapatos, pois estás parado em terra santificada!”

A colina estava santificada pois a Shechiná estava sobre ela. Voltaria a ser santificada no ano seguinte quando Hashem entregaria os Dez Mandamentos ao Povo de Israel sobre esta colina.

(Pois a colina onde Moshê vira o arbusto ardente não era outra senão o Monte Sinai).

O Eterno disse a Moshê: “Escutei o Povo de Israel chorando por causa do duro trabalho no Egito. Vi que fizeram teshuvá (arrependimento) em seus corações. Vou libertá-los. Vá ao faraó e ordene-lhe: ‘Deixe partirem os hebreus. Você os guiará para fora do Egito.'”

“Sou uma pessoa muito insignificante,” protestou Moshê. “Por que haverias Tu, o Criador do Universo, de eleger-me o líder que tirará os hebreus do Egito? Eleja um homem mais importante! Quem sou eu para que o faraó me escute e me permita sair para a terra prometida aos nossos antepassados em Canaan? Pode estar furioso comigo por ter matado um egípcio – pode até prender-me ou executar-me!”

“Não temas!” tranquilizou o Eterno a Moshê. “Estarei a teu lado para assegurar teu êxito em liberar o Povo de Israel do Egito. Prometo que o faraó não te fará mal. Esta é uma das razões por que te mostrei a sarça ardente. Foi um sinal: assim como o arbusto não sofreu dano por causa do fogo, não serás prejudicado pelo faraó.”

Moshê fez outra pergunta: “Se eu disser ao Povo de Israel que me ordenastes tirá-los do Egito, não me acreditarão. Dirão: ‘Hashem nunca apareceu para você! Não acreditamos em você!’”

O Eterno ficou irado com Moshê por não confiar nos hebreus; por pensar que não lhe dariam crédito. Hashem esperava que Moshê compreendesse que os hebreus eram um povo santificado que confiaria Nele, pois haviam aprendido de seu antepassado Yaacov e de Yossef, sobre o redentor que o Eterno enviaria.

“Como temes que o Povo de Israel não confie em ti, dar-te-ei três sinais”, disse Hashem a Moshê.

“Estas serão as provas para o Povo de Israel de que foste enviado por Mim.”

O Primeiro Sinal

O Eterno perguntou a Moshê: “Que levas na mão?”

“Um cajado,” disse Moshê.

“Joga-o no solo!”

Quando Moshê jogou o cajado, este se transformou em uma serpente. Moshê se assustou tanto com a perigosa serpente que se movia em sua direção e ele começou a correr.

Mas o Eterno ordenou-lhe: “Pega a serpente pela cabeça!”

Quando Moshê fez o que Hashem lhe ordenava, a serpente transformou-se em cajado novamente. Era sem dúvida um sinal maravilhoso que convenceria os hebreus de que deveriam crer nas palavras de Moshê. Porém, o Eterno havia também escolhido este sinal para demonstrar a Moshê que estava aborrecido com ele, por haver falado mal dos Bnei Israel ao dizer: “Não crerão em mim!” Desse modo, Moshê havia agido como a serpente no Gan Eden (paraíso) que havia falado lashon hará (calúnias) sobre Hashem a Chava. Para que Moshê tomasse consciência de seu erro, o Eterno utilizou uma serpente como primeiro sinal.

O Segundo Sinal

O Eterno ordenou a Moshê: “Põe tua mão sobre o peito!”

Moshê pôs a mão dentro da túnica. Quando a retirou, estava branca como a neve. Estava coberta da doença cutânea conhecida como tsara’at. Quando uma pessoa contraí essa doença, a pele fica toda branca.

Logo Hashem ordenou a Moshê: “Coloca novamente tua mão dentro da túnica.”

Desta vez, quando Moshê a tirou, a mão estava com sua cor normal novamente.

O Eterno disse: “O sinal de tua mão doente será o sinal que mostrarás ao Povo de Israel.”

Este sinal era uma nova prova de que Moshê não deveria ter falado sobre os Bnei Israel; “Não me acreditarão!” Como Moshê havia falado mal dos hebreus, Hashem o havia castigado com uma enfermidade com que o Eterno castiga as pessoas que falam calúnias.

O Terceiro Sinal

O Eterno deu a Moshê outro sinal para que mostrasse ao Povo de Israel. Disse-lhe: “Toma um pouco de água do Rio Nilo e joga-a sobre o solo e se transformará em sangue.”

Mesmo depois de receber estes três sinais do próprio Criador do Universo, Moshê não estava pronto para ir até o faraó.

“Meu irmão Aharon sentir-se-á mal se eu me transformar no líder do povo hebreu, e não ele! Ele é um navi (profeta) a quem Tu tens falado e enviado mensagens ao povo hebreu até agora no Egito. Não sou digno de comparecer perante o faraó, pois tenho dificuldades para falar.”

Mas Hashem insistiu que Moshê fosse o líder dos Bnei Israel. “Teu irmão Aharon te acompanhará na visita ao faraó e te ajudará com o povo de Israel,” disse-lhe. “Ele falará diretamente com o faraó. Tu falarás lashon hakôdesh (hebraico) e ele traduzirá tuas palavras para o egípcio. Leva contigo o cajado, pois com ele farás milagres!”

Moshê é Castigado por Demorar a Fazer a Brit Milá (circuncisão) de seu Filho, Eliezer

Moshê disse à esposa: “O Eterno me ordenou regressar ao Egito.”

Moshê pegou a esposa e o filho, Gershon, junto com o bebê recém-nascido, de oito dias de idade, Eliezer, e os sentou sobre uma mula. Todos empreenderam viagem ao Egito.

Na verdade chegara o momento de fazer a circuncisão do menino recém-nascido, Eliezer. Mas Moshê pensou: “Se eu fizer o brit milá agora, será perigoso que viaje em seguida. E Hashem me ordenou viajar ao Egito. Primeiro devo obedecer a ordem do Eterno e fazer logo a circuncisão do menino.”

Quando Moshê e Tsiporá estavam para chegar ao Egito, Moshê preparou um lugar para a família passar a noite.

Mas Hashem esperava de Moshê, agora que a família estava perto do Egito, que ele fizesse a circuncisão antes de qualquer outra coisa. Moshê deveria ter preparado um lugar para dormir somente depois de cumprir com a mitsvá de milá.

Por causa disso, o Eterno enviou um anjo para que castigasse Moshê. Uma serpente, começou a enroscar-se em Moshê. Quando Tsiporá entendeu o que isto significava, rapidamente tomou um instrumento afiado e fez a circuncisão no filho. Imediatamente o anjo libertou Moshê.

Esta história contém duas lições:

  1. Vemos quão grande tsadik (justo) era Moshê. Hashem foi tão severo com ele por demorar a cumprir uma mitsvá, simplesmente pela estatura de Moshê, um grande homem.
  2. Aprendemos desta passagem a importância da brit milá. Assim como o castigo por não cumprir a mitsvá é severo, o zechut (mérito) por cumpri-la é enorme. A mitsvá da brit milá é, em alguns modos, tão importante como todas as outras mitsvot da Torá juntas!

Aharon vai ao Encontro de Moshê e de sua Família

O Eterno disse a Aharon, o irmão de Moshê: “Moshê está chegando no Egito. Vá ao seu encontro.”

Aharon foi ao encontro do irmão. Beijou Moshê, feliz por este ter se tornado o líder do povo hebreu. Embora Aharon fosse mais velho, não invejou a alta posição de seu irmão mais jovem.

Quando Aharon viu a esposa e os filhos de Moshê, disse: “Por que os trazes ao Egito? Os hebreus ali sofrem muito por causa da crueldade do faraó. Seria melhor que voltassem a Midian.”

Moshê escutou o conselho do irmão. Algum tempo depois, levou a família de volta a Midian e logo regressou ao Egito sozinho.

Moshê e Aharon Falam com os Bnei Israel

Moshê e Aharon reuniram os zekenim (anciões), os anciãos do Povo de Israel. Aharon falou-lhes que o Eterno havia enviado Moshê para tirar os hebreus do Egito. Os zekenim transmitiram a mensagem a todos de Yisrael. Todos acreditaram. Inclinaram-se para agradecer ao Eterno que em breve os libertaria.

Logo Moshê e Aharon foram ao palácio do faraó para ordenar ao rei, em nome do Eterno, que pusesse o Povo de Israel em liberdade.

Os Milagres que Aconteceram Quando Moshê e Aharon Entraram no Palácio

A entrada do palácio era guardada por animais selvagens: ursos ferozes e leões famintos. Esses destroçavam todo aquele que entrava sem permissão. Mas quando Moshê e Aharon entraram, os animais ficaram dóceis como ovelhas. Agacharam a cabeça e seguiram docilmente a Moshê e Aharon por toda a parte.

Antes de entrar na sala do trono, os visitantes tinham que atravessar uma porta baixa. Em frente à porta havia um ídolo egípcio. Quando o visitante inclinava a cabeça para passar pela porta, automaticamente se inclinava para o ídolo.

Mas para Moshê e Aharon a entrada se tornou milagrosamente mais alta. Embora eles fossem muito altos, puderam entrar na sala sem se inclinar. O mesmo milagre também aconteceu em tempos anteriores, quando Yaacov fora visitar o faraó. Para ele, também, a porta ficara mais alta.

O Faraó se Nega a Escutar

Moshê e Aharon ordenaram ao faraó em nome do Eterno: “Deixa o Povo de Israel sair do Egito”. Mas o faraó zombou de suas palavras.

“Quem é o Eterno? Não o conheço! Este nome não está em nenhum de meus livros.”

Moshê e Aharon explicaram ao faraó: “O Eterno é o Deidade do povo de Yisrael. Criou o mundo e o governa! Será melhor para ti que O escute!”

Mas o faraó se negou a obedecer. Pelo contrário, tornou-se ainda mais cruel. Ordenou aos guardas: “Estes hebreus estão querendo folga do trabalho, pois acreditam que logo abandonarão a nossa terra. Devemos, pois, fazer com que trabalhem mais ainda! Até agora lhes dei a palha para misturá-la com o barro ao fabricar os tijolos. De agora em diante, cada hebreu deverá conseguir sua própria palha! E diga-lhes que não podem fazer menos tijolos que antes!”

Esta foi, sem dúvida, uma ordem cruel. Os hebreus se dispersaram por todo o Egito em busca de palha. Mas, naturalmente, isto levou tempo, e o tempo de que dispunham para fazer tijolos era menor. Os supervisores do faraó açoitaram-nos por obterem menores resultados. Ordenou aos guardas hebreus que golpeassem todo hebreu que fosse lento no trabalho. Porém, eles não obedeceram. Quando os supervisores do faraó viram isso, açoitaram os guardas hebreus, mas não conseguiram que batessem nos outros hebreus.

Moshê ficou triste ao ver que os hebreus sofriam ainda mais depois que ele havia falado com o faraó. Lamentou-se a Hashem: “Por que me enviaste ao Egito? Agora o faraó tornou-se ainda mais cruel com o Povo de Israel!”

O Eterno respondeu: “Em breve enviarei pragas sobre o faraó e então o trabalho dos Bnei Israel tornar-se-á mais fácil. Finalmente, o faraó os fará sair do Egito com tal pressa que não terão tempo de assar pão para levar na viagem!”

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