Êxodo 30:11 a Êxodo 34:35 – BHS
A Parashá Ki Tissá é uma das mais dramáticas da Torá: começa com elevação espiritual – o censo com meio siclo, a bacia de purificação, o óleo de unção sagrada, o incenso composto, a designação de Betsalel e Aholiav, a santidade do Shabat – e desce ao abismo do pecado do bezerro de ouro, a intercessão de Moshê, a revelação dos treze atributos de misericórdia e o rosto resplandecente de Moshê ao descer com as segundas tábuas. Os midrashim revelam lições profundas: o óleo e incenso como milagres perpétuos, o bezerro como teste para gerações futuras de teshuvá, a quebra das tábuas como proteção, a defesa de Moshê baseada nos patriarcas, e o resplendor como sinal de proximidade com o Divino. Tudo ensina que mesmo após a maior queda, há caminho de retorno via arrependimento, oração e mérito ancestral. Hashem perdoa, renova a aliança e habita entre nós – lição eterna para Am Yisrael.
A Ordem de Preparar o Óleo para Unção e o Incenso
O óleo para unção foi preparado por Moshê da seguinte maneira: o Eterno ditou para ele a lista de especiarias, especificando seu peso e volume. Cada especiaria foi moída separadamente. Então, as especiarias foram misturadas e socadas em água para que o seu aroma fosse absorvido pela água. Óleo de oliva era adicionado à água e a mistura era fervida até que a água evaporasse e somente sobrasse óleo perfumado. Aquele óleo, (o óleo para unção) foi preservado num frasco para ser usado na unção dos Sumo Sacerdotes e reis da dinastia de David. Na consagração do Tabernáculo, todos os seus utensílios também foram ungidos com este óleo. Apesar de Moshê ter preparado somente a quantidade de pouco mais de quatro litros, esta quantidade milagrosamente foi o suficiente para todas as próximas gerações. Este mesmo óleo ainda foi usado na época do segundo Templo Sagrado. O frasco contendo o óleo foi ocultado na época da destruição do Templo. Ele nos será devolvido na era de Mashiach. Moshê preparou o incenso, misturando onze das melhores especiarias, apontadas por Hashem. Somente uma dentre as especiarias emitia um odor repulsivo. O Eterno queria ensinar aos israelitas que deveriam incluir igualmente os indivíduos transgressores em momentos de jejuns e orações comunitários. As especiarias deveriam ser moídas, misturadas e um punhado delas era queimado diariamente no altar de incenso. Era proibido produzir uma mistura de especiarias nas mesmas exatas proporções do incenso, se a mistura fosse destinada para uso particular.
A Ordem de fazer um Lavatório
Hashem ordenou que uma grande pia especial de cobre com bicos (kiyor) fosse construída e colocada no pátio do Tabernáculo, entre o Ohel Moed (Côdesh) e o altar exterior. Este lavatório era enchido com água a cada manhã para que os cohanim pudessem abluir suas mãos e seus pés antes de iniciar o serviço Divino. Por que o Eterno ordenou aos cohanim que lavassem mãos e pés antes de iniciar seu trabalho no Santuário? Poderíamos responder que Hashem queria assegurar-se de que suas mãos e pés estivessem limpos. Esta explicação é verdadeira, mas também existe uma razão mais profunda para esta ordem. Ao verter água de uma vasilha sagrada sobre suas mãos e pés antes do serviço sagrado, tais partes do corpo se santificavam. Será que não era necessário santificar também o resto do corpo? O corpo dos cohanim já se tornavam sagrados ao vestirem suas roupas sacerdotais. A água, então era utilizada para santificar mãos e pés que ficavam descobertos.
Betsal’el é Designado Construtor do Tabernáculo e Aholiav, seu assistente
Quando Moshê foi informado da futura construção do Tabernáculo, durante sua estadia no Céu, este tinha a impressão de que teria que construí-lo com suas próprias mãos. Quando ele estava prestes a deixar o Campo Celestial, o Eterno revelou-lhe: “Apesar de ter lhe apresentado o diagrama do Tabernáculo e a estrutura de todos os seus componentes, não és o artesão que o construirá. Teu papel é de ser um líder e não um artífice!” “Quem será o construtor do Tabernáculo?” perguntou Moshê. “Betsal’el Ben Uri Ben de Chur, foi designado para esta tarefa”, informou Hashem. Betsal’el era o neto de Chur, que foi assassinado durante o incidente envolvendo o pecado do bezerro de ouro (como veremos adiante). A construção do Tabernáculo através do neto de Chur serviu como perdão pelo linchamento de Chur. Betsal’el era o bisneto de Miriam, irmã de Moshê. Ela foi recompensada com um descendente sábio e entendedor, que sabia como construir o Tabernáculo, em mérito do temor ao Eterno que a levou a prontificar-se a desobedecer a ordem do Faraó de assassinar os hebreus recém nascidos quando trabalhava como parteira no Egito. Naquele tempo, Betsal’el tinha somente treze anos de idade. Por isso, Moshê perguntava-se como alguém tão jovem poderia receber a imensa tarefa de erigir um Tabernáculo. De acordo com a regra de que é correto consultar a comunidade antes de lhe nomear um líder, Hashem perguntou para Moshê: “Será que Betsal’el lhe parece digno para este encargo?” “Se ele é digno aos Teus olhos”, replicou Moshê, “certamente o é aos meus.” Quando, mais tarde, Moshê apresentou Betsal’el para o povo como o arquiteto do Tabernáculo, ele por sua vez perguntou ao povo: “Vocês concordam com o fato de Betsal’el ser o construtor?” “Se ele é digno aos olhos do Eterno e aos seus”, replicou o povo hebreu, “certamente o é aos nossos.” Betsal’el foi inspirado com sabedoria Divina e compreensão para ser capaz de ser bem sucedido nesta missão. Assim como foi mostrada a Moshê uma visão da estrutura detalhada de cada utensílio do Tabernáculo, assim também foi concedida a Betsal’el uma visão Celestial da forma e desenho de cada objeto. Betsal’el era um fiel artífice, que se empenhou em seguir à risca as instruções celestiais. Por isso a Torá o recompensou, anexando seu nome a cada um dos objetos do Tabernáculo citados na parashá. Moshê ordenou a Betsal’el: “Primeiramente construa a arca, depois os outros utensílios, e finalmente a tenda do Tabernáculo.” “Meu mestre, Moshê”, objetou Betsal’el, “ao construir uma casa, será que não se constrói primeiramente a estrutura externa para abrigar sua mobília? Se eu construir a arca primeiro, onde é que a colocarei, depois de ficar pronta? Será que o Eterno não lhe disse para primeiro construir o próprio Tabernáculo, e só depois a arca e os outros acessórios?” “Você tem razão”, admitiu Moshê. “Você pode ser denominado como aquele que esta na sombra do Eterno, pois possui a sabedoria para compreender o significado secreto das Suas palavras.” Daí o nome “Betsal’el”, composto pelas palavras “Betsel E-l – aquele que estava na sombra do Altíssimo.” Hashem ordenou a Moshê para nomear Aholiav da tribo de Dan como assistente de Betsal’el. Aholiav não fazia nenhum trabalho independente, mas ajudava Betsal’el em cada fase da construção. O Eterno juntou como artesãos Betsal’el, membro da tribo de Yehudá, e Aholiav, da tribo de Dan. Yehudá era o mais exaltado dos filhos de Yaacov e Dan era o menos importante. Juntando-os, Hashem quis dizer aos hebreus que, aos Seus olhos, o grande e o pequeno são iguais. Uma pessoa menos capaz que serve Hashem com todo seu potencial é considerada no mesmo nível que uma pessoa privilegiada, pois o Eterno julga um homem de acordo com as intenções do seu coração. Hashem adverte Moshê que os israelitas não devem violar o Shabat para construir o Tabernáculo O Eterno advertiu Moshê: “Os israelitas podem pensar que a construção do Tabernáculo é uma mitsvá tão importante que devem continuar construindo no Shabat. Porém, isto é proibido. Advirta-os que qualquer trabalho necessário para construir o Tabernáculo não poderá ser realizado no Shabat. Os hebreus devem guardar a santidade do dia e abster-se de trabalhar, agora e para sempre. O dia de Shabat é um sinal entre Eu e o povo de Israel de que são Meu Povo.” A mitsvá de Shabat é tão importante que se todos os hebreus guardassem dois Shabat com todas as leis correspondentes, Mashiach viria de imediato!
Depois de Quarenta Dias no Céu, Moshê Recebe duas tábuas de Safira
Depois do recebimento da Torá, Moshê permaneceu no Céu durante quarenta dias estudando a Torá diretamente do Eterno. Ao cabo dos quarenta dias, Hashem deu a Moshê duas tábuas de safira de tamanho e forma idênticas. Nelas, o Eterno gravara os Dez Mandamentos. Por que o povo de Israel recebeu os Dez Mandamentos inscritos em tábuas, em vez de um pergaminho Divino contendo toda a Torá? Quando uma pequena criança começa a escola, o professor lhe apresenta o alfabeto escrevendo as letras no quadro negro. Somente mais tarde, quando o alfabeto já lhe for familiar, receberá livros para estudar. Hashem introduziu os israelitas à Torá primeiramente pondo-os a par dos Dez Mandamentos (que contêm os conceitos básicos da Torá), e somente mais tarde foi-lhes dado um pergaminho de Torá inteiro. Em vez de inscrever todos os Dez Mandamentos em uma só tábua, Hashem escreveu-os em duas tábuas separadas. A primeira tábua continha os mandamentos envolvendo o homem e seu Criador, e a segunda tábua lidava com os mandamentos ligados à relação do homem com o seu próximo. As letras não eram gravadas superficialmente sobre as tábuas, mas foram talhadas através de toda a espessura da pedra. Isso, para que fosse possível ler pelos dois lados. As letras hebraicas Mem (final) e Samech formam um quadrado e um círculo completos, respectivamente. Já que suas porções internas não tinham nenhuma sustentação, poderiam cair. No entanto, elas permaneciam em seu lugar milagrosamente.
O Pecado do Bezerro de Ouro
Antes de subir ao Céu para receber as tábuas, Moshê assegurou ao povo: “Eu retornarei dentro de quarenta dias, antes do meio-dia.” Entrementes, ele apontou seu irmão Aharon e Chur Ben Miriam para encarregarem-se do povo de Israel. Agora já era 16 de Tamuz, o último dos quarenta dias, e o meio-dia já havia passado. Onde Moshê poderia estar? De acordo com os cálculos do povo, os quarenta dias já haviam passado. Eles incluíram, erroneamente, na sua contagem o dia da partida de Moshê. Na verdade, porém, ele deveria regressar somente no dia seguinte. O povo judeu, um povo formado por 600 mil homens, sem contar mulheres, crianças e bebês, encontraram-se no enorme e terrível deserto, habitat de animais ferozes, cobras e escorpiões, sem o seu grande líder que servia de ligação entre eles e Hashem. Satan apareceu perante o povo inquirindo: “Onde está Moshê?” “Está no Céu”, respondeu o povo de Israel. “Mas o meio dia já passou e ele ainda não regressou”, desafiou-os. Suas palavras foram ignoradas. “Moshê faleceu!” zombou o Satan. O povo, porém, não deu atenção às suas palavras. Satan começou então a lhes mostrar visões terríveis, fazendo aparecer o corpo imóvel de Moshê sobre o Monte Sinai. O povo viu o corpo de Moshê suspenso entre o Céu e a Terra. Era uma imagem tão nítida e real que eram capazes de apontar para ela com seus dedos. A explicação verdadeira para aquela visão foi que Moshê, como resultado de sua estadia no Céu, foi transformado em um ser espiritual. Satan mostrou para o povo a vestimenta física da qual havia se despido e que por isso, era visto como o corpo de Moshê sobre o Monte Sinai, igualmente se estivesse dormindo, em transe ou quiçá estivesse morto. Então exclamaram: “Quem sabe se Moshê retornará? Hashem pode tê-lo feito permanecer no Céu para engajar-se em discussões de Torá com ele, ou talvez os anjos mataram-no!” Os magos egípcios Yonos e Yambres aproximaram-se de Aharon, Chur e dos 70 anciãos, reivindicando: “Já que Moshê desapareceu nas alturas, a congregação inteira está destinada a morrer! Dê-nos um substituto!” A maioria dos membros do povo de Israel não tencionava usar a imagem como ídolo. Supunham que a Shechiná pousaria na imagem, e que esta os ajudaria a aproximar-se de Hashem, assim como Moshê sempre se acercara deles. Porém, foi um erro. Nos Dez Mandamentos, o Eterno ordenou: “Não se pode venerar imagens” nem mesmo com o propósito de servir ao Eterno. “Queremos um líder que nos garantirá um status igual ao dos israelitas de nascença!” Chur Ben Miriam, sobrinho de Moshê e Aharon, ficou de pé e exclamou: “Será que esta é a gratidão que possuem por todos os milagres que Hashem realizou para vocês? Apenas por que Moshê não está aqui desejam fazer esta imagem? Moshê voltará! Mas mesmo que não volte, não lhes está permitido fazer imagens! Não os deixarei fazê-la!” “Seus pescoços deveriam ser cortados por uma exigência como essa!”, trovejou. Chur explicou para o povo que era desnecessário procurar por algo no qual a presença Divina pairasse, pois o povo de Israel, diferentemente de todas as outras nações, eram guiados pessoalmente por Hashem. O povo se agitou ante as palavras de Chur. Alguns começaram a lutar com ele, e finalmente o mataram. O Eterno disse: “Chur, destes a vida para santificar Meu nome. Mereces uma grande recompensa por isso! Teus filhos serão grandes homens e príncipes judeus.” E assim aconteceu. O neto de Chur, Betsal’el, foi designado construtor do Tabernáculo, e dentre seus descendentes estavam o rei David e outros reis. Os magos egípcios viraram-se para os anciãos, exigindo um novo líder, porém estes negaram. Os egípcios finalmente foram ter com Aharon, exigindo: “Dê-nos um líder, pois nós não sabemos o que aconteceu com este homem, Moshê!” Aharon se encontrava em posição difícil. Se dissesse: “Não posso permitir”, como Chur o fizera, alguns da turba poderiam matá-lo também. Aharon raciocinou: “Se eles me assassinarem também, não terão perdão pelo seu crime. O pecado de fabricar uma imagem é menor se comparado com um crime tão hediondo de matarem um cohen!” Se Aharon não ficasse à frente do povo, as coisas poderiam ficar piores. Portanto, pois, que Aharon decidiu: “Não me resta outro remédio: É melhor aceitar. Porém demorarei muito para fazer uma imagem. Espero que Moshê volte antes de terminar.” O Eterno sabia que Aharon consentiu porque, graças ao seu grande amor para o povo de Israel, queria salvá-los da destruição. Para protelar e atrasar o plano, Aharon ordenou: “Tragam-me os brincos de suas esposas e crianças.” Ele presumiu que as mulheres relutariam em compartilhar suas jóias. Poderiam surgir discussões entre marido e mulher, e com isto, tempo precioso seria ganho. As mulheres, realmente, recusaram-se a compartilhar as suas jóias, não por estarem ligadas a elas, mas porque recusaram-se a dedicá-las para a formação de uma imagem. Sua fidelidade ao Eterno foi recompensada: as mulheres receberam o Rosh Chôdesh como um dia festivo especial para si mesmas, para ser celebrado por elas através das gerações. É costume das mulheres absterem-se de trabalho específicos em Rosh Chôdesh, como lavar roupas e costurar. Fora as mulheres, toda a tribo de Levi absteu-se de contribuir com qualquer ouro para fazer o bezerro, e assim também fizeram os líderes das tribos e os justos do povo de Israel. Apesar da recusa das mulheres, o plano de Aharon falhou porque os homens estavam ávidos em contribuir com ouro. Eles arrancaram os brincos rapidamente e Aharon jogou o ouro no fogo para derretê-lo e mais tarde moldá-lo e esculpi-lo com uma ferramenta. (Aharon usou o processo mais lento possível para a formação do metal, esculpindo-o com uma ferramenta em vez de colocá-lo num molde.) Agora os magos egípcios se puseram a trabalhar. Com sua magia, converteram a imagem em um bezerro. Subsequentemente, um bezerro vivo emergiu do fogo, balindo e andando. Apontando para ele, os egípcios gritaram: “Estes são os teus poderes espirituais (representados nesta imagem), ó Israel, que os tiraram do Egito!” As reações do povo de Israel diante do bezerro foram variadas. Alguns consideraram-no um intermediário sobre o qual a Shechiná pairaria. Outros tiveram a intenção de servir o próprio bezerro. Alguns o acolheram como uma oportunidade de abandonar a estrita disciplina moral da Torá e usar esta imagem como um pretexto para licenciosidade. O povo quis construir um altar no qual oferendas poderiam ser sacrificadas, e tinham a intenção de rezar para o Eterno pedindo que um fogo Celestial descesse sobre ele. Aharon, porém, exigiu que a construção do altar fosse deixada a cargo dele, proclamando: “Será uma honra maior para o altar se eu construí-lo sozinho!” Na verdade, seus pensamentos eram: “Se eles o construírem, cada um trará uma pedra e ele logo ficará pronto. Eu, porém, demorarei na sua construção até o anoitecer, para que nenhum sacrifício seja oferecido até amanhã. Até lá, Moshê já terá retornado!” Ele concordou em construir este altar pois preferia ser pessoalmente culpado a deixar que o povo fosse punido mais tarde pelo pecado de construí-lo. Aharon declarou numa voz triste: “Amanhã haverá um festival para Hashem!” Ele frisou claramente que o festival era em honra ao Eterno, e não do bezerro. Na manhã seguinte, os egípcios despertaram cedo. Beberam vinho, e naquele estado de intoxicação, serviram ao bezerro como se fosse um ídolo egípicio, oferecendo-lhe a maná que caíra naquele dia. Assim, eles contrariaram o Altíssimo com a maior bondade que Ele lhes outorgara. (Isto não nos surpreenderá se considerarmos que nós, frequentemente, agimos desta mesma maneira incongruente, ao empregarmos nosso cérebro e membros, ambos presentes de Hashem, para desafiar a Sua vontade.) Ao mesmo tempo em que o povo estava praticando idolatria, o Eterno, nos Céus, estava ocupado gravando os Dez Mandamentos para eles nas duas tábuas de safira, como um presente para o Seu povo, que garantiria a eles vida eterna. Os egípcios convertidos induziram os primogênitos do povo de Israel a também fazer sacrifícios para o bezerro. Os primogênitos, por causa disso, perderam seu direito de realizar o serviço sacrificial. Este privilégio foi transferido para a tribo de Levi. A idolatria do bezerro levou à libertinagem e obscenidade. Apesar de que foram os egípcios quem idolatraram o bezerro, todo o povo de Israel foi incluído no veredicto culposo, já que eles fracassaram em protestar contra os pecadores. O Eterno poderia ter destruído todo o povo de Israel nesta ocasião, se não fosse a memória de Avraham, Yitschac e Yaacov.
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Moshê Defende o Povo de Israel
Após o pecado do bezerro de ouro, o Eterno dirigiu-se a Moshê, no Céu, com duras palavras: “Desça!”, ordenou, “Não podes mais manter sua posição exaltada como um líder! Eu te elevei em honra do Meu povo. Eles, no entanto, pecaram quarenta dias depois da outorga da Torá. Quão desventurada é a noiva que se corrompe quando ainda está debaixo do pálio nupcial (chupah)!” Esta reprovação baqueou Moshê; seu rosto anuviou-se. Ele queria deixar os Céus, mas estava tão atordoado em detrimento de sua preocupação pelo povo, que foi incapaz de achar a saída, andando às cegas. O Eterno censurou-o, dizendo: “Quando o povo de Israel partiu do Egito, quiseste que os egípcios viessem junto. Eu Me opus, mas és bom e modesto e imploraste para que os aceitasse, apesar de serem indignos. Agora estas pessoas fabricaram o bezerro de Ouro e induziram o povo ao pecado!” “Pode ser que fizeram um bezerro”, disse Moshê, “mas eles certamente não se curvaram perante ele!” “Eles se curvaram”, disse-lhe o Eterno. “Então eles podem ter se curvado, sem ter oferecido nada”, persistiu Moshê. “Eles sacrificaram oferendas”, disse-lhe Hashem. “Neste caso, eles não o devem ter aceito como uma divindade”, argumentou Moshê. “Os egípcios disseram: ‘Estes são seus Elokim, Israel!'”, contradisse o Eterno. Moshê ficou chocado com esta revelação. Frente a notícias tão arrasadoras, perdeu a fala. Foi o próprio Criador que indicou a Moshê como proceder, através de uma reprimenda: “Deixe-Me em paz e Eu os destruirei!” Destas palavras, “Deixe-Me em paz”, (apesar de que Moshê ainda não pronunciara sequer uma palavra em prol do povo), Moshê compreendeu que deveria rogar pelo povo de Israel. O Eterno disse-lhe: “Eles merecem destruição; cheguei à conclusão que eles são obstinados!” Hashem ofereceu fazer de Moshê um grande povo, no lugar do povo de Israel, que seria destruído. A razão pela qual o Eterno fez acusações severas e ameaças contra o povo de Israel, foi com o intuito de despertar Moshê para rezar mais sinceramente em prol deles. De fato, Moshê apresentou uma defesa de mestre para o povo de Israel e seus argumentos conseguiram o nosso perdão e nossa proteção até os dias de hoje. “Por favor, Hashem” rogou Moshê, “não fiques tão aborrecido com Teu povo! Se o destruíres, os egípcios afirmarão: ‘Tínhamos razão! Sempre predissemos que o Eterno não poderia manter vivo um povo num deserto solitário e temível, sem comida nem bebida. Desde o princípio, sabíamos que todos morreriam ali. Quando Hashem viu que não tinha condições de manter os hebreus vivos e de guiá-los a Israel, matou-os todos no deserto!’ Que terrível profanação do Nome Sagrado seria se todas as nações acreditassem que Tu não és suficientemente Poderoso para conduzir os hebreus à Terra Prometida de Israel e por isso os eliminaste. Não permitas que as nações afirmem isso! “Ademais, mesmo que os hebreus tenham pecado, e acaso não merecem viver pelo mérito de seus antepassados – Avraham, Yitschac e Yaacov? Tu prometeste aos nossos antepassados que nós, seus descendentes seríamos tão numerosos como as estrelas! “Sei que os hebreus transgrediram um dos Dez Mandamentos ao fazerem uma imagem, mas lembra-Te que puseste Avraham à prova dez vezes e ele passou por todas. Permitas, pois, que o mérito de Avraham proteja os hebreus agora. E se Tu pensas que os hebreus merecem ser queimados por seus pecados, recorda que Avraham estava disposto a deixar-se queimar em uma fornalha por amor a Ti. Salva, pois, os hebreus de serem queimados pelo mérito de Avraham. “Se pensas que o povo de Israel merece ser morto pela espada, pensa no mérito de Yitschac. Yitschac permitiu que seu pai o amarrasse ao altar no monte de Moriyá e estava disposto a ser sacrificado com uma faca. Deixa, pois, que o mérito de Yitschac salve os hebreus! E se desejas castigar o povo hebreu fazendo-o perambular por terras estranhas, recorda o mérito de seu antepassado, Yaacov, o justo, que perambulou por vários países. Perdoa os hebreus pelo mérito de Yaacov.” Moshê recusou a oferta celestial para ele ser o patriarca de uma nova nação hebreia, discutindo: “Mestre do Universo, se uma cadeira com três pernas balança, como pode uma cadeira de uma só perna permanecer de pé? Se os méritos dos seus três patriarcas, Avraham, Yitschac e Yaacov foram insuficientes para salvar o povo de Israel da Tua ira, como posso eu, um só homem, esperar que os proteja? Se os meus descendentes pecarem no futuro, meu mérito certamente não será o suficiente para salvá-los da morte! Mais ainda, não posso aceitar a Tua proposta, pois terei vergonha de Avraham, Yitschac e Yaacov. Eles poderão pensar: ‘Que líder de comunidade egoísta! Ele aproveita a situação para elevar a si mesmo em vez de implorar pelo perdão de sua comunidade!’ Desista de levar em frente Teu plano de extermínio!” Através de suas preces, Moshê salvou o povo da destruição iminente, mas ele desceu dos Céus sem ainda ter obtido perdão. Somente mais tarde, depois da destruição do bezerro, punição dos pecadores e mais outros quarenta dias de orações passados por Moshê no Céu, é que o Eterno perdoaria o povo. Moshê deixou o Céu em estado de terror, carregando em uma só mão as maravilhosas tábuas de safira que, apesar do seu tremendo peso, eram leves em sua mão, pois transportavam-se a si mesmas.
Moshê Quebra as Tábuas
Ao retornar ao pé da montanha, Moshê encontrou seu fiel discípulo Yehoshua acampado lá. Yehoshua lá esperara por ele durante quarenta dias. Hashem fez um milagre especial pelo tsadik Yehoshua e todas as manhãs caía maná do céu no lugar onde ele aguardava. Juntos, aproximaram-se do acampamento e ouviram os ruídos tumultuados e barulhentos das celebrações à volta do bezerro. “Estes sons parecem o clamor de uma guerra”, observou Yehoshua. “Você está me desapontando, Yehoshua.”, respondeu-lhe Moshê. “Você não é capaz de distinguir entre um som e outro? Este não é grito de vitória, tampouco de derrota. Nós estamos ouvindo hinos de enaltecimento para um ídolo!” Ao entrar no acampamento, eles avistaram o bezerro de ouro, a celebração e as danças que o acompanhavam. “Não posso outorgar-lhes as tábuas”, pensou Moshê. “A Torá afirma que alguém que renega o Eterno não pode tomar parte na mitsvá da oferenda de Pêssach. Todo o povo afastou-se agora do Criador e renegaram-no. Certamente, não merecem receber as tábuas, que contém todas as mitsvot.” Ao olhar para as tábuas, Moshê notou que a escrita gravada nelas desaparecera. Percebeu que as letras – a alma e o conteúdo espiritual das tábuas – estavam voando pelo ar. A santidade das letras não podia entrar no acampamento. As tábuas que estavam nas mãos de Moshê eram meras pedras, pesadas, sem vida. Moshê levantou-as e, com sua força descomunal, espatifou-as de encontro ao chão. Por que Moshê agiu desta maneira? Ele temia que o julgamento do povo de Israel seria mais duro se eles possuíssem as tábuas. Se não as tivessem, sua punição seria mais branda. Pouco depois do casamento de um famoso estadista, começaram a circular rumores de que sua nova esposa não lhe era fiel. O casamenteiro imediatamente rasgou o contrato de casamento, pensando: “É melhor para ela que seja julgada como se ainda fosse solteira do que como uma senhora casada!” Similarmente, Moshê raciocinou que as tábuas, que estabeleciam permanentemente o elo entre o Eterno e o povo de Israel, os colocaria numa posição de mulher casada. Hashem condenaria sua falta de fidelidade muito mais se eles possuíssem as tábuas, do que se nunca as tivessem recebido. Por que Moshê não espatifou as tábuas assim que o Eterno lhe contou, lá no Céu, que os hebreus fizeram uma imagem? Moshê esperou até testemunhar o crime realmente, para ensinar que um juiz nunca deve basear o seu veredicto no relatório de uma só testemunha, seja esta tão fiel quanto possa ser. Hashem parabenizou o ato de Moshê, exclamando: “Yasher Côach! Você fez bem em quebrar as tábuas!” A quebra das tábuas foi um substituto para a quebra do povo de Israel.
Moshê Salva o Povo de Israel da Destruição
No dia 19 de Tamuz, Moshê subiu ao Céu mais uma vez, lá permanecendo por quarenta dias, até o dia 29 de Av, implorando perdão ao Eterno. Ele rezou: “Mestre do Universo, o Senhor mesmo levou-os ao pecado, já que os carregaste de ouro e prata durante o Êxodo do Egito. Um leão só dá uma patada se uma bandeja cheia de carne for colocada ao seu lado.” Moshê, então, apresentou seus argumentos a favor do povo com tanta intensidade que sentiu seu corpo todo ferver. Ele estava realmente doente de preocupação pelo pecado do bezerro de ouro. “Por que Tua ira deve arder contra o Teu povo que tiraste do Egito? Eles nunca tiveram a intenção de fazer do bezerro um ídolo; eles o fizeram com o intuito de criar um intermediário sobre o qual Tua presença pudesse pairar. Mesmo ao fazer o bezerro, eles não Te desprezaram; eles queriam me substituir. “Mais ainda, leve em consideração o fato de eles terem vivido entre os egípcios, que eram idólatras.” Um pai decidiu que chegara a hora do seu filho começar a ganhar a vida. Ele alugou uma loja em uma área nada respeitável e trouxe-lhe os produtos necessários para que este se transformasse num vendedor de perfumes e cosméticos. Ao indagar um pouco mais tarde sobre o bem-estar do seu filho, foi informado de que este se associara com as libertinas da vizinhança. A ira do pai não tinha limites. “Vou matá-lo por isso!”, exclamou. Mas um amigo da família rogou: “Como é que ele poderia ter se portado de outra maneira? Ele é jovem e inexperiente. De todas as possíveis profissões, você escolheu para ele a de um vendedor de perfumes e colocou-o num ambiente corrupto!” Similarmente, Moshê implorou: “Não fique irado – Tu os tiraste do Egito, uma terra onde todos adoravam cordeiros. Eles estavam simplesmente imitando os costumes do Egito! Estão acostumados aos ritos daquele país e ainda não se habituaram aos Teus caminhos! Espere um pouco, e eles com certeza farão atos que serão agradáveis perante Ti! “Se os destruir, os egípcios acreditarão que seus astrólogos predisseram a verdade ao afirmar que o povo de Israel pereceria no deserto. Deixe que a Tua cólera se extinga e revogue o decreto de sobre o Teu povo!” Moshê estava pronto a perder a própria vida pelo povo, fazendo um trato com Hashem: “Se não perdoá-los, apague meu nome do Teu livro.” Finalmente, Moshê fez uso da mais poderosa arma de defesa, o mérito dos patriarcas. Voltando-se em direção à caverna de Machpelá, exclamou perante os patriarcas: “Ajudem-me nesta hora, quando seus filhos estão prestes a serem abatidos como cordeiros!” Os patriarcas levantaram-se e posicionaram-se diante dele. Dirigindo-se ao Criador, Moshê orou: “Lembre-se de Avraham, Yitschac e Yaacov, Teus servos para os quais jurastes em Teu Sagrado Nome, ‘Eu multiplicarei sua semente como as estrelas do céu!’ Lembre as doze tribos sagradas, Teus servos, e salve o povo de Israel em seu mérito!” Ao cabo de 40 dias de incessante oração, Hashem finalmente concordou em perdoar o povo de Israel – não em seu próprio mérito, mas por conta dos seus antepassados. Disse-lhe o Eterno: “Levante-se e lidere o povo de Israel até a Terra Santa! Meu anjo, e não Minha presença, irá à frente de vocês. Decidi que, em vez de destruir o povo de Israel de uma vez, removerei os efeitos do seu pecado gradualmente através das gerações. Sempre que cair uma punição sobre o povo hebreu por conta de seus pecados, incluirei nela um pouco da punição pelo pecado do bezerro de ouro. Após Moshê ter orado durante 40 dias, o Eterno concordou em não castigar o povo de Israel. Disse-lhe: “Ao invés de castigá-los, agregarei uma pequena parte do castigo pelo pecado do bezerro de ouro a cada castigo que impuser aos hebreus no futuro.” Moshê, então, retornou ao seu povo. Apesar de ter evocado a Piedade Divina, salvando assim o povo da destruição, Moshê ainda não obteve perdão pelo pecado.
Por que o Povo Cometeu o Pecado do Bezerro de Ouro?
Em 16 de Tamuz de 2448 (1313 a.e.c) A grandeza da Geração do Deserto não pode ser subestimada. O Eterno a escolheu dentre todas as outras para receber a Sua Torá, sabendo que eles eram justos. Eram fortes em espírito e controlados em sua má inclinação quando viviam na escravidão do Egito. Se é assim, por que é que eles tropeçaram no pecado do bezerro de ouro? Por que Hashem não os protegeu do pecado no deserto, como Ele usualmente procede com os justos? Hashem permitiu que o pecado do bezerro acontecesse para servir como sinal de esperança e encorajamento para os judeus no futuro. O incidente do bezerro de ouro provaria que, não importa o quão distante uma comunidade se desvie do caminho da Torá, nunca estará longe demais para fazer teshuvá. Se, depois de um pecado tão grave como este, o povo de Israel foi aceito novamente pelo Eterno, nenhuma comunidade poderá afirmar que caiu baixo demais para fazer Teshuvá. É preciso também ter em mente que o grau de dificuldade de um teste é proporcional à grandeza da pessoa (ou da geração). Quanto maior for o nível espiritual, mais severa será a provação: o povo de Israel foi submetido a um grande teste no deserto. Era exigido que abandonassem o raciocínio humano e que se ativassem à palavra dos 10 Mandamentos. (Eles foram testados para ver se colocariam sua fé absoluta nas palavras de Moshê. Este prometera que retornaria, portanto era esperado deles que acreditassem, apesar das suas razões lógicas para assumir que Moshê não voltaria, tendo portanto uma justificativa visível para procurar um substituto.) A subsequente condenação do pecado da geração pelo Eterno era relativa às suas grandes capacidades. Os Céus culparam toda a comunidade por não ter protestado. Na verdade, somente os egípcios (três mil pessoas, ou cinco por cento da população) serviu ativamente ao bezerro de ouro.
Depois do Pecado do Bezerro, Moshê Remove sua Tenda para Fora do Acampamento
Depois do pecado do bezerro, ao ouvir que a Presença Divina não permaneceria mais no meio do povo para guiá-los, Moshê raciocinou: “O discípulo deve seguir o exemplo do seu mestre. Hashem está aborrecido com o povo de Israel, retirou-se do meio deles. Portanto, devo fazer o mesmo.” Ao deixar o acampamento, a presença Divina o seguiu e pairou sobre a sua tenda. Todo aquele que solicitasse o Direito deveria ir até a tenda de Moshê. Sempre que Moshê saía de sua tenda, o povo se levantava em respeito a ele, exclamando, admirados: “Vejam este grande homem que tem a garantia de que, aonde quer que ele vá, a Shechiná o seguirá!” Sempre que o povo de Israel via a nuvem da Shechiná descendo sobre a tenda de Moshê, ajoelhava-se perante ela. Depois que Hashem terminava de passar as instruções para Moshê, este retornava ao acampamento para transmiti-las aos anciãos. Pela maneira deferente com a qual todo o povo se prostrava perante a Shechiná, o Eterno testificou o quanto os hebreus almejavam o retorno da Sua Shechiná. Por isso, disse a Moshê: “Se tanto o mestre como o aluno demonstram sua cólera para com o povo de Israel, como eles sobreviverão? Retorne ao acampamento!” “Não retornarei”, redarguiu Moshê.. “Se é assim, seu discípulo Yehoshua irá substituí-lo!”, disse-lhe o Eterno. “Sabes que a minha decepção com eles foi pem Tua honra!”, replicou Moshê. Mesmo assim, ele retornou ao acampamento, porém tentou revogar o Decreto de que a Shechiná não mais guiaria o povo de Israel. “Não aceito Tua decisão de que um anjo nos guiará”, disse Moshê ao Criador. “Se for assim, prefiro não sair mais daqui! Não prometeste guiar-nos pessoalmente, apesar de saber do futuro pecado do bezerro? Como então podes dizer agora que mandarás um mensageiro à nossa frente? Se nos tratas desta maneira, não mais seremos distintos de todas as outras nações. Eles são guiados por um anjo da guarda; agora Tu pretendes que nós também sejamos guiados por um anjo? Como posso aceitar esta mudança de liderança?” Hashem concordou com o pedido de Moshê, demonstrando que um justo possui a grandeza de anular um Decreto. O Eterno postergou Seu decreto de mandar um anjo à frente do povo de Israel até a época do sucessor de Moshê, Yehoshua.
Moshê Pede para Entender os Caminhos Divinos
Quando Hashem aceitou a oração de Moshê, este percebeu que aquele era um momento de benevolência Celestial. Por isso, aproveitou a oportunidade para apresentar um pedido adicional: “Por favor, mostre-me o plano segundo o qual Tu manipulas os acontecimentos do mundo. Mostre-me a futura recompensa que já está reservada para os justos!” “Saiba”, disse Hashem, “que nenhum olho humano, nem mesmo o do maior profeta, pode contemplar a última recompensa do mundo vindouro. Eu, porém, lhe demonstrarei uma fraca reflexão dos prazeres espirituais do Paraíso. Enquanto Minha Glória passar, cobrir-te-ei com minha nuvem. Você verá uma fração da Minha Glória, porém não poderá vê-la inteiramente enquanto você estiver vivo.” Moshê teve uma visão dos diferentes tesouros reservados aos justos. Eles passaram perante seus olhos. Finalmente, o Eterno lhe mostrou um enorme tesouro. “De quem é este?”, perguntou Moshê. “Este é o tesouro daqueles que não têm méritos, mas que lhes outorgo Minha graça, já que sou Piedoso.” Aquele tesouro era imenso, pois a maioria das pessoas não são merecedoras da recompensa que o Eterno lhes outorga. Moshê aprende de Hashem as 13 qualidades da misericórdia Moshê disse ao Eterno: “Ensina-me a orar pelo povo de Israel depois que pecam. Os hebreus quase foram destruídos depois que fizeram o bezerro de ouro. Quero saber qual é a melhor forma de despertar Tua misericórdia no futuro.” Hashem respondeu-lhe: “Ensinarei a ti Minhas qualidades de misericórdia. Ensina-as aos hebreus e diga-lhes: ‘Quando invocarem Minhas treze qualidades de misericórdia hei de perdoar vossos pecados e serei misericordioso convosco.'” Eis aqui o que o Eterno ensinou Moshê a orar: “Ado-nai, Ado-nai E-l Rachum [ve]Chanun Êrech apáyim [ve]Rav chêssed [ve]Emet, Notser chêssed laalafim, Nossê avon [va]Fêsha [ve]Chataá [ve]Nakê” Estas palavras significam: 1. Ado-nai – Sou misericordioso com as pessoas antes que pequem (mesmo que saiba que logo pecarão). 2. Ado-nai – Sou igualmente misericordioso com as pessoas depois de pecarem, se fizerem teshuvá (arrependimento). 3. E-L – Julgo a cada pessoa autenticamente. 4. Rachum – Sou misericordioso com os pobres e oprimidos e os salvo de seus opressores. 5. Chanun – Sou generoso mesmo com aqueles que não o merecem. 6. Êrech Apáyim – Demoro a castigar, mesmo a um malvado. Sou lento a castigá-lo pois lhe dou tempo para fazer teshuvá. 7. Rav Chêssed – Minha qualidade de bondade é tão grande, que posso salvar uma pessoa do castigo mesmo que seus pecados sejam mais numerosos que seus méritos. 8. Emet – Pago a recompensa que prometi àqueles que merecem. 9. Notser Chêssed Laalafim – Se uma pessoa cumpre uma mitsvá recompenso seus filhos até duas mil gerações posteriores. 10. Nossê Avon – Perdoo até uma pessoa que pecou porque seu instinto mau o persuadiu a fazer o mal, se faz teshuvá. 11. Fêsha – Perdoo até uma pessoa que pecou com a intenção de causar-me aborrecimento, se fizer teshuvá. 12. Chataá – E perdoo o pecado cometido intencionalmente. 13. Nakê – Se um pecador faz teshuvá, suspendo seu castigo e voltarei a ser bondoso com ele. Além de ensinar a Moshê treze qualidades de misericórdia, o Eterno lhe ordenou que repetisse ao povo de Israel a advertência de não forjar imagens. Não queria que voltassem a pecar como o haviam feito com o bezerro de ouro. Hashem também ensinou a Moshê mais leis sobre as festividades: Pêssach, Shavuot e Sucot. E introduziu Rosh Hashaná e Yom Kipur, momentos de julgamento e perdão. Advertiu Moshê: “O povo hebreu guardará somente as festividades da Torá e não estabelecerá suas próprias festividades como o fez quando pecou com o bezerro de ouro.”
Moshê Permanece no Céu para Receber as Segundas Tábuas
O Eterno ordenou a Moshê que esculpisse um segundo par de tábuas: “Já que você quebrou as primeiras tábuas, é seu dever de esculpir as novas.” Hashem lhe revelou uma jazida de safira dentro da terra abaixo de sua tenda. Moshê usou aquela safira para esculpir as novas tábuas. O Eterno presenteou Moshê com o material restante. Moshê ficou muito rico. Ele não coletara nenhum dos despojos do Egito na hora do Êxodo; em vez disso, estava ocupado localizando o caixão de Yossef e preparando-o para a jornada no deserto. Por isso, agora foi recompensado com riquezas. Moshê se tornou um homem muito rico. Mas ele não considerava as riquezas importantes. Sabia que o dinheiro acompanha a pessoa apenas enquanto vive (e às vezes, até o perde antes). Porém, há uma forma de riqueza que permanece junto a uma pessoa para sempre: seu conhecimento da Torá. Esta é a verdadeira riqueza que Moshê valorizava. O Eterno ordenou a Moshê que subisse ao cume do monte Sinai cedo pela manhã, sozinho, dizendo: “As primeiras tábuas foram dadas ostensivamente, em meio a uma demonstração pública. Por isso foram quebradas. Estas segundas tábuas devem ser dadas de forma discreta e sem alarde.” Moshê subiu ao monte Sinai no primeiro dia de Elul e permaneceu no campo Celestial por quarenta dias. Esta foi a sua terceira estadia no Céu (perfazendo um total de cento e vinte dias). Durante estes quarenta dias no Céu, o Eterno ditou para ele toda a Torá e lhe ensinou sua explicação oral. No dia 10 de Tishrei, Hashem perdoou o povo de Israel pelo pecado do bezerro, dando a Moshê as segundas tábuas nas quais Ele escrevera tudo novamente. Hashem designou este dia como um dia de perdão para todas as futuras gerações: o chamado Yom Kipur. O Rosto de Moshê Resplandece Quando Moshê regressou do Monte Sinai em Yom Kipur com as segundas tábuas, os hebreus se afastaram dele, temerosos. Pois seu rosto brilhava com um resplendor tão forte como se emitisse raios de sol. As pessoas não se atreviam a aproximar-se. “Talvez Moshê agora se tornou um anjo”, exclamaram. Seu receio era por conta do pecado do bezerro; antes do seu pecado, eles eram capazes de visualizar o fogo de glória no Monte Sinai sem medo. Tendo pecado, no entanto, eles tremiam mesmo diante dos raios que brilhavam na face de Moshê. Moshê chamou os anciãos, e lhes disse: “O Eterno perdoou-vos pelo pecado do bezerro de ouro e deu-vos novas tábuas. Os anciãos perguntaram a Moshê por que seu rosto brilhava, e descobriram que Moshê nada sabia sobre isso. Nem sequer percebera que lhe havia acontecido algo de especial. Quando o povo viu os anciãos falarem com Moshê, finalmente se atreveram a chegar perto. Por que o Eterno fez o rosto de Moshê resplandecer? Hashem queria mostrar ao povo como Moshê era especial. Haviam pecado terrivelmente ao buscar um novo guia quando Moshê demorou a descer do Monte Sinai. O povo deveria ter permanecido fiel a Moshê, pois era um homem tão nobre que os raios da Shechiná resplandeciam sobre seu rosto. Moshê viu-se forçado a cobrir sua face fulgurante com um véu, somente descobrindo-a ao falar com o Eterno ou ao ensinar as palavras da Torá para o povo de Israel. Quando o povo de Israel dedicava-se ao estudo da Torá, eram imbuído de força para suportar a visão dos raios de glória. Esta é uma demonstração da grandeza à qual o estudo da Torá é capaz de elevar um ser humano.
O QUE É SHABAT PARÁ?
Neste Shabat, além da Porção Semanal Ki Tissá (Ex 30-34), lemos a Parashá Pará (Nm. 19, que fala sobre o ritual da Vaca Vermelha). O Zôhar responde que ao lermos na Torá sobre a cerimônia da VACA VERMELHA (heb. PARÁ ADUMÁ), “TODOS os juízos que vêm do lado da impureza, que se agitam e trazem perseguição aos judeus no mundo inteiro, são debilitados e afastados, como um boi que perde sua força, pois a humanidade é purificada.” BH!😇 (Zôhar Traduzido, Chucát, p. 1833) Essa porção da Torá é lida antes do Shabat Hachôdesh que anuncia a chegado do mês de Nissan, quando ocorre o Pêssach (páscoa judaica), pois na época do templo, só podiam participar da festa quem estava purificado pelas águas que tinham as cinzas dessa vaca vermelha. O Zôhar (p. 1602) ainda declara: “Rabi Elazar disse uma vez a seu pai, Rabi Shimon Bar Yochái: foi-nos ensinado que o Eterno um dia purificará a Israel; mas será com o quê? Então respondeu com o mencionado no versículo: “Eu aspergirei água purificadora sobre vós e vos tornarei puros” (Ez. 36:25). E quando são purificados tornam-se santificados e passam a ser chamados de santos, como está escrito: “Santo é Israel para o Eterno” (Jr. 2:3). Felizes são os Filhos de Israel, de quem o Eterno tem dito:”Sereis santos porque Eu o Eterno sou Santo” (Lv. 19:2), e também está escrito: “E ao Eterno te unirás” (Dt. 10:20).” Amén!✡ SHABAT (PARÁ) SHALOM LEKULAM!
