Midrash da Parashá: Tetsavê

A Parashá Tetsavê (Êxodo 27:20–30:10) continua as instruções divinas sobre o Mishkan, focando agora no serviço sagrado: o azeite puro para a Menorá, as vestes gloriosas dos Cohanim, a consagração de Aharon e seus filhos, o Altar de Incenso e rituais diários que trazem a Shechiná para habitar entre Israel. Esta porção é única na Torá por omitir completamente o nome de Moshê – uma lição profunda sobre o poder das palavras, o valor da pureza intelectual e espiritual, e a elevação do sacerdócio como canal de luz e expiação para o povo. Os midrashim e ensinamentos aqui exploram como cada detalhe – da luz eterna da Menorá às sinetas do manto do Cohen Gadol – simboliza lições eternas de santidade, humildade, recato, mérito ancestral e a alegria do Shabat Zachor que antecede Purim. Tudo nos convida a construir um “Mishkan interior” de pureza e serviço ao Eterno.

O Nome de Moshê

O nome de Moshê não é mencionado uma vez sequer na Parshat Tetsavê. Na verdade, desde o nascimento de Moshê até o final da Torá, esta é a única parashá na qual o nome de Moshê não consta. Esta omissão resultou do que Moshê proferiu sobre si mesmo. Após o pecado do bezerro de ouro, ele disse ao Eterno: “Se não perdoares o povo deste pecado, imploro-Te, apaga-me do Teu livro que Tu escreveste!” Apesar de Hashem ter perdoado os israelitas, a punição que Moshê invocou sobre si foi parcialmente realizada. O Eterno apagou o nome de Moshê da parashá de Tetsavê. As palavras de um justo realizam-se mesmo se a condição vinculada a ela não tiverem efeito.

Este é apenas um exemplo de quão extensos os efeitos da palavra falada podem ter. Todas as obras de ética judaica enfatizam o grande cuidado que se deve tomar ao falar.

A fala é uma arma poderosa, que pode infligir feridas mortais a grandes distâncias. Assim como palavras ásperas podem ferir quando dirigidas contra outra pessoa; também podem ser auto destrutivas. O Talmud adverte que uma pessoa não deve falar mal até mesmo de si próprio. Se alguém rebaixa a si mesmo, outros também poderão rebaixá-lo.

A omissão do nome de Moshê nesta porção da Torá é, portanto, de importante significado. Se uma maldição condicional, que faz parte de uma apelação passional por perdão ao povo de Israel, pode ter consequências desfavoráveis, quão mais não o é quando as palavras são proferidas com raiva e hostilidade, seja contra si, seja contra os outros.

A Mitsvá de doar Azeite para a Menorá

Logo após as várias instruções referentes à construção do Tabernáculo e seus utensílios sagrados, o Eterno deu uma nova mitsvá: ordenou que óleo de oliva fosse doado para a menorá (candelabro).

Moshê disse ao povo: “Se algum de vós possui azeite de oliva apropriado para acender a menorá no Tabernáculo, doem-mo.”

Explicou: “Somente as primeiras gotas de azeite extraídas da azeitona podem ser utilizadas para a menorá. As primeiras gotas são perfeitamente claras e sem sedimentos, portanto produzem uma luz mais brilhante. O resto do azeite de oliva pode ser utilizado nas oferendas de farinha que são levadas ao altar; mas não para a menorá.”

O que Aprende-se sobre as Primeiras Gotas de Óleo?

Aprendemos uma grande lição do fato de que se utilizava apenas as primeiras gotas de óleo para o acendimento da menorá, enquanto que, para oferendas, o óleo da segunda prensagem também era permitido.

Um judeu observante da Torá, em geral, procura garantir que o alimento que sua família consome seja casher. Mas este mesmo indivíduo, está bem menos preocupado com o “alimento para o intelecto” que entra em sua casa sob a forma de literatura ou mídia.

De acordo com o ponto de vista da Torá, o “óleo para a menorá”, que representa o intelecto, deve ser o mais puro possível. O azeite para a menorá é superior ao óleo da oferenda (simbolizando nutrição). A Torá insiste que nossas mentes devem ser nutridas apenas com informações que sejam as mais puras e refinadas.

Porque o Óleo de Oliva foi Escolhido por Hashem?

A resposta é que o povo de Yisrael é comparados à oliva:

  • A oliva emana seu precioso líquido apenas depois de ter sido processada através de prensagem e batidas. Similarmente, como resultado de terem sido banidos de um lugar para outro pelos outros povos e terem sido perseguidos, os judeus purificaram seus corações e fizeram Teshuvá.

A essência interior de um judeu é pura. É só sua má inclinação que o impede de servir ao Eterno. Uma vez que a camada exterior é removida por pressão externa, sua natureza de santidade se reafirma.

  • Todos os líquidos, quando misturados, mesclam-se numa mistura homogênea. O óleo é uma exceção; não se mistura, mantendo-se separado. Assim também, o povo de Israel é a única nação na história que não foi engolida pelos povos mas, guardou, e continuará guardando para sempre, sua identidade distinta.

Como a Menorá era Preparada para o Acendimento?

Geralmente um cohen acendia a menorá. Somente um cohen podia limpá-la e prepará-la. Aharon amava tanto esta mitsvá que ele a fez todas as manhãs de sua vida no mishcan!

Todas as manhãs um cohen entrava na seção côdesh do Tabernáculo ou do Templo Sagrado e subia as escadas que conduziam à menorá. Tirava as cinzas de todas as lâmpadas, tirava os pavios queimados, colocando novos. Então, derramava azeite de oliva em cada lâmpada de um cântaro que continha meio log (aproximadamente 350 ml) de azeite de oliva casher. Fazia isto todas as manhãs, mas não acendia a menorá até a tarde.

A quantidade de óleo necessária para que ardessem até a manhã seguinte era calculada de acordo com a quantidade necessária para durar durante as longas noites de inverno. Contudo, a mesma quantidade era utilizada toda noite, até nas curtas noites de verão e, como resultado, sobrava algum óleo nas manhãs de verão.

O Milagre da Lâmpada Central

Todas as manhãs, o cohen que entrava para limpar a menorá presenciava um milagre. As sete luzes da menorá deveriam ter-se extinguido, pois o azeite que o cohen havia acendido na tarde anterior não podia durar mais que doze horas: até a manhã seguinte. Porém – incrivelmente, sempre encontrava a luz do meio das sete ainda acesa! Como era possível? Tratava-se claramente de um milagre, um sinal de Hashem para demonstrar a Yisrael que sua Shechiná repousava no Tabernáculo.

Este mesmo cohen não tocava na luz do meio, mas limpava as outras seis lâmpadas e colocava novos pavios. O cohen que entrava à tarde encontrava a luz do meio acesa! Usava então esta luz para acender as outras seis luzes. Somente depois de fazê-lo apagava a luz do meio, limpava as cinzas dessa lâmpada e voltava a acendê-la.

A luz do meio manteve-se acesa assim, constantemente, não apenas no Tabernáculo, mas também no Templo Sagrado.

Certa vez, a colheita de olivas para óleo foi escassa em Israel, e havia apenas uma pequena quantidade de óleo para acender a menorá. Os cohanim entristecidos, choraram. Porém, durante o período de escassez de óleo, o milagre que geralmente só ocorria com a lâmpada central aconteceu com a menorá inteira. Apesar da quantidade insuficiente de óleo, as lâmpadas da menorá ardiam brilhantes a durante todos aqueles dias de escassez.

A Importância da Menorá e o que ela Simboliza

A mitsvá de acender a menorá era tão grande que o Eterno proclamou: “A luz da menorá é mais preciosa para Mim que a luz do sol ou da lua!”

Hashem não ordenou que a menorá fosse acesa por Sua honra, pois Ele não precisa da luz dos mortais. Pelo contrário, é Ele Que ilumina o universo inteiro e a menorá acessa simboliza que Israel deve iluminar as nações com a Ética e a Sabedoria da Torat Hashem.

Certa vez, um homem com visão perfeita e seu amigo cego quiseram ir para casa juntos. O homem disse ao amigo: “Deixe-me apoiá-lo e guiá-lo de modo que chegue em casa com segurança.” Quando chegaram à casa, ocorreu ao homem que enxergava que o amigo cego certamente poderia estar deprimido com a idéia de seu desamparo. Por isso, pensou numa idéia para animá-lo. “Por favor, acenda a luz para mim,” solicitou ao amigo cego. Apesar de que realmente não precisava do serviço do outro, fez este pedido em consideração ao seu amigo cego.

Similarmente, o Eterno não necessita de nossa luz. Pediu-nos para acendermos a menorá para Ele a fim de nos conceder méritos.

Para demonstrar que o Eterno não necessita da luz dos seres humanos, as janelas do Templo Sagrado eram construídas de maneira bastante singular. Ao invés de serem largas por dentro e estreitas por fora (permitindo a entrada de luz), aquelas janelas eram construídas estreitas por dentro e largas em direção ao exterior. Demonstrando assim que, é do Templo Sagrado que partia luz em direção ao mundo.

A mesma idéia também era simbolizada pelo fato de que a menorá não ficava no Santo dos Santos, o “aposento particular” da Arca da Aliança. Em vez disso, o Eterno ordenou que fosse colocada na seção côdesh. Similarmente, a mesa ficava no côdesh, e não no Santo dos Santos, demonstrando que a Shechiná não necessita da comida dos mortais, mas sim, que há Provisão do Eterno para nossa alimentação diariamente.

Atualmente, estamos impossibilitados de doar óleo para a menorá do Templo Sagrado. Em seu lugar, é uma mitsvá iluminar sinagogas e casas de estudo, além de acendermos as velas de Shabat e Yom Tov.

O Eterno Ordena Consagrar os Cohanim com Vestes Sacerdotais

Hashem disse a Moshê: “Diga a seu irmão, Aharon: o Eterno te escolheu para que sejas o Sumo Sacerdote, responsável pelo Serviço no Tabernáculo. Teus filhos e seus descendentes serão cohanim (oficiais) que cumprirão Meu serviço.”

Também Hashem comunicou a Moshê: “O Sumo Sacerdote e os cohanim devem usar adornos especiais durante o serviço. Os adornos do Sumo Sacerdote serão extremamente belos, mais do que as vestes de qualquer rei. Serão vestes iguais às trajadas pelos Anjos Ministeriais no Céu. Quando os israelitas virem os cohanim com trajes de glória e esplendor compreenderão que são pessoas especiais e os tratarão com respeito. Estes adornos também recordarão aos próprios cohanim que são diferentes. Isto os ajudará a servir melhor no tabernáculo.”

(Glória advém à pessoa por causa das habilidades concedidas por Hashem, enquanto esplendor refere-se ao respeito que granjeou através de suas próprias realizações. As vestimentas significavam ambos: a glória devida aos cohanim como resultado de sua nomeação como servos do Eterno e o esplendor espiritual resultante de seus próprios esforços.)

O fato de que os cohanim só poderiam realizar o serviço trajando as vestimentas indicava a elevação espiritual de seus atos. Isto nos ensina que quando um judeu reza ou cumpre uma mitsvá deve ser cuidadoso no vestir e conduzir-se com dignidade e respeito perante o Eterno.

Mesmo as nações do mundo perceberam que estas vestes eram trajes de distinção.

O rei Achashverosh (Assuero, rei da Pérsia nis dias de Ester e Mordechai) fez um banquete que durou 180 dias, a fim de demonstrar sua grandeza e poder. A cada dia do banquete, revelava diferentes tesouros aos olhos do povo. Dentre outros itens valiosos, também mostrou as vestes e adornos do Sumo Sacerdote. O rei Nevuchadnêtsar (Nabucodonosor) levou-os à Babilônia quando destruiu o Templo Sagrado, e desde então, foram cuidadosamente preservados nos tesouros reais da Babilônia.

Todos os hebreus foram comandados a contribuir com material para as vestes sacerdotais. A tarefa de tecê-los poderia ser preenchida por qualquer homem ou mulher sábios, cujo coração estava pleno de temor aos Céus.

As Vestes dos Cohanim

O sacerdote comum tinha quatro vestes e o Sumo Sacerdote tinha oito adornos.

As vestes do cohen comum eram:

1 – Uma túnica comprida

2 – Calças

3 – Um cinturão

4 – Um turbante

O Sumo Sacerdote também usava estes trajes, mas seu turbante era arranjado de forma diferente. Enquanto o turbante do cohen comum apontava para cima, o turbante do Sumo Sacerdote era redondo.

Os adornos do Sumo Sacerdote:

1 – Uma túnica comprida

2 – Calças

3 – Um cinturão

4 – Um turbante diferente do cohen comum

Além dos itens acima, o Sumo Sacerdote trajava quatro vestes de ouro. Eram elas:

5 – O peitoral do juízo

6 – Um manto

7 – Um avental

8 – Uma placa dourada na cabeça

A única parte do corpo de todo cohen que permanecia descoberta eram os pés.

A Torá ordena que o cohen cumpra o seu serviço descalço, posto que o piso de terra do Tabernáculo e as pedras do piso do Templo Sagrado eram sagradas e Hashem desejava que os pés dos cohanim tocassem o solo.

Mais Detalhes a Respeito das Vestimentas Sacerdotais

SACERDOTE COMUM

A Longa Túnica

A longa túnica era feita de linho branco e chegava até as plantas dos pés.

O Cinturão

O cohen usava o cinturão por cima da túnica. O cinturão era muito longo – cerca de 19 metros – e dava muitas voltas ao redor da cintura do cohen. Era feito de tela colorida.

As Calças

As calças eram curtas e feitas de linho branco.

O Turbante

Ao redor da cabeça do cohen colocava-se uma faixa de linho branco que dava muitas voltas até formar um turbante que terminava em ponta.

SUMO SACERDOTE

O Sumo Sacerdote, como o cohen comum, usava uma longa túnica, um cinturão e calças.

Vestes adicionais:

O Turbante

O turbante do Sumo Sacerdote também era feito de uma faixa de tela branca e enrolado ao redor da cabeça, mas era chato na parte superior.

O Manto

O manto era feito de lã azul celeste. Da parte inferior pendiam sinos de ouro. Entre cada dois dos sinos havia adornos de lã, de aspecto semelhante a romãs. Quando o Sumo Sacerdote caminhava, os sinos tilintavam. Os sinos soavam para anunciar a chegada do Sumo Sacerdote no Tabernáculo, e sua saída deste.

Por que o Manto Tinha Sinos?

O Eterno tinha várias razões para ordenar que se colocassem sinos ao redor do manto.

Os sinos serviam de lembrança ao próprio Sumo Sacerdote. Quando escutava o tilintar, compreendia quão importante era a sua função e dava o melhor de si para cumprir todas as partes do seu trabalho cuidadosamente, com os pensamentos adequados.

Os sinos também ajudavam o povo de Israel. Quando escutavam o tilintar, sabiam que o Sumo Sacerdote estava fazendo o serviço ao Eterno e participavam orando neste momento.

Aprendemos do fato de que a entrada do Sumo Sacerdote era anunciada, que a pessoa não deve entrar em sua própria casa inesperadamente. Infere-se, então, que logicamente não se deve irromper na casa de terceiros, mas sim, bater, tocar a campainha ou indicar sua chegada de alguma outra maneira.

A Placa Dourada Usada na Testa

Antigamente todos os israelitas usavam tefilin o dia inteiro. Além de usar tefilin, o Sumo Sacerdote também usava o tsits na sua fronte. O tsits era uma placa de ouro na qual estavam gravadas em relevo as palavras: “Separado para o Eterno”. Era atada à cabeça através de três fios azuis-celeste.

Uma vez que a placa dourada possuía alto grau de pureza, o Sumo Sacerdote tinha de comportar-se com o devido respeito ao portá-lo. Não lhe era permitido desviar a atenção do fato de que estava levando o Nome Sagrado em sua testa.

O comportamento do Sumo Sacerdote enquanto portava a placa dourada constitui uma importante lição para nós, enquanto colocamos tefilin. Ao usar a placa dourada, o cohen gadol tinha de concentrar-se constantemente no Santo Nome do Eterno. Alguém que está com tefilin, no qual o Nome Sagraso aparece numerosas vezes, certamente não pode desviar os pensamentos deste.

A placa dourada era tão purificadora que fazia todo o hebreu que a olhasse sentir-se envergonhado de suas falhas. Então, quando o Sumo Sacerdote usava a placa dourada, isto era um mérito para o povo de Yisrael. O Eterno perdoava seus pecados, pois a placa dourada os ajudava a se aprimorarem.

O Avental

O efod (avental) era multicorido, magnificamente tecido, e tinha aspecto parecido a de um avental. Em lugar de cobrir a frente e ser amarrado atrás, o Sumo Sacerdote o prendia por trás e o amarrava na frente.

Na parte posterior era seguro por meio de duas alças que passavam por cima dos ombros até a frente. Em cada alça havia uma pedra preciosa incrustada, sobre a qual estavam gravados os nomes de seis tribos. Os nomes das outras seis tribos apareciam sobre a outra pedra preciosa.

Na frente, as duas alças sobre os ombros estavam presas a duas fivelas de ouro, das quais pendia o peitoral do juízo.

O Peitoral do Juízo

O peitoral do juízo era feito de um material belamente tecido. Era quadrado, e se dobrava ao meio, de tal modo que formava um bolso.

Neste bolso, encontrava-se um pergaminho, conhecido com urim vetumim no qual estava escrito o Inefável Nome do Eterno.

Como o urim vetumim era um item provocador de milagres, o peitoral do juízo era o mais importante de todos os adornos (assim como a arca era o mais importante de todos os objetos do Tabernáculo e Templo Sagrado).

As Pedras Preciosas do Peitoral do Juízo

O Eterno ordenou que se pusessem doze pedras preciosas engastadas sobre o material tecido do peitoral. Sobre cada pedra estava escrito o nome de uma das doze tribos.

Além desses nomes as pedras possuíam também as seguintes palavras na placa peitoral: “Avraham, Yitschak, Yaakov, Shivtê Yeshurun.” Estas palavras adicionais estavam distribuídas sobre todas as gemas, de tal maneira que cada pedra tinha o total de seis letras.

Assim, todas as letras do Alef-bet estavam incluídas no peitoral do juízo. Porque o peitoral deveria conter todas as letras possíveis?

Quando o povo de Israel precisava consultar Hashem sobre assuntos importantes, essas letras se iluminavam, formando códigos a serem decifrados pelo Cohen Gadol, a fim de transmitir a Resposta do Eterno.

O peitoral portava os nomes de nossos patriarcas e das tribos, para servir como lembrete do mérito de nossos grandes antepassados e o das tribos. As quatro colunas aludem ao mérito de nossas quatro matriarcas. Esses méritos auxiliavam o Sumo Sacerdote a obter expiação para o povo de Yisrael.

Enquanto o Sumo Sacerdote usava o peitoral, não podia em nenhum momento esquecer o povo de Israel. Tinha-o presente (simbolizado pelos nomes das tribos) enquanto cumpria o serviço Divino. Ao rezar, pedia a Hashem que os ajudasse Israel com força e abençoasse Seu Povo com paz.

Como as Pedras Foram Cortadas?

As duas pedras preciosas das alças do avental e as doze pedras preciosas do peitoral do juízo deviam ser cortadas de um certo tamanho. Porém o Eterno proibiu que se usasse uma faca ou qualquer outro instrumento de metal para cortar essas pedras. As pedras incrustadas deveriam ser perfeitas, sem que faltasse a menor lasquinha sequer. Portanto, as letras sobre as gemas não poderiam ser gravadas através de instrumentos ou ferramentas, pois isto faria com que as gemas ficassem ligeiramente lascadas.

Moshê sabia que o Eterno havia criado na véspera do primeiro Shabat dos seis dias da Criação um inseto, pequeno como um grão de cevada, que possuía a maravilhosa habilidade de cortar qualquer material, inclusive a mais dura rocha, simplesmente passando por cima. Este inseto surpreendente se chamava shamir.

Moshê ordenou que os anjos trouxessem o shamir. Os nomes das tribos foram escritas à tinta sobre as gemas. O shamir foi passado pelas pedras preciosas, e estas se cortaram exatamente sobre a linha marcada pelo artesão.

Quando o Templo Sagrado foi destruído, o shamir desapareceu.

Urim Vetumim, o Pergaminho Contendo o Nome YHWH Embutido no Peitoral do Juízo

Como mencionamos anteriormente, o peitoral foi feito de tal modo que era dobrada ao meio, formando um bolso. Neste bolso Moshê inseriu um pergaminho sobre o qual escreveu o Nome Indizível do YHWH expandido em 72 letras.

Este nome fazia com que certas letras gravadas sobre as pedras preciosas se acendessem em resposta às questões que lhe eram perguntadas.

Significado de urim vetumim:

  • Urim – as letras se acendiam (da raiz ‘or’, luz);
  • Tumim – sua resposta era final e inalterável (derivado de ‘tam’, perfeito).

Por isso, o peitoral além de ser chamada simplesmente de chôshen era também conhecida como ‘Chôshen Mishpat’ (mishpat – juízo), uma vez que a decisão final sobre cada assunto duvidoso era alcançada através da iluminação das pedras.

Apenas assuntos referentes ao rei, ao tribunal ou ao povo de Yisrael como um povo poderiam ser consultados através das pedras. Não era permitido questioná-las para propósitos particulares.

O questionador costumava ir ao Sumo Sacerdote, que portava os urim vetumim. O Sumo Sacerdote voltava sua face em direção a arca (sobre a qual a Shechiná pairava), e o inquiridor, de pé atrás dele, tinha de perguntar a questão em voz baixa, no tom de quem está rezando. O Sumo Sacerdote era então inspirado pelo Rúach Hakôdesh. Ao olhar para as letras da placa que se acendiam, podia combiná-las corretamente e decifrar a Resposta Divina.

Os urim vetumim foram consultados pelo povo de Israel durante o período bíblico. Desapareceram com a destruição do primeiro Templo Sagrado.

Aharon recebeu o privilégio de portar o nome Divino sobre seu coração como recompensa por sua felicidade, ao ouvir que seu irmão menor Moshê fora escolhido como líder para redimir o povo de Yisrael. O Eterno disse: “Que o coração que não sentiu inveja porte o peitoral do juízo contendo o Meu Nome!”

O Convertido que Queria Tornar-se um Cohen Gadol

Certa vez, um gentio passou por uma sinagoga e ouviu a voz do rabino ensinando as crianças: “Estas são as vestes que deveis fazer: o peitoral, o avental…” O mestre lia a parashá que versava sobre os adornos do Sumo Sacerdote. O gentio parou e indagou: “Quem recebe todas essas roupas maravilhosas?” “O Sumo Sacerdote de Israel” – responderam. O gentio pensou: “Converter-me-ei para receber estas roupas gloriosas!”

Dirigiu-se à casa de estudos do Sábio Shamai. “Aceite-me como um convertido ao judaísmo, com a condição de que me torne Sumo Sacerdote!” Shamai expulsou-o com o bastão que estava em suas mão. (Agiu assim de boa-fé, a fim de proteger a honra da Torá. Considerou o pedido uma afronta à Torá.)

O pretenso à conversão então tomou o rumo da casa de estudos do Sábio Hilel, e repetiu seu desejo de converter-se ao judaísmo a fim de se tornar Sumo Sacerdote. Hilel aceitou-o. Contudo, advertiu-o: “Antes de assumir uma posição elevada, uma pessoa deve familiarizar-se com as regras de conduta a essa pertinente. Vá estudar as leis referentes ao sacerdócio!”

O homem estudou Torá, e logo chegou ao versículo: “O não-cohen que se aproxima disso (do serviço sacerdotal) morrerá.” “A quem este versículo se refere?” – inquiriu. Disseram-lhe: “A qualquer um que não nasceu da família de Aharon, mesmo o próprio Rei David!”

O convertido compreendeu o total significado dessas palavras. Raciocinou: “Se mesmo um israelita de nascimento não pode assumir as funções de um cohen, eu, um estrangeiro, certamente não poderia tornar-me um!” Voltou a Shamai e disse-lhe: “Por que não me disse que não poderia me tornar um Sumo Sacerdote, uma vez que a Torá proíbe um não-cohen de realizar o serviço?”

Para Hilel, disse: “Que possa se tornar o receptáculo de todas as bênçãos Celestiais. Sua humildade trouxe-me para sob as asas da Shechiná.”

Mais tarde, esse convertido teve dois filhos. Chamou um de Hilel, e o outro de Gamliel (o nome do neto de Hilel). Sua família ficou conhecida como “Guerei Hilel – os convertidos de Hilel.”

Leis Relacionadas às Vestes Sacerdotais

Os trajes dos cohanim eram exclusivos de uso sacerdotal, e portanto muitas leis se aplicavam a eles. Eis aqui algumas delas:

1 – Somente um cohen podia vesti-los. Um levita ou um israelita comum não podia nem experimentá-los.

2 – Um cohen somente podia usá-los se estivesse no Tabernáculo ou no Templo Sagrado. Caso saísse dali, deveria tirá-los e deixá-los no vestíbulo do Templo.

3 – Um cohen não podia dormir com estas vestes, pois seria uma falta de respeito.

4 – Um cohen deveria portar exatamente os adornos que a Torá lhe ordena. Se lhe faltar uma só das vestes estipuladas enquanto cumpre um ato de serviço, seu trabalho não é válido.

Uma família diferente foi designada para cada uma das muitas tarefas no Templo Sagrado. Por exemplo, a família de Garmo assava os pães da proposição, e a família de Avtinas era encarregada de fabricar incenso. A família de Pinechas estava encarregada das vestes dos cohanim.

A Família Pinechas costumava vestir os cohanim antes do serviço, despi-los ao final do serviço e supervisionar o armazenamento das roupas em câmaras especiais.

Como as Vestes dos Cohanim Ajudavam o Povo de Israel?

Quando os cohanim colocavam os adornos sacerdotais, Hashem considerava um mérito para todo povo de Israel.

As vestes dos cohanim ajudavam os israelitas de duas maneiras:

1 – O Eterno perdoava determinados pecados cometidos pelos israelitas porque os cohanim vestiam estes trajes.

Por exemplo, o efod do Sumo Sacerdote, ajudava os judeus a serem perdoados por falar maledicência, lashon hará. (É óbvio que também deviam fazer teshuvá.)

As campainhas costuradas na parte inferior do manto também tinham uma função elevada. Quando Hashem escutava seu tilintar, perdoava os hebreus pelos sons pecaminosos que haviam emitido ao falar maledicência.

O resto dos adornos dos cohanim servia para expiar outros pecados do povo de Israel: a túnica expiava o assassinato e a capa perdoava a adoração de ídolos.

Como era benéfico para os israelitas que os cohanim cumprissem o Serviço no Templo. Que em tempo próximo possamos vê-los em ação novamente!

2 – Os trajes dos cohanim também ajudavam o povo de Israel a vencer as guerras. Eram semelhantes a uniformes que soldados usam. Quando os cohanim usavam seus uniformes sagrados no Templo, o Etetno recordava os soldados hebreus no campo de batalha e os fazia triunfar.

Portanto, os adornos dos cohanim, beneficiavam todo o povo de Israel.

Kimchit: A Mulher que foi Recompensada Tendo Todos seus Sete Filhos como Sumo Sacerdotes

Todos os sete filhos de uma senhora chamada Kimchit tornaram-se Sumo Sacerdotes. Os sábios ficaram maravilhados com a extraordinária honra que Hashem concedeu a esta mulher. Enviaram-lhe um mensageiro para indagar-lhe: “Quais são seus feitos, para que você fosse assim distinguida?” Ela replicou: “Sequer as paredes de minha casa jamais viram meus cabelos descobertos!” Durante toda sua vida não havia revelado seus cabelos a ninguém, nem mesmo às vigas do seu teto. Por isso, seus filhos tiveram o privilégio de adentrar, em Yom Kipur, o local mais oculto e reservado possível: o Santo dos Santos.

Os sábios, então, comentaram: “O versículo de Tehilim (Sl. 45:14) certamente aplica-se à Kimchit. ‘A dignidade da princesa encontra-se no interior, ela será adornada com quadrados dourados.'”

Eles interpretaram esse versículo como significando que uma mulher de grande recato é recompensada com filhos que vestem o peitoral do juízo com pedras engastadas em quadrados dourados.

Apesar de ser permitido pela lei a Kimchit descobrir os cabelos quando estava sozinha, evitou fazê-lo por reverência e recato à Presença do Todo Poderoso. Por isso, tornou-se mãe de filhos que, como Sumo Sacerdotes, mereceram uma intensa experiência da Shechiná.

Kimchit procurou manter sua grandeza encoberta, mas esta foi revelada para todas as gerações. Normalmente, quando o Talmud registra o nome de um homem, o faz mencionando o nome de seu pai. Porém, Shimon e Yehudá ben Kimchit são eternamente lembrados como filhos da sua virtuosa mãe.

Um sábio do século passado, o Chafets Chayim perguntou a Rabi Meir Karelits (irmão do Chazon Ish), e ele próprio um prodígio, como seus pais mereceram ter filhos de tão extraordinária estatura. Respondeu que fizeram a mesma pergunta a sua mãe. Ela explicou: “Há uma boa razão para isto. Quando lavo meus cabelos na véspera do Shabat, peço à duas mulheres que fiquem perto de mim e cubram-nos com lençóis, de modo que as paredes de minha casa não vejam meus cabelos descobertos.”

Os Cohanim se Preparam para Começar o seu Serviço Divino Sendo Consagrados por Sete Dias

O Eterno explicou a Moshê que, uma vez que o Tabernáculo estivesse armado, os cohanim começariam ali o serviço sagrado.

O Eterno disse: “Chame os cohanim com palavras encorajadoras para tornarem-se Meus trabalhadores. Diga-lhes: ‘Vocês são afortunados por terem sido escolhidos pelo Todo-Poderoso’.

“Antes que os cohanim estejam prontos para começar a trabalhar no Tabernáculo, devem santificar-se e preparar-se para seu trabalho. Eles se santificavam mediante as quatro ações seguintes:

1 – Devem estar presentes e observar todos os dias como tu, Moshê, ofereces três tipos de oferendas sobre o altar. Deste modo, aprenderão como ofertar os sacrifícios.

2 – Devem submergir-se em um micvê.

3 – Tu ungi-los-ás com o azeite especial.

4 – Devem vestir as vestes sacerdotais todos os dias.

“Cumprindo estas quatro ações durante sete dias, estarão prontos para começar a Me servir no Tabernáculo.”

O Altar de Incenso

O grande altar sobre o qual se ofereciam todos os sacrifícios animais se encontrava no pátio do Tabernáculo, a céu aberto (como foi relatado na parashá anterior, Terumá).

Agora Hashem ordenava a Moshê que construísse um segundo altar: “Este altar será feito de madeira, recoberto de ouro. Ponha-o na seção côdesh do Tabernáculo, próximo à menorá e à mesa. Duas vezes por dia, de manhã e à tarde, um cohen queimará incenso sobre este altar.”

Embora o altar do incenso estivesse recoberto somente por uma fina camada de ouro, a madeira que havia debaixo dela jamais se chamuscava por causa do fogo que havia sobre o altar. (Este é um dos milagres conhecidos do Tabernáculo. Demonstravam aos Bnei Israel que a presença do Eterno estava entre eles.)

Como este altar não estava destinado a oferecer sacrifícios animais, mas apenas a queimar incenso, foi chamado o altar de incenso. Também denominava-se altar de ouro, e altar interior.

Era proibido oferecer sacrifícios animais sobre o altar do incenso, exceto em Yom Kipur, quando o Sumo Sacerdote oferecia animais sobre ele.

Aharon foi ordenado a queimar incenso sobre este altar todas as manhãs e tardes. O Eterno disse: “O incenso é a mais querida de todas as oferendas. Todos os outros sacrifícios expiam transgressões, mas o incenso é ofertado apenas para trazer alegria e felicidade”.

Após o término da construção do Tabernáculo e todos seus objetos sagrados, depois que a mesa e a menorá foram fixados em suas posições e os sacrifícios trazidos, a Shechiná ainda não havia descido. Foi somente quando o incenso foi oferecido que a Presença Divina finalmente desceu para residir no Tabernáculo.

Por que a Ordem para a Construção do Altar de Incenso Encontra-se no Final Desta Parashá?

Poderíamos perguntar por que a Torá menciona este altar agora, ao final da Parshat Tetsavê. Já que o altar do incenso se colocava junto à mesa e à menorá na seção côdesh, por que a Torá não o menciona na parashá anterior, Terumá, junto com os demais objetos que havia na seção côdesh?

Uma das respostas é que o Eterno pôs o altar do incenso como o último dos objetos do Tabernáculo para demonstrar quão importante é. Mencionou-o fora do lugar esperado na Torá para que nós notemos como é especial.

Por que o altar do incenso é tão distinto?

As especiarias com que era feito o incenso que o cohen queimava sobre o altar desprendiam um aroma delicioso. Nossos Sábios nos contam que a fumaça do incenso subia direto ao céu e que era agradável ao Eterno. Era um sinal de amor e amizade entre Hashem e o povo de Israel. O aroma do incenso anulava quaisquer decretos celestiais. Como queimar incenso fortalece a aproximação entre o Eterno e o povo de Israel, podemos compreender a importância deste altar.

O SEGREDO DO SHABAT ZACHOR PARA NOSSA ALMA🙏🏻

O Sagrado Zôhar nos ensina que “no Shabat Zachor ativamos a Alegria de Purim que destrói qualquer Acusador contra nosso povo de Israel. Neste dia, vivemos com o Eterno nossa Sorte Espiritual (heb. Purim) de ter sido convidado ao Dia do Rei Santíssimo, enquanto fica reservado um juízo que em breve nossos inimigos espirituais viverão como carvões em brasas, pois seus líderes e todas as suas legiões fugirão diante de nós.”

“Em Purim, lemos que Haman “andou o dia inteiro alegre e de bom humor” (Ester 5:9), pois esse inimigo de Israel foi convidado para o banquete de Ester com o rei, e recebeu a sua Sorte Espiritual (heb. Purim) de vergonha, quando a rainha Ester o denunciou: “Porque fomos vendidos, Eu e o Meu povo, para que nos destruam?… Bem que o inimigo não poderá ressarcir o prejuízo que terá o Rei… Então Haman ficou aterrorizado diante da Presença do Rei e da Rainha…” (Vide Livro de Ester Capítulo 6).”

“Da mesma forma, quando o Eterno, o Rei Altíssimo se revela no dia de Shabat por meio de Sua Shechiná, a Lembrança (Zachor) & Guarda (Shamor) do Sétimo Dia, cria um Anjo de Defesa que pede diante do Rei pela honra do Shabat, da Torá e do povo de Israel, pois mesmo no exílio, o povo judeu clama como a rainha para que sua existência seja preservada e prevalecem aspectos radiantes e gozo perfeito no Shabat, de modo que Israel entra em completa liberdade existencial.”

“Durante o ano judaico, desde esse dia de Shabat Zachor, a liberdade existencial e a alegria reinam de forma revelada sobre nós israelitas e o Santíssimo passa a desejar se associar conosco, todos os outros dias de Shabat desde esta porção de Zachor, em vésperas da alegria de Purim”, B”H!😇

Fonte: Adaptação do Zôhar, Tetsavê, p. 1329

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