Midrash da Parashá: Yitrô

A Parashá Yitrô traz não apenas a chegada de Yitrô e o conselho sobre os juízes, mas sobretudo o momento mais elevado da história humana: a Outorga da Torá no Monte Sinai e a proclamação dos Dez Mandamentos diretamente pelo Eterno ao povo inteiro. Os midrashim e ensinamentos clássicos revelam camadas profundas de significado: a conversão sincera de Yitrô como exemplo de elevação espiritual, a humildade de Moshê ao aceitar conselho, a preparação do povo como noiva para o noivo, a oferta da Torá às nações antes de Israel, a prioridade dada às mulheres, a cura milagrosa dos enfermos, a argumentação de Moshê perante os anjos, o tremor cósmico do Sinai, o sustentar da montanha sobre o povo, as almas que saíam e retornavam ao corpo, e a essência eterna dos Dez Mandamentos como raiz de toda a Torá. Estes ensinamentos nos mostram que o Sinai não foi apenas um evento histórico, mas o instante em que a humanidade recebeu a ferramenta para corrigir o mundo e se conectar ao Criador.

Aqui está a versão corrigida do post, agora com todo o conteúdo dos midrashim que você forneceu mantido integralmente, sem qualquer resumo, corte, redução ou paráfrase. Apenas formatei o texto conforme o padrão dos posts anteriores de Midrash (títulos em negrito, espaçamento adequado, separação clara por seções temáticas, linguagem preservada exatamente como enviada).

A Chegada de Yitrô, Sogro de Moshê

Apesar de todas as nações terem ouvido o retumbante ribombar da abertura do Mar Vermelho e perguntado acerca de seu significado, e mesmo todas saberem da vitória do povo hebreu sobre Amalek, não deram ouvidos à mensagem.

Havia um único homem que escutou e captou o verdadeiro significado destes eventos transcendentais. Compreendendo que Hashem é Onipotente, concluiu que é seu dever moral servi-Lo. Os milagres que o Eterno havia feito pelo Povo de Israel o convenceram de que o Eterno é o verdadeiro Criador. Este homem era Yitrô, o sogro de Moshê.

Na Parshat Shemot, Moshê havia levado sua esposa Tsipora e seus dois filhos de volta a Midyan para casa de Yitrô. Lá estariam a salvo, e o Faraó não poderia lhes causar dano. Agora o exército do Faraó se havia afogado e Moshê estava no deserto com o povo hebreu.

Sem demora, Yitrô pegou sua filha Tsipora e seus dois netos, e dirigiu-se ao deserto, ao acampamento do povo hebreu. Sua intenção era converter-se e juntar-se ao povo hebreu no deserto, mesmo se isso significasse sacrificar sua honra e conforto no tocante a assuntos mundanos.

Quando chegou ao acampamento deles, não pôde entrar por causa das nuvens que o rodeavam como uma muralha. O que ele fez?

Escreveu uma carta a Moshê: “Sou Yitrô, seu sogro. Vim para o deserto. Venha saudar-me, se não por mim, então ao menos por tua esposa e teus dois filhos, que me acompanham e desejam juntar-se a ti.”

Yitrô amarrou a carta a uma flecha e atirou-a dentro do acampamento israelita. Apesar de geralmente as nuvens rechaçarem projéteis, aceitaram esta carta, em honra a Moshê.

Moshê leu a carta e perguntou a Hashem se devia ir ao encontro de Yitrô e aceitá-lo na Comunidade de Israel hebreu. O Eterno ordenou a Moshê: “Vá encontrar seu sogro, Moshê! Dê boas-vindas a Yitrô, que veio de tão longe para estar com você e deseja fazer parte da nação israelita. Eu sou Aquele que decide quando é apropriado aceitar um estrangeiro e Eu te digo que Yitrô veio aqui apenas em nome dos Céus. Ensine-lhe as leis da Torá. Se um gentio deseja juntar-se ao povo de Israel por amor à Torá e suas mitsvot, por um reconhecimento sincero de Hashem ser UM e um desejo de ser um verdadeiro israelita em todos os sentidos, é uma mitsvá ajudá-lo, dedicar-lhe amizade, aceitá-lo e tratá-lo como israelita em tudo.”

O tom do comando de Hashem revela que Moshê hesitava em receber seu sogro. O Eterno convenceu-o, pois Yitrô havia sido sacerdote de ídolos a vida inteira. Moshê não tinha meios de saber se Yitrô estava sendo sincero sobre juntar-se ao povo israelita, e se manteria o compromisso, sendo fiel. Apenas Hashem, que perscruta os pensamentos da pessoa poderia assegurar a Moshê que Yitrô permaneceria leal ao monoteísmo. Portanto, o Eterno ordenou a Moshê que honrasse Yitrô.

Moshê, Aharon e os setenta anciãos deixaram as Nuvens da Glória e foram dar as boas-vindas a Yitrô. Quem poderia ver este distinto cortejo e não se sentir compelido a segui-lo? A nação inteira juntou-se a Moshê, Aharon e aos anciãos. Yitrô, o primeiro estrangeiro sincero a juntar-se ao povo israelita no deserto, recebeu boas-vindas reais. Até a Shechiná apareceu em sua recepção.

Moshê inclinou-se para seu sogro e beijou-o.

Inferimos da maneira respeitosa como Moshê tratou seu sogro, que a pessoa deve honrar a seus sogros.

Tsipora, que ouvia tudo que seu marido contava a Yitrô, lamentou não ter estado entre as mulheres para juntar-se a Miriam em seu cântico depois do milagre da abertura do Mar Vermelho. Por isso o Eterno prometeu que anos depois, a alma dela entraria no corpo de Devora, a profetisa, que entoaria um cântico de louvor ao Eterno junto com todo povo de Israel após a vitória sobre os inimigos, na época dos Juizes.

Moshê conduziu Yitrô direto à casa de estudos, onde descreveu, entusiasmado, os detalhes do Êxodo, da abertura do Mar e a milagrosa guerra contra Amalek. Esperava, através disso, atrair seu sogro à senda da Torá.

Moshê narrou a Yitrô: “O Eterno nos deu o maná, Pão Celestial, que pode assumir o sabor de pão, carne ou peixe – contém todos os deliciosos sabores do mundo. Temos o Poço de Miriam, cujo líquido tem gosto de vinho antigo ou novo, leite ou mel; transforma-se em qualquer bebida gostosa que exista. Estamos a caminho da Terra de Canaan, que será do povo de Israel, e Hashem nos prometeu a maior das recompensas: além da Terra Santa, o Mundo Vindouro nos Dias de Mashiach com a ressurreição dos mortos!”

Ao ouvir a detalhada narrativa dos grandes milagres que o Eterno realizou, pôs imediatamente em prática a decisão de cumprir a Torá. Pegando uma faca afiada, fez circuncisão em si mesmo, e reconheceu Hashem como único Legislador e Soberano. Yitrô se regozijou de que o Eterno houvesse salvado os hebreus. Mas ao mesmo tempo, em seu coração Yitrô sentiu pena dos egípcios que se afogaram no mar.

“Baruch Hashem!” – proclamou Yitrô, “Que os redimiu do Egito, uma nação temível, e das mãos do Faraó, um rei cruel, e Que os libertou da escravidão do Egito! É verdadeiramente miraculoso que uma nação de 600 mil homens pudesse cruzar as fronteiras egípcias, que são tão hermeticamente seladas que nem um único escravo jamais foi capaz de escapar.

“Estudei todas as religiões do mundo, e rejeitei-as todas, por serem falsas; alcancei o entendimento de que Hashem é o verdadeiro Criador. Agora compreendo até com mais clareza que Hashem transcende todos os outros poderes, pois a praga da morte dos primogênitos destruiu todas as imagens e animais egípcios que eram idolatrados. Ademais, Sua grandeza fica evidente pelo fato de que Ele ferveu os egípcios na mesma panela que usavam ferver outros. Uma vez que tentaram destruir os bebês hebreus afogando-os, Ele afogou os egípcios em retribuição.”

Yitrô ficou deveras impressionado pela maneira como o Eterno pune com a mesma moeda, que frustra a possibilidade de chance e acaso provando que a vida dos homens é realmente moldada pela Providência Celestial.

Quando Yitrô, antigo sacerdote que pesquisara todos os cultos do mundo exclamou: “Agora sei que Hashem é maior que todos os outros poderes,” realizou a maior santificação do Nome do Eterno possível. Muitos dos eruditos e sacerdotes das nações do mundo ouviram sobre isto, e abandonaram seus ídolos, com isso reconhecendo a futilidade de servir imagens.

O mesmo Yitrô que por muitos anos sacrificou oferendas aos ídolos das nações, agora oferecia sacrifícios ao Eterno. Então sentou-se para fazer uma refeição com Aharon e os anciãos. Todos comeram juntos e se regozijaram com Yitrô por sua dedicação à Torá e porque a partir desse dia cumpriria todas as mitsvot. Moshê, contudo, não juntou-se a eles, mas permaneceu em pé, servindo a todos. Pois Moshê era o mais humilde de todos os homens da terra. Embora fosse o líder do povo de Israel, não se importava de servir a outros: ao contrário, sentia-se feliz de praticar bondade.

Aconteceu um milagre especial em honra a Yitrô – uma porção de maná desceu para ele durante a refeição. Isto demonstrava claramente que ele havia se tornado parte do povo de Israel.

Sobre Tribunais e Juízes

Durante sua estadia no acampamento do povo de Israel, Yitrô deve ter observado como a rotina diária era diferente da de outras nações “civilizadas.” No deserto, o povo de Israel não estava empenhado na agricultura, indústria ou comércio, uma vez que a maná que descia pela manhã provia alimento suficiente para o dia inteiro. As atividades domésticas e culinárias tampouco eram necessárias, pois a maná descia pronta para consumo, e as Nuvens de Glória lavavam e passavam suas roupas. Sua ocupação o dia inteiro era estudar Torá e cumprir mitsvot.

Durante o dia inteiro, Moshê se colocava no centro do acampamento para ensinar e julgar as pessoas que se reuniam à sua volta como se estivessem diante de um rei. Uma multidão se apinhava em torno de Moshê a fim de escutá-lo. Levantavam diversas questões sobre assuntos legislativos da Torá, tentando entender melhor as mitsvot. Algumas pessoas o procuravam para ser julgadas, porque haviam brigado com alguém. Outras queriam pedir a Moshê que orasse por uma pessoa enferma.

Como levava muito tempo a Moshê para escutar o pedido de cada um e resolver suas pendengas, tinham que aguardá-lo por muitas horas. Moshê terminava muito tarde. No dia seguinte, estava de novo ocupado de manhã à noite. Embora Aharon e os anciãos se sentassem junto a Moshê, somente ele se ocupava pessoalmente dos problemas e das dúvidas que surgiam.

Quando Yitrô viu Moshê sentado e as pessoas em pé ao seu redor, perguntou-lhe: “Por que você permanece sentado enquanto as pessoas ficam em pé desde a manhã até a noite?” Moshê respondeu: “Não é em minha honra que o faço, mas em honra ao Eterno. Todo aquele que tem um problema ou uma questão legal vem a mim e eu pronuncio uma sentença. Julgo os litígios e ensino ao povo como deve comportar-se.”

Yitrô exclamou: “O que você está fazendo não é bom!” (Sendo Yitrô um homem refinado, evitou a expressão “ruim”, e disse a Moshê apenas que a maneira como lidava com a situação “não era boa.”) Yitrô aconselhou-o: “A sobrecarga sobre você, Aharon e os anciãos é grande demais para suportar. Por causa do enorme esforço, vocês murcharão como uma folha murcha na árvore. Permita-me, portanto, aconselhá-lo, contanto que Hashem esteja de acordo! Continue a ser o que vai instruir ao povo as palavras de Torá, ensinando-os a praticar a bondade e como rezar. Todavia, não tome toda essa responsabilidade sobre si. Também atribua a Aharon e aos anciãos a tal responsabilidade de responder à questões legais. Designe juízes sobre o povo. Tais juízes decidirão todas as questões e contendas menores e trarão a ti apenas os problemas mais importantes.

“Estes juízes devem estar isentos de qualquer outro tipo de ocupação, a fim de estarem disponíveis ao povo a qualquer hora.”

As qualidades requeridas de um líder

Yitrô afirmou que um homem deve possuir as seguintes características a fim de qualificar-se como um juiz:

  • Deve ser bem versado em Torá, e deve ter seu próprio sustento (de forma que não necessite adular ninguém, e não dê preferência a nenhum litigante para ter proventos vindos através de “presentes”). Deve possuir personalidade dinâmica, que sirva de inspiração para que outros façam o que é certo.
  • Deve ser temente aos Céus, para que julgue verdadeiramente.
  • Deve ser um homem confiável, em cuja palavra o povo se apóia.
  • Deve detestar o poder econômico. Não pode atribuir nenhuma importância a si mesmo por suas posses, e certamente, às posses alheias, para não tender a aceitar subornos.

(Os líderes da Torá, através dos séculos, distinguiram-se por servir o povo judeu sem serem remunerados. O exemplo foi estabelecido pelo nosso grande líder Moshê que, ao final da vida, declarou que nunca havia aceito pagamento algum do povo. Mesmo quando viajou ao Egito para redimi-los, montou seu próprio burro, e não foi reembolsado pelas despesas da viagem. O profeta Shmuel, igualmente, antes de sua morte, conclamou a nação inteira para testemunhar que ele jamais aceitara mesmo o menor artigo de qualquer um deles. Ao viajar para julgar o povo, costumava carregar consigo sua própria tenda e alimentos.)

A sugestão de Yitrô é implementada e os juizes são nomeados

Yitrô disse a Moshê: “Escolha juízes com as qualidades que descrevi. Use o Espírito Divino que paira sobre você (assim não se enganará acerca de seu caráter). Indique juízes que serão responsáveis, cada um, por milhares de pessoas, por cem, por cinqüenta e por dez pessoas.”

Para 600.000 pessoas, haveria:

  • 600 juízes encarregados de milhares
  • 6.000 juízes encarregados de centenas
  • 12.000 encarregados de meias-centenas
  • 60.000 encarregados de dezenas.

Yitrô propôs designar, ao todo, 78.600 juizes.

“Se colocar em prática meu plano, então a lei certamente será decidida como deve ser.” Moshê escutou o bom conselho de seu sogro. O rei Shlomo escreve, referindo-se a Moshê (Mishlê, Pv. 12:15): “Aquele que aceita conselhos é sábio.”

“Seguirei tua sugestão e perguntarei ao Eterno se devo designar muitos juizes para ajudar-me,” respondeu-lhe Moshê. Quando perguntou ao Eterno, Ele aprovou a idéia de Yitrô, e Moshê a colocou em prática.

A estes homens escolhidos, Moshê disse: “Bem-aventurados são vocês por serem juizes dos filhos de Avraham, Yitschac e Yaacov. Bem-aventurados são vocês pelo privilégio de guiar os Bnei Elokim. Devem ser pacientes e cautelosos com todo caso que tiverem diante de si. A partir de agora vocês são servidores públicos. É uma função séria e distinta, que devem desempenhar com integridade.”

Por que Moshê nunca indicara juizes antes de Yitrô aconselhá-lo? Por que ele mesmo jamais havia pensado nesta solução aparentemente simples?

Na verdade, Moshê recebera um comando do Eterno para indicar juizes.

Subsequentemente, contudo, foi-lhe ocultado, a fim de que Yitrô tivesse o mérito de ter esta parashá inscrita em seu nome.

Originalmente, o nome de Yitrô era “Yeter”. Mais tarde, a letra “vav” foi acrescentado ao seu nome, formando Yitrô, tanto para indicar que tornou-se um verdadeiro israelita, quanto para indicar que o relato da nomeação dos juizes foi acrescida à Torá em seu nome.

(Sob diversas instâncias a Torá acrescenta uma letra ao nome de alguém, como sinal de que a pessoa adquiriu grandeza. Por exemplo, uma letra foi acrescida aos nomes de Avram e Sarai, modificando-os para Avraham e Sarah, quando adquiriram maiores alturas espirituais. Similarmente, o discípulo de Moshê, Hoshea, recebeu uma letra adicional precedendo seu nome, transformando-o em Yehoshua.)

Yitrô viveu no acampamento do povo de Israel por quase um ano, enquanto permaneceram aos pés do Monte Sinai. Porém quando se preparavam para viajar para Israel, Yitrô recusou-se a acompanhá-los adiante, dizendo a Moshê: “Permita-me retornar à terra dos meus pais, a fim de difundir a verdade lá e trazer as pessoas para sob as asas da Shechiná.”

Moshê então despediu-se de seu sogro com grande honra, dando-lhe abundantes e belos presentes.

A Torá e o Deserto do Sinai

No primeiro dia (Rosh Chôdesh) do mês de Sivan, o povo hebreu chegou ao deserto de Chorev, que também tinha outro nome, Sinai.

  • O s’nê, a sarça ardente, na qual Hashem revelou-Se a Moshê localiza-se neste deserto e deu nome a ambos (s’nê – Sinai). A letra “yud” (cujo valor numérico é dez) foi acrescentada a s’nê, transformando-o em Sinai, por causa dos Dez Mandamentos que ali seriam dados.
  • Além disso, o nome Sinai dá a entender que desde a Outorga da Torá, as nações nutrem ódio (sin’á, em hebraico) contra os israelitas, que foram diferenciados como o Povo Eleito do Eterno, como resultado daquele imponente evento.

A Torá foi dada aos hebreus no deserto, num lugar amplo e aberto, que não pertence a nenhuma nação, de modo que qualquer um que desejasse aceitar a Torá e suas mitsvot poderia ir ao deserto e fazê-lo livremente.

Por que Hashem não presenteou a Torá a Seu povo assim que saíram do Egito? Por que Ele esperou sete semanas entre o Êxodo do Egito e a Outorga da Torá?

No meio do ano letivo, um jovem ficou doente e foi obrigado a ficar em casa. Teve que ficar de cama por muitas semanas. Quando finalmente pôde se levantar, sentia-se fraco, e estava pálido

Um dia depois, o telefone tocou na casa do garoto. Era o diretor da escola dizendo ao pai: “Ouvi que teu filho não está mais doente. Já é hora de ele voltar à escola!”

“Impossível!” – protestou o pai. “O menino ainda não está realmente pronto para isto. Deixe que fique em casa por dois ou três meses, para que convalesça e recupere as forças através de uma dieta nutritiva. Então será capaz de frequentar a escola!”

Similarmente, Hashem não considerava o povo hebreu apto a receber a Torá imediatamente após ter deixado o Egito. Disse: “Eles ainda estão sofrendo os efeitos posteriores ao trabalho escravo egípcio. Deixe que fiquem no deserto por alguns meses, comam a maná e as codornizes, e bebam a água do poço. Quando estiverem recuperados, Eu lhes darei a Torá.”

Uma razão adicional é ilustrada por esta parábola

Um príncipe que estava procurando por uma esposa ouviu falar sobre uma moça de família nobre que possuía todas as qualidades desejáveis para se tornar rainha. A fim de conquistá-la para o matrimônio, resolveu apresentar-se dando-lhe muitos presentes. Só depois procuraria o consentimento dos pais dela para o casamento.

Quando ouviu que ela estava saindo para a padaria, mandou que lhe dessem um grande bolo recheado de creme, em seu nome. Quando foi a uma loja de departamentos, entregaram-lhe um elegante traje pago pelo príncipe. No restaurante, recebeu dele um ganso recheado; na loja de bebidas, um vinho de seleta safra; na bombonière, uma caixa de finos bombons embrulhada para presente. Depois, quando o príncipe pediu sua mão, a princesa não levantou objeções.

Assim o Eterno, antes de entregar a Torá ao povo de Israel, tornou-Se conhecido deles manifestando Sua grande bondade – Ele conduziu-os pelo Mar Vermelho em terra seca; salvou-os de Amalek, deu-lhes o maná, que continha os mais refinados e deliciosos sabores do mundo; o Poço de Miriam, cujo líquido tinha o sabor das melhores bebidas; e as codornizes. Só depois Ele perguntou-lhes se desejavam aceitar Sua Torá, e não recusaram.

Ademais, quando o povo hebreu deixou o Egito, havia muita rivalidade e contenda entre o povo. Deixaram a cidade de Sucot ainda com discussões, e quando acamparam em seu próximo destino, Etam, a discórdia ainda prevalecia. Hashem não podia outorgar Sua Torá a um povo que não estava em paz entre si.

Finalmente, ao chegarem ao deserto de Sinai, colocaram fim a todas as rixas e uniram-se. Disse o Eterno: “A Torá de Paz pode agora lhes ser dada, pois aprenderam a viver em harmonia uns com os outros!”

No dia de sua chegada ao sopé da montanha, que foi no segundo dia da semana, o Eterno não Se dirigiu ao povo diretamente, pois ainda estavam fracos da viagem. Descansaram aos pés da montanha.

A Torá é Oferecida às Nações do Mundo

Antes de dar a Torá a Seu povo, o Eterno se revelou às nações que viviam naqueles tempos, perguntando-lhes, através de Bil’am, se estavam dispostas a aceitá-la, para que mais tarde não pudessem dizer que ela não lhes tinha sido oferecida e que por isso tinham permanecido idólatras.

Os primeiros a serem procurados foram os Bnei Essav (Esaú) em Edom. “O que está escrito na Torá?”, perguntaram. “Não matarás”, respondeu Hashem. “Se é assim, não podemos aceitar a Torá e cumprir o que nela está escrito, porque vivemos pela espada”, responderam eles.

O Eterno foi em seguida aos Bnei Yishmael, na Arábia: “Vocês aceitam a Torá?” “O que está escrito nela?”, perguntaram eles. “Não roubarás”, disse Hashem. “Então não podemos aceitar a Torá, porque não seremos capazes de cumprir esse mandamento. Diz-se do nosso ancestral Yishmael já praticava o roubo.”

O Eterno dirigiu-se então aos Bnei Tsur (Midian) e Tsidon (filisteus) e a todas as outras nações (Moav, Amon, etc), oferecendo-lhes a Torá. Cada uma perguntou primeiro o que estava escrito nela. Ao ouvirem que ela continha proibições e mandamentos, leis e práticas de todo tipo, de acordo com as quais elas teriam de viver pacificamente umas com as outras, julgando com justiça e abstendo-se de comportamentos indesejáveis, rejeitavam-na. Por fim, o Eterno enviou Moshê aos israelitas e perguntou-lhes se queriam a sagrada Torá. Eles indagaram: “O que ela contém?” Hashem respondeu: “613 mitsvot.” Ao ouvirem isso, eles imediatamente se puseram em pé e declararam simultaneamente: “faremos e ouviremos”.

Em seguida acrescentaram: “Mestre do Universo, nós e nossos antepassados guardávamos muitos preceitos mesmo antes de sabermos do maravilhoso presente que viríamos a receber. Avraham despedaçou os ídolos de seu pai, exigindo que os membros da família retirassem de casa todas as imagens e ídolos que possuíssem, cumprindo assim o mandamento de não fazer imagem esculpida. Yitschac cumpriu o mandamento de honrar o pai quando lhe obedeceu de todo o coração, deixando-se colocar sobre o altar. Yehudá, o filho de Yaakov, cumpriu o mandamento “Não matarás” ao evitar que Yossef fosse morto pelos outros irmãos. Todas as tribos guardaram o preceito de não roubar quando devolveram o dinheiro que acharam em suas sacolas. Estamos acostumados a observar os mandamentos; portanto, Eterno, estamos sinceramente dispostos a aceitar tudo que está contido em Sua sagrada Torá.”

A Torá é Primeiro Apresentada às Mulheres

No terceiro dia daquela semana, Hashem convocou Moshê ao topo da montanha, e deu-lhe as seguintes instruções acerca de como preparar o povo de Israel para a Outorga da Torá: “Fale com as mulheres até mesmo antes que com os homens, dirija-se a elas gentilmente, e dê-lhes os princípios gerais. Os homens, por outro lado, devem ser ensinados de maneira severa, e devem ser bem-versados em todos os intricados detalhes das leis.”

Por que o Eterno ordenou que as instruções referentes a Outorga da Torá sejam dadas primeiro às mulheres e só depois aos homens?

Há diversas razões:

  1. Da mesma forma como as mulheres são obrigadas a cumprir as mitsvot com doze anos de idade, um ano antes dos homens, assim receberiam as mitsvot antes na Outorga Torá.
  2. Se as mulheres fossem assim diferenciadas, fariam um maior esforço para dar a seus filhos uma educação de Torá.
  3. O Eterno disse: “Quando dei uma única mitsvá a Adam, não a ensinei a Chava (Eva). Em consequência, ela pecou e fez Adam errar também. Agora que vou dar 613 mitsvot, falarei primeiramente com elas para que saibam da importância das mitsvot.”.
  4. Todo povo de Israel foi redimido do Egito pelo mérito das mulheres justas e virtuosas. Portanto mereciam a honra de serem procuradas por Hashem antes dos homens.

A Mensagem do Eterno: o Povo de Israel é Escolhido como o Povo Eleito (Para Ensinar a Humanidade Através de Seu Exemplo)

As palavras de introdução que Hashem mandou Moshê transmitir ao povo de Israel antes da Outorga da Torá:

“Vós testemunhastes pessoalmente como castiguei os egípcios por vos terem escravizado. Vós não escutastes sobre as dez pragas e o Êxodo do Egito através de mensageiros; ou inferistes o conhecimento destes eventos de registros escritos ou de alguma tradição oral. Vós vivenciastes pessoalmente como Eu intervi em vosso favor. Os egípcios já mereciam morrer por causa de seu derramamento de sangue, idolatria e imoralidade antes mesmo de vós terdes chegado ao Egito. Mesmo assim, não os puni por seus pecados, até que vos fizeram mal. Assim, sois testemunhas de como transportei-vos até Ramsés num curto espaço de tempo, uma vez que chegou a hora de vossa redenção. Quando, mais tarde, os egípcios perseguiram-vos, bloqueei os projéteis com a Nuvem da Glória, protegendo-vos de maneira similar a que uma águia protege seus filhotes. Todas as outras aves carregam seus filhotes entre os pés, por medo de serem atacadas por aves maiores. A águia, contudo, não teme outros pássaros; apenas as flechas do homem. Por isso, transporta seus filhotes nas costas, preferindo ser perfurada pelos projéteis a expôr os filhotes. Agi igualmente, protegendo-vos das flechas egípcias por meio de Minha Nuvem. Também agora vós continuastes a viajar através do deserto protegidos pelas Nuvens de Glória.

“O motivo do porquê vos trouxe para o Monte Sinai é para que Me sirvais. Se guardardes a Minha Aliança observando a mitsvá de Shabat que lhes ordenei em Mará; e se vos diferenciardes fazendo a circuncisão e abolindo os pensamentos idólatras de vossos corações, estareis prontos para receber a Minha Torá e tornar-vos-eis Meu Povo Eleito. Sereis Meu povo amado. Apesar de toda a Terra ser Minha, terei um amor especial por vós, dentre as nações. Sereis para Mim um reino de sacerdotes, e uma nação sagrada para ensinar aos demais povos com vosso exemplo!”

“Transmita estas palavras ao povo de Israel exatamente como Eu te disse e pergunta-lhes se estão dispostos a aceitar Minha Torá.”

Moshê voltou ao povo de Israel ao anoitecer, e transmitiu a mensagem acima aos anciãos na presença do povo inteiro. Todos estavam sequiosos por receber a Torá e responderam jubilosamente: “Na’asê – o que quer que o Eterno diga, faremos.”

Hashem Queria Transmitir os Dez Mandamentos Através de Moshê, que por sua vez Falaria ao Povo

Depois de Moshê ter comunicado ao Eterno a grande vontade e o entusiasmo do povo de Israel em receber a Torá, o Eterno predisse a Moshê: “Aparecer-te-ei em uma espessa nuvem, e o povo inteiro ouvirá quando Eu falar contigo, para que todos acreditem em ti e nos profetas que te sucederão, para sempre.”

As palavras de Hashem denotavam que, no Monte Sinai, o povo inteiro ouviria o Eterno dirigir-Se a Moshê. Isto os convenceria da verdade, de que Moshê é realmente Seu mensageiro.

Moshê anunciou então ao povo: “Todos vós escutareis a voz do Eterno me chamando. Ele me transmitirá a Torá e eu transmiti-vo-lá-ei.”

(A Moshê foi concedido o privilégio de dar a Torá à nação israelita porque ele era mais humilde e modesto do qualquer outra pessoa, assim como o Monte Sinai foi escolhido para receber esta honra devido a sua extrema humildade. Quando Hashem comunicou a Moshê pela primeira vez que ele deveria conduzir os hebreus na saída do Egito, ele recusou esta missão cobiçada, por julgar que havia membros de sua família muito mais respeitados, sábios, ricos ou tementes a Hashem. Já então o Eterno lhe disse: “Tu és grande e respeitado aos Meus olhos. Eu te escolhi como o salvador de Meu povo. Se ele não for redimido através de ti, não haverá outra pessoa para tirá-lo do Egito.” E assim Moshê recebeu a distinção de ser o líder da nação, tirá-la do Egito, levá-la através da terra seca pelo meio do Mar Vermelho, conduzi-la nos quarenta anos de suas andanças pelo deserto e, sobretudo, de dar-lhes o presente especial: a Torá.)

Os Filhos de Israel Pedem que o Eterno Lhes Fale Diretamente e Não Através de Moshê

O povo não estava completamente satisfeito com a mensagem que Moshê lhe relatara e ficou consternado. Disseram: “Moshê Rabênu, queremos escutar a voz do próprio Criador!” Ansiavam por escutar Hashem, Ele Mesmo, e não apenas terem uma prova de que Moshê era Seu mensageiro. “Aquele que aprende algo de um mensageiro não é como o que ouve do próprio Rei!” – exclamaram. “Queremos ver e ouvir Hashem.”

Ao formular este pedido, não estavam cônscios do terrível impacto que a revelação da Shechiná teria sobre eles. Mais tarde, arrependeram-se do pedido original, e imploraram a Moshê que continuasse falando com eles, em vez do Eterno.

Naquele mesmo dia, Moshê recebeu o mandamento de fixar os limites para o povo aos pés da montanha. O Eterno instruiu Moshê: “Estabeleça um limite ao redor da montanha e ordene ao povo que não cruze este limite durante o tempo em que Minha Shechiná repousar sobre o Monte Sinai, pois a montanha será sagrada.”

Na manhã do quarto dia da semana, bem cedo, Moshê voltou ao Céu para informar a Hashem da reação do povo.

(Na verdade, o Eterno não necessitava escutar o que o povo havia dito através de Moshê. Mas Moshê quis demonstrar que um mensageiro deve levar a resposta a alguém que o encarregou de tal.)

Moshê disse que enquanto o povo concordara em permanecer aos pés da montanha, expressaram seu desejo de que o Eterno Se dirigisse diretamente a eles. Hashem respondeu a Moshê: “Conceder-lhes-ei seu desejo. Eu Mesmo descerei sobre o Monte Sinai aos olhos de todo povo.”

O Eterno concordou em falar Ele próprio aos israelitas porque eles disseram: “Faremos e ouviremos”, mostrando disposição para obedecer antes mesmo de ouvir. É contra a natureza humana estar disposto a fazer algo antes de saber o que isto envolve, mas os hebreus declararam sinceramente sua prontidão para cumprir o que quer que estivesse escrito na Torá, mesmo antes de saber o que isto acarretaria.

Os Preparativos para o Recebimento da Torá

Naquele dia, Moshê foi requisitado a instruir o povo a preparar-se para o recebimento da Torá. “Para escutar Minha voz, o povo de Israel deve preparar-se, submergindo na micvê”. Moshê disse-lhes que evitassem a impureza e o comportamento inadequado nos próximos três dias, para estarem puros e santos na entrega da Torá. As purificações durariam dois dias, e no terceiro, Hashem lhes outorgaria a Torá.

Apesar do Eterno ter designado apenas dois dias para purificação, Moshê entendera Sua verdadeira intenção – que seria correto acrescentar um terceiro dia como precaução especial. Por conseguinte, mandou o povo preparar-se por um período de três dias. Ao retornar ao povo, no anoitecer do quarto dia, disse-lhes: “Preparem-se hoje, e também no quinto e sexto dias; pois no Shabat vocês receberão a Torá.”

O Eterno concordou com a decisão de Moshê.

Após terem pronunciado a palavra “Na’asê” (faremos) e purificarem-se por três dias, os filhos de Israel pareciam-se com os anjos. Atingiram novamente o nível de Adam, o primeiro homem antes de pecar, e estavam prontos para receber a Torá.

As Crianças como Fiadoras da Torá

O Eterno perguntou a Seu povo: “Quem garante que vós cumprireis a promessa de observar a Torá?” Eles responderam: “Nossos antepassados serão nossos fiadores.” Hashem disse: “Até seus ancestrais necessitam de garantia. Quando prometi a Avraham a terra de Israel, ele também perguntou como poderia ter certeza de que esta promessa seria cumprida. Portanto, não posso aceitar a fiança de seus ancestrais apenas.” Os israelitas então prometeram que seus filhos e os filhos de seus filhos assegurariam o cumprimento da Torá e das mitsvot.

Trouxeram suas esposas e filhos e prometeram a Hashem, naquele momento e lugar, ensinar a Torá a seus filhos e às sucessivas gerações, estudar e revisar o que está escrito nela de dia e de noite, para todo o sempre.

A Cura dos Enfermos

Antes da Outorga da Torá, o Eterno curou a todos do povo de Israel.

Um homem rico queria casar seu filho, mas não gostava do salão de festas da vizinhança. Alguns equipamentos estavam quebrados, as cortinas velhas, o papel de parede desbotado, e o teto também não estava perfeito. “Este salão não é adequado a um casamento tão grandioso como será o do meu filho,” pensou.

“O que eu tenho a fazer é consertar este salão antigo, e remobiliá-lo.” Contratou um empreiteiro, que trouxe um grupo de marceneiros, pedreiros e pintores. Consertaram e pintaram o teto, colocaram papel de parede novo, trocaram as cortinas; consertaram e reformaram tudo o que estava quebrado. No dia do casamento, o salão parecia glorioso – ninguém acreditaria que fosse o mesmo velho salão!

Assim, Hashem examinou os israelitas que saíram do Egito, e achou dentre eles muitos que eram paralíticos, cegos, surdos ou tinham de alguma outra maneira alguma necessidade especial. Disse o Eterno: “Como posso dar Minha Torá que é sã a uma nação doente? Eu curarei este povo!”

O Eterno então curou todos os cegos, fato que se infere do versículo que diz que na Outorga da Torá “todo o povo viu”. Ele curou os surdos, como está escrito que todos responderam “tudo o que o Eterno disser faremos e ouviremos”.

Os paralíticos também foram curados, como está escrito: “e eles ficaram de pé aos pés da montanha.” Deste modo, Hashem também curou todos.

Todos teriam de estar de posse perfeita de todas as suas faculdades, para aceitar perfeitamente a Torá, pois se alguns deles não vissem ou não ouvissem a Shechiná, a experiência da Outorga da Torá não seria completa.

Os Anjos Não Querem Ceder a Torá à Humanidade

Os anjos perceberam que Moshê levaria a Torá aos hebreus e choraram porque teriam então de separar-se dela. Hashem disse a Moshê: “Vá e argumente com os anjos. Prove que eles não tem necessidade da Torá nem motivo para lamentar que ela lhes esteja sendo tirada.”

Moshê se encheu de coragem e começou: “Tudo que está escrito na Torá não se destina a vocês. O que diz a Torá? ‘Eu sou o Eterno teu Juiz, Que te tirei da terra do Egito.’ Acaso vocês foram escravos no Egito? Hashem os tirou de lá? A Torá também diz: ‘Não terás outros ídolos diante de Mim.’ Acaso vocês adoram ídolos feitos por seres humanos? A mitsvá do Shabat encontra-se na Torá. Vocês trabalham a semana inteira para precisarem de descanso no Shabat? E quanto ao restante das proibições da Torá: não matarás, não roubarás, não cobiçarás o que pertence ao próximo… Vocês têm uma má inclinação que os leva a transgredir estas proibições? Se não, de que lhes serve a Torá? Vocês não podem observar seus preceitos positivos nem os proibitivos!”

Depois de ouvir o argumentos de Moshê, os anjos responderam simultaneamente: “Você está certo, Moshê, assim como são justos os atos do Eterno.”

A Escolha do Monte Sinai

Quando o Eterno escolheu o monte sobre a qual daria a Torá, irrompeu uma discussão entre os anjos guardiões das montanhas. Cada anjo insistia: “a Torá deve ser dada sobre meu monte!” O Anjo do Monte Tavor e o Anjo do Monte Carmel clamaram: “É o meu monte que Hashem quer!” O Eterno, contudo, rejeitou-os, dizendo: “Anjos das Montanhas, por que discutem? Todos estão maculados porque deixaram imagens de ídolos serem erguidos no topo de cada montanha. O monte Sinai é baixo, e por isso nunca serviu como local de idolatria. Portanto, o Anjo do Monte Sinai se mostrou merecedor de receber sobre seu monte a Shechiná. Com esta decisão tomada no Tribunal Celeste, desceu sobre o Monte Sinai a Glória do SENHOR.

O que Aconteceu no Dia da Outorga da Torá

Por 26 gerações, desde a criação de Adam, Hashem esperou para transmitir à humanidade a preciosa Torá, que precedeu a Criação do Universo. Finalmente, Ele encontrou um povo disposto a aceitá-la. O grande momento de Sua Revelação foi aguardado ansiosamente pelo mundo todo, uma vez que com isso se realizaria o objetivo espiritual da Criação.

O dia em que Hashem nos entregou a Torá foi no final de sexta-feira, terminando o evento num Shabat: 6-7 de Sivan do ano 2448. Havia chovido à noite sobre a montanha para refrescar o ar. O Anjo do Monte Sinai tremia de emoção ante o portentoso transcendental evento prestes a ocorrer sobre ele. Todas os anjos das montanhas estavam em estado de agitação junto com esse, até que o Eterno os acalmou.

O povo ainda estava dormindo, porque a noite de verão havia sido curta. Foram acordados por raios e trovões sobre o Monte Sinai, e por Moshê chamando-os: “O noivo está esperando pela noiva sob o pálio nupcial!” Moshê levou o povo ao Monte Sinai como quem conduz a noiva ao casamento.

Ao povo de Israel, que estava reunido aos pés do Monte Sinai, homens e mulheres separadamente, uniram-se todas os milhões de almas de seus descendentes, e as almas de todos os convertidos que viriam a aceitar a Torá em futuras gerações.

Quando a Glória do SENHOR desceu sobre o Monte Sinai numa explosão de fogo, cercado por uma hoste de 22.000 anjos, a terra tremeu, e havia raios e trovões. O povo de Israel ouviu o som de um shofar cada vez mais alto, crescendo de intensidade até atingir o volume máximo suportável. O fogo do Monte Sinai elevou-se ao coração do céu, e a montanha fumegava como uma fornalha. O povo tremia de medo.

O Eterno então pegou o Monte Sinai e o susteve sobre as cabeças do povo. A montanha ficou transparente como cristal, suspensa sobre o Povo de Israel de modos que todos puderam ver através dela. Os céus se abriram e Hashem lhes mostrou que não havia nada ali, com exceção Dele.

Uma espessa nuvem envolveu a montanha. O Eterno inclinou os céu até alcançarem o Monte Sinai, e Ele desceu sobre a montanha.

A Reação do Povo de Israel ao Ouvir a Voz Divina

Nesta ocasião, o povo não apenas escutou a Voz Divina, mas realmente viu a energia espiritual das ondas sonoras emergindo da “Boca” de Hashem. Visualizaram-nas como espíritos feitos com uma substância ardente, em chamas. Cada Mandamento que saía da Boca Divina viajou através do acampamento inteiro, e então voltou a cada israelita individualmente, perguntando-lhe: “Aceita sobre si este Mandamento, com todas as leis pertinentes?” – todos os hebreus responderam “Sim” após cada mandamento positivo, e “Não” a cada mandamento negativo. Finalmente, a energia espiritual da substância ardente que viram, gravou-se nas Primeiras Tábuas da Aliança que seriam entregues a Moshê.

Apesar de o povo de Israel ter pedido para ver a Glória do SENHOR e ouvir Sua Voz, suas almas deixaram o corpo quando realmente experimentaram a Revelação. A Voz Divina reverberou com tal força que quebrou árvores de cedro, fez montanhas estremecerem, fez com que cervas dessem à luz devido ao choque, e desmatou bosques inteiros.

As nações que testemunharam a comoção, mas não sabiam a causa foram até o feiticeiro Bil’am, que era famoso por sua sabedoria e questionaram: “O Eterno estaria prestes a trazer outro dilúvio sobre a terra?”

“Não,” acalmou-os Bil’am. “O mundo está em efervescente atividade porque Hashem está dando a Torá ao povo de Israel.”

O Eterno queria dar o Primeiro dos Dez Mandamentos. Naquele momento, Moshê estava no topo da montanha. O Eterno mandou-o descer.

Hashem pensou: “Se Moshê permanecer no cume, o povo poderia não ter certeza de que realmente ouviu os Dez Mandamentos de Mim. Poderiam pensar que a era a voz de Moshê. Portanto, que Moshê desça primeiro, e então Eu pronunciarei os Dez Mandamentos.”

Por isso, o Eterno ordenou a Moshê: “Desça e avise o povo que não deve aglomerar-se além dos limites fixados ao sopé da montanha, apesar do desejo de Me ver. Aquele que tocar o Monte Sinai morrerá. Após a partida da Shechiná, serão novamente autorizados a subir a montanha.”

“Já lhes transmiti esta advertência,” respondeu Moshê.

“Não obstante, avise-os uma segunda vez. Pois agora é o momento ao qual a advertência se aplica. Após avisá-los, você, Aharon e os primogênitos que realizarão o serviço sacrificial, subirão a montanha, e cada um assumirá a posição que lhe foi designada. O povo deve ficar aos pés da montanha; os primogênitos subirão mais alto, Aharon mais alto ainda, e você ao topo!” Assim que Moshê desceu, o Eterno começou a falar, dizendo: “Eu Sou Hashem, teu SENHOR…”

Primeiro o Eterno pronunciou os Dez Mandamentos simultaneamente. Este é um ato além da capacidade humana. O propósito deste milagre era demonstrar claramente que os Dez Mandamentos vieram diretamente Dele. Nenhum ser humano, ou criatura celestial poderia realizar tal milagre. Falou-os todos ao mesmo tempo, de modo que o povo os escutou mas não os entendeu.

Em seguida, Ele repetiu cada Mandamento separadamente.

Os israelitas não experimentaram o total impacto da Voz Divina. Cada indivíduo percebeu-a de acordo com sua capacidade única de vivenciar a Shechiná. Não obstante, desmaiaram após cada Mandamento, uma vez que este nível de profecia realmente excedia seus poderes de percepção.

Quando os hebreus escutaram a Voz Divina, sentiram-se como se beijados pelo Eterno. Estavam tão empolgados de júbilo que as almas abandonaram os corpos e todos caíram mortos.

A própria Torá suplicou que Hashem restituísse a vida aos israelitas, argumentando: “Senhor do Universo, como pode haver alegria completa em todos os mundos com o recebimento da Torá se seus filhos morrem no processo? Será que há motivo para regozijar-se se o rei que casa sua filha, ao mesmo tempo mata todos os membros de sua casa?”

O Eterno então aspergiu o Orvalho da Ressurreição sobre o povo de Israel. Este era o mesmo Orvalho com o qual Ele ressuscitará os mortos em tempos futuros. Os israelitas, contudo, ainda sentiam-se fracos do choque que experimentaram. Por isso, Hashem encheu o ar com a fragrância de especiarias, e recuperaram-se. Não obstante o temor pela Voz Divina era tão grande que correram apressadamente ao final do acampamento. Os anjos tiveram que transportá-los de volta às suas posições iniciais aos pés do Monte Sinai, para ouvir o próximo Mandamento. Novamente os hebreus ficaram tão maravilhados e felizes ao escutar a Voz Divina que suas almas abandonaram seus corpos. O Eterno voltou a revivê-los.

Moshê Transmite ao Povo os Oito Mandamentos Restantes

Após os dois primeiros Mandamentos, os hebreus estavam tão amedrontados que imploraram a Moshê que transmitisse o resto dos Mandamentos, em vez de escutar a Voz Divina outra vez. Pediram pois, a Moshê: “Por favor, fale você em lugar do Criador do Universo. É difícil para nós suportar a emoção de escutar a Voz Dele. Temos medo de voltar a morrer.”

Apesar do Eterno saber de antemão que os Bnei Israel não seriam capazes de sobreviver ao ouvir Sua Voz, não obstante Ele concedeu-lhes seu pedido original de ouvi-Lo. Ele não queria que os hebreus, no futuro, reclamassem: “Se apenas Ele nos tivesse concedido uma Revelação direta, nunca teríamos servido ídolos!”

O Eterno mandou então que dois anjos, Michael e Gabriel, trouxessem Moshê ao topo do monte Sinai. Pegaram-no pela mão e, contra sua vontade, arrastaram-no montanha acima, para a nuvem espessa. Moshê tinha a habilidade de penetrar a escuridão e a espessura da Nuvem. Foi-lhe permitido entrar no compartimento mais íntimo do Céu, ao qual nem anjos têm acesso, no Palácio do Amor. Ele mereceu isto por causa de sua extrema modéstia, pois a Shechiná paira sobre quem é humilde.

O Eterno amplificou a voz de Moshê, para que alcançasse todo povo. Moshê, em sua grande sabedoria, acalmou o povo amedrontado.

“Não temam! Hashem apareceu apenas para elevar vocês, e para isto Seu temor deve estar sobre vocês, para que não pequem!”

O Eterno então transmitiu a Moshê os outros oito Mandamentos, e Moshê os repetiu para o povo. Então Hashem ordenou que Moshê dissesse ao povo: “Vós testemunhastes pessoalmente que Eu falei convosco desde o Céu. Não receberam um relato de outros. Se alguém ouve algo de outros, pode suscitar dúvidas em sua mente. Contudo, todos vós vistes a Outorga da Torá com vossos próprios olhos.”

Até os dias de hoje continuamos convencidos da veracidade da Torá, pois estamos cônscios da certeza histórica de que nosso povo inteiro testemunhou a Outorga da Torá, a Divina Revelação da Torá no Monte Sinai. O judaísmo, em contraste com outras religiões, não se baseia na crença de relatos de indivíduos, mas sobre fatos históricos.

Os Dez Mandamentos

Assim que o Eterno pronunciou “Anochi” (EU), a Criação silenciou. Os pássaros não gorjeavam ou voavam nos céus; os bois não mugiam; os anjos não cantavam louvores; o oceano não se agitava. O universo inteiro estava quieto, enquanto a Voz do Eterno soava. Isto serviu como irrefutável demonstração de que não existe nenhum poder além Dele.

Cada um dos Dez Mandamentos foi dirigido aos hebreus na linguagem singular e não no plural. Assim, nenhum hebreu poderia desculpar-se, dizendo: “É suficiente que os outros cumpram a Torá.” Cada hebreu deve sentir que é sua obrigação pessoal guardar a Torá, uma vez que lhe foi diretamente dirigida.

Os Dez Mandamentos contém um total de 620 letras, simbolizando assim que os Dez Mandamentos são a essência da Torá. Pois esta contém 613 mitsvot, e os Sábios instituíram sete mitsvot adicionais, perfazendo um total de 620 mitsvot.

Além de escutarem os Dez Mandamentos básicos, os hebreus também previram as miríades de detalhes envolvidos, todos os Midrashim referentes a cada Mandamento, cada halachá e detalhes neles contidos.

“Anochi”

Os Dez Mandamentos que o Eterno transmitiu aos hebreus começam com a palavra “Anochí” – “Eu sou”. ” A palavra “Anochí”, que lembra a palavra egípcia “Anochí”, também significa “eu”. Hashem dirigiu-se a Seus filhos na língua egípcia, que lhes era familiar. Ao que isto pode ser comparado? A um rei cujo filho foi sequestrado quando pequeno e cresceu entre suas captores.

Quando o rei finalmente consegue recuperar o filho, primeiro se dirige a ele na língua à qual estava acostumado, com a qual crescera e entendia.

O Eterno também falou primeiro a Seus filhos, os hebreus, em egípcio, dizendo: “Vocês contemplam hoje a Minha Glória; portanto, nunca mais serão capazes de adorar ídolos estranhos. Não é possível a uma pessoa ver Hashem face a face, em toda Sua glória e poder, e depois inclinar-se diante de uma figura feita por homens. Vocês testemunharam todos os milagres grandiosos que operei para vocês no Êxodo do Egito e na divisão do mar. Vocês mesmos o atravessaram por terra seca, enquanto os egípcios se afogaram no mesmo lugar. Não sou como os reis humanos, cujos súditos retiram de seu caminho todos os obstáculos e estendem tapetes grossos à sua frente. Não sou como reis humanos, cujos súditos iluminam o caminho e enfeitam a casa para honrar sua chegada.

“Sou o Rei dos Reis, Que faz tudo isto para vocês, Meus próprios filhos. Na Criação, formei o mundo e iluminei, criando o sol, a lua e as estrelas. Cobri a superfície da terra com um tapete de grama e com alimentos em abundância. Enchi a terra de hortaliças e flores belas e fragrantes, tudo em sua honra. Tenham isto sempre em mente e saibam que não há ninguém como Eu entre todos os reis do mundo. A Minha bondade não cessará jamais.”

O Primeiro Mandamento: Acreditar na Existência do Eterno e em Sua Providência

“Eu Sou o Eterno, teu Senhor, Que vos tirou da terra do Egito, da casa de Faraó, onde fostes escravos.”

“Eu Sou tanto o Eterno’, misericordioso para os que Me obedecem; como também teu SENHOR, justo juiz para os que se recusam a Me ouvir.”

A obrigação imposta pelo Primeiro Mandamento é de acreditar na existência de um Criador Onipotente; saber que Ele exerce Providência contínua sobre o universo, que Ele é a Força que dita todas as leis naturais. Ele sustenta e provê para todas as criaturas, da mais diminuta à maior.

Esta mitsvá não se limita a algum momento ou tempo específico (como a maioria das mitsvot); outrossim, a consciência da existência e poder de Hashem deve constantemente preocupar o israelita.

O Eterno fez com que esse fosse o primeiro de todos os mandamentos porque devemos reconhecê-Lo para poder observar Seus mandamentos.

Por que o Eterno escolheu descrever a Si Mesmo como o “o Eterno que tirou os filhos de Israel do Egito”?

Bandidos surpreenderam uma nobre senhora em seu passeio, e estavam prestes a raptá-la. O rei soube do ocorrido e interveio. Se não tivesse enviado suas tropas imediatamente para resgatá-la, o pior poderia ter acontecido. Quando, mais tarde, propôs-lhe casamento, ela perguntou-lhe: “Que presente você me oferece?”

O rei respondeu: “O próprio fato de que te salvei dos raptores não é suficiente para que teu coração penda em minha direção?”

Similarmente, Hashem apresentou-se ao povo no Monte Sinai como Aquele que os redimiu, recordando-lhes assim sua obrigação especial para com Ele. (Ele não utilizou a descrição “O Criador, Mestre do Universo,” pois o termo geral, em si mesmo, não obrigaria os hebreus a guardar a Torá.)

O Segundo Mandamento: Não Adorar Ídolos

“Não terás ídolos!”

Muitas pessoas acreditam que o Eterno é o Ser mais poderoso, o que significa que creem também em outros poderes fora Dele. Alguns também rezam aos anjos. Outros veneram pessoas que consideram santas, ou o sol e a lua, ou os planetas.

Quando os Sábios estiveram em Roma, os filósofos perguntaram-lhes: “Se Hashem não quer ídolos, por que Ele não os elimina?”

“Se os idólatras adorassem apenas objetos inúteis, seu ponto seria válido,” responderam os Sábios. “Contudo, também adoram o sol, a lua, as estrelas. Acaso deveria Ele destruir o universo por causa dos tolos?”

Hashem ordenou: “Não podeis servir a ninguém, exceto a Mim!”

Este Mandamento implica que é proibido acreditar em qualquer poder além de Hashem, adorar ídolos ou inclinar-se para eles. Nossos Sábios proibiram inclinar-se perante ídolos, mesmo sem ter intenção de adorá-los. Tampouco é permitido possuir um ídolo, mesmo sem adorá-lo. Este Mandamento inclui a proibição de fazer estátuas de um ser humano ou qualquer criatura ou objeto do universo.

O termo “ídolos” não implica, que não seja permitido, que há outros poderes além do Eterno. A Torá se refere a ídolos como “Elohim”, pois este termo é utilizado pelos idólatras (apesar de, na realidade, serem imagens impotentes).

A palavra “outros” não se refere à comparação entre Hashem e os ídolos, mas aos ídolos entre si. Uma vez que os idólatras mudam constantemente suas imagens, rejeitando as velhas e voltando-se a outras em seu lugar, o termo “outros” significa deuses que são constantemente trocados por outros por seus adoradores.

O Terceiro Mandamento: Não Pronunciar o Nome do Eterno em Vão

É proibido utilizar de maneira incorreta o Nome do Eterno, mencionando-O junto com um juramento desnecessário ou falso.

Eis um exemplo de falso juramento. Alguém que comeu pão ontem jura: “Juro pelo Eterno que não comi pão ontem.”

Um exemplo de juramento desnecessário é: “Juro por Hashem que o sol está agora no céu.” Embora este juramento seja verdadeiro, é proibido, se não há razão para fazê-lo.

Também não devemos invocar o Nome do Eterno sem um propósito determinado. Algumas pessoas estão acostumadas a exclamar; “Meu D’us!”, ou a empregar o nome de Hashem em um contexto igualmente irreflexivo. Devemos evitar isto.

O Eterno disse: “Não utilize erroneamente Meu Santo Nome. Lembre-se de que Avraham apelou a este mesmo Nome e foi salvo da fornalha ardente. Moshê clamou por ele, e o Mar Vermelho abriu-se em doze partes; Yehoshua clamou por ele, e foi ajudado; Yoná chamou por Ele no interior do peixe e foi salvo. O Nome do Eterno é invocado pelos doentes e enfermos, e são curados; pelos de coração contrito, e são consolados. Guardem-se de serem descuidados ao mencionar o Nome Sagrado, pois aquele que pronuncia Seu Nome em vão não ficará impune!”

O Quarto Mandamento: Observar o Shabat

Este Mandamento inclui a proibição de realizar trabalhos proibidos no Shabat.

Além disso, devemos distinguir o Shabat, fazendo uma bênção quando o Shabat se inicia e quando termina. Cumprimos isto recitando o kidush e a havdalá. Shabat deve ser marcado com alimentos saborosos e vestindo-se trajes especiais.

Mesmo ao longo de toda a semana, a pessoa deve preparar-se para o Shabat, arrumando a casa, limpando-a cuidadosamente, comprando iguarias e coisas semelhantes em honra do Shabat, pois este é o dia que Hashem escolheu, santificou e considerou a “jóia de todos os dias”.

Uma pessoa é reembolsada por todas as despesas que faz em honra ao Shabat. Apesar da renda de cada um ser determinada em Rosh Hashaná para o ano todo, as quantias gastas em honra ao Shabat, Yom Tov, Rosh Chôdesh, e para a educação e estudo de Torá dos seus filhos não estão incluídas neste orçamento fixo. Se a pessoa gasta mais, Hashem lhe retribuirá com mais; se economiza, o Eterno lhe retribuirá menos, de acordo com os gastos.

O dia de Shabat deve ser um momento para atividades espirituais, Torá e orações. Uma pessoa não deve pensar a respeito de seu trabalho inacabado da semana, mas afastar a mente de ocupações mundanas.

Quem quer que descanse no sétimo dia testemunha que Hashem criou o mundo em seis dias.

Como cumprimos a mitsvá de recordar o Shabat?

Há várias maneiras: Uma é chamar os dias da semana assim: “o primeiro dia da semana até Shabat” (domingo) – “o segundo dia da semana até Shabat” (segunda) – “o terceiro dia da semana até Shabat” (terça), e assim sucessivamente. Esta é a maneira judaica de nomear os dias da semana (e a que utilizamos para introduzir o cântico ‘shir shel yom’ na prece diária de Shacharit). Ao designar o domingo “o primeiro dia até o Shabat”, cumprimos a mitsvá de recordar e mencionar o Shabat, lembrando ao mesmo tempo que o Eterno é o Criador que fez o mundo em seis dias.

Quando Hashem deu a Torá a Seu povo, prometeu-lhe uma porção no Mundo Vindouro se ele observasse o que está contido nela. Os Bnei Israel pediram uma amostra, para ver que tipo de recompensa Hashem lhes daria em troca da observância da Torá e de suas mitsvot. O Eterno lhes disse: “Eu lhes darei o Shabat, um fragmento do Mundo Vindouro, que é todo Shabat.”

A cada judeu é dada uma alma adicional no Shabat, para que ele possa apreciá-lo mais do que aos outros dias e guardá-lo em santidade.

Um relato: Como o Sábio Shamai honrava o Shabat toda a semana.

O Sábio Shamai passava diante de um matadouro e viu um novilho lindo e gordo, pronto para ser sacrificado. Falou ao shochet: “Quero comprar este animal. Mata-o para mim e vende-me a carne!”

Levou a carne para casa e deu-a à mulher com as palavras: “Salga esta carne para fazê-la casher. Estou certo de que será deliciosa e quero reservá-la para Shabat.”

No dia seguinte voltou a passar diante do matadouro. Viu ali alguns novilhos prontos para o abate. Escolheu dentre os animais um de aspecto mais apetitoso do que o que havia visto no dia anterior. “Este novilho será delicioso para o Shabat”, pensou. Disse, pois, ao shochet: “Quero comprar este novilho. Prepara-me a carne para quando eu passar aqui na volta.”

Levou a carne para casa e disse à mulher: “Imagine, encontrei carne ainda melhor para o Shabat! Salga-a para fazê-la casher e reserva-a para o Shabat.”

A mulher pensou: “Que vou fazer com a carne de ontem? Vou cozinhá-la para o jantar de hoje.” Assim, Shamai desfrutou de uma ceia excelente.

Outro dia, Shamai passou diante do açougue e viu um novilho de aspecto tenro, cuja carne seria sem dúvida mais delicada e suculenta que o anterior. “Preciso deste novilho para Shabat”, disse ao açougueiro. “Vende-a para mim.” Ao chegar em casa disse à mulher: “Trouxe outra carne. Vamos comer a que trouxe antes e guardemos a melhor para Shabat.”

Assim, pois, Shamai terminou por comer ceias deliciosas toda a semana, por ter o Shabat sempre presente! Os Sábios diziam sobre ele: “Shamai come bem toda a semana em honra do Shabat.”

Este relato nos mostra que se compramos comidas especiais, devemos reservá-las para o Shabat. Assim, recordamos durante a semana que Shabat é o dia mais sagrado.

O Quinto Mandamento: Honrar Pai e Mãe

“Honre teu pai e tua mãe!”

Perguntaram a Rabi Eliezer: “Até que ponto uma pessoa é obrigada a honrar seus pais?”

Retrucou: “Podemos inferir a resposta do caso de um gentio de nome Dama ben Netina, que vivia em Ashkelon. Certa vez, os Sábios foram até ele porque ouviram que tinha pedras preciosas para vender, e precisavam de uma certa pedra para o efod (peitoral do cohen). Apesar de terem lhe oferecido um alto valor, preferiu renunciar ao dinheiro a acordar seu pai, que dormia, e sob cujo travesseiro estava a chave do baú de diamantes. Como recompensa, no ano seguinte, Hashem fez com que nascesse uma vaca vermelha em seu rebanho; que foi qualificada como uma Vaca Vermelha para o Templo Sagrado. Quando os Sábios vieram pagar-lhe, disse-lhes: “Apesar de saber que pagariam qualquer preço que pedissem, aceitarei apenas a soma que perdi ano passado, por ter honrado meu pai.”

“Se esta foi a conduta de um gentio, que não foi ordenado a observar esta mitsvá, quão mais é esperado de um judeu, a quem foi dada a mitsvá de honrar seus pais.”

Nossos Sábios relataram: “Certa vez, o acima mencionado Dama ben Netina estava sentado num traje bordado a ouro entre nobres de Roma, quando sua mãe chegou e atirou-lhe insultos e humilhações. Rasgou-lhe os trajes, bateu-lhe na cabeça, e cuspiu-o. Ele, contudo, não a envergonharia.”

Quando os reis das nações ouviram o Primeiro Mandamento do Eterno, não ficaram impressionados. Argumentaram: “Que soberano deseja ser negado? Hashem, como qualquer outro rei, ordena que Ele seja reconhecido.”

Quando ouviram sobre o Segundo Mandamento, também objetaram: “Há algum soberano que toleraria outra autoridade? O Eterno, como todos os reis, que ser respeitado sozinho. Por isso decretou que ninguém deve servir a outros poderes!”

Também não se comoveram com o Terceiro Mandamento, comentando: “Que rei gostaria que seus súditos jurassem em falso em seu nome? Tampouco o Eterno o quer.”

Sobre Shabat, disseram: “Claro, todos os reis gostam que seu dia especial seja celebrado!”

Porém quando ouviram acerca da mitsvá de honrar os pais, todos os reis levantaram-se de seus tronos e louvaram ao Eterno, admitindo: “Se alguém de nosso círculo for elevado a um status nobre, imediatamente nega seus pais. O Eterno age diferente. Ordenou que todos honrem seus pais!”

Os reis entenderam então, retroativamente, que as mitsvot não foram dadas, como imaginaram originalmente, a fim de honrar o Eterno. As mitsvot foram apresentadas para o benefício dos seres humanos.

Está escrito: “Honra teu pai e tua mãe.” O respeito que deve ser prestado ao pai precede o devido à mãe. No entanto, em outra passagem, a Torá exige: “Todo homem deve temer sua mãe e seu pai.” Aí o mandamento exige temor da mãe primeiro, e depois do pai. Por quê? Em geral, o filho respeita mais a mãe do que o pai, porque ela está naturalmente com ele desde o dia em que nasce, cuidando dele e tratando-o com amor, carinho e palavras gentis. A Torá exige, portanto, que o respeito ao pai seja igual ao respeito natural que sente pela mãe. Por outro lado, a pessoa naturalmente teme o pai mais do que a mãe, porque o primeiro é aquele que castiga e fica zangado. Por isso a Torá enfatiza a necessidade de temer mãe e pai igualmente. Destes dois versículos aprendemos que pai e mãe são iguais; deve-se temê-los e respeitá-los igualmente.

Em que consiste o devido respeito? Em fornecer-lhes alimento, bebida e vestuário, acompanhá-los quando saem e ajudar em tudo que eles possam precisar. Deve dirigir-se a eles cortesmente.

Em que consiste o temor? Como se teme os próprios pais? Não se sentando no lugar reservado a eles, não os interrompendo ou contradizendo suas palavras.

A mitsvá de honrar os pais é ainda mais importante para Hashem do que o respeito por Seu próprio Nome. Uma pessoa é obrigada a honrar o Eterno ao máximo de sua capacidade, na medida em que seus meios lhe permitam. Se lhes faltarem os meios, porém, ela está isenta dessa obrigação. Mas a pessoa deve honrar os pais mesmo se for pobre. Se lhe faltarem os meios, deve angariá-los de porta em porta, a fim de ajudar os pais a subsistir.

A seguinte história nos mostrará que a maneira pela qual a pessoa mostra respeito aos pais é ainda mais importante do que a forma do respeito propriamente dita.

Dois irmãos moravam numa cidade. O mais velho era rico, enquanto o mais novo vivia na pobreza, tirando seu sustento de um moinho de farinha. O pai certa vez foi visitar o filho mais velho. Este preparou um banquete, servindo-lhe o melhor que tinha em casa. Em seguida aprontou o quarto mais confortável, com uma cama limpa, para o pai descansar. Mas durante toda a visita não demonstrou nenhum amor ou paciência ao pai. Não lhe perguntou como estava, na verdade, mal falou com ele. Todos os seus atos se destinavam apenas a cumprir suas obrigações de respeito. O pai deixou a casa do filho mais velho e seguiu para a do mais novo. Como encontrou o filho labutando na pedra do moinho, o pai arregaçou as mangas e começou a ajudar. Antes do anoitecer os dois tinham acabado o serviço. Retornaram juntos à casa do filho mais novo, conversando ao longo do caminho. O filho perguntou sobre a saúde do pai com amor e preocupação. Nenhum banquete real os esperava em casa, mas o pouco que havia foi servido diante do pai com grande respeito. Anos depois, quando os dois filhos morreram, o mais moço, o filho pobre que quase nada tivera para oferecer ao pai além de temor e bondade, foi admitido no Paraíso e recebeu um lugar perto dos justos. Sobre isso foi dito: “Um filho pode dar ao pai gansos gordos para comer e não ganhar o Mundo Vindouro, enquanto outro filho pode fazer o pai trabalhar na pedra do moinho e ainda assim conquistar a vida eterna.”

Há três parceiros na criação da pessoa: Hashem, o pai e a mãe. Se alguém honra seus pais, o Eterno diz: “Considero como se Eu habitasse em seu meio, e honraram a Mim.” Se alguém causa aborrecimentos a seus pais, Hsshem diz: “É bom que Eu não habite em seu meio, pois se Eu estivesse entre eles, aborrecer-Me-iam também”.

A recompensa por honrar os pais é a longevidade no Mundo Vindouro. Apesar da principal recompensa estar guardada para o Mundo Vindouro, é uma das mitsvot das quais a pessoa recebe benefícios também neste mundo.

Nesta mitsvá estão incluídos os mandamentos de honrar um irmão mais velho, e o segundo marido ou esposa do pai ou da mãe.

Um relato: Rabi Yehoshua e o açougueiro

Certa vez, o grande Sábio Rabi Yehoshua escutou uma voz que lhe dizia em sonhos: “alegra-te, Rabi Yehoshua, pois tu e o açougueiro Nanas sentar-se-ão à mesma mesa no Paraíso”.

Yehoshua despertou pensando: “Quem é este Nanas? Estudei Torá toda minha vida, e não vou a lugar algum sem os tsitsit presos à minha roupa e os tefilin sobre a cabeça. Espero que meu vizinho no Paraíso seja também um sábio!”

Não podia esquecer o sonho. Disse a seus alunos: “Não terei paz enquanto não descobrir quem é este homem que se sentará a meu lado no Paraíso. Vou averiguar.”

Os estudantes lhe disseram: “Rabi, acompanhar-te-emos.”

Rabi Yehoshua e os alunos viajaram de cidade em cidade. Em cada uma perguntavam: “Conhecem um açougueiro chamado Nanas?”

Passou-se muito tempo até que o acharam. Finalmente, numa cidade, as pessoas responderam: “Por que tu, um justo, um sábio, perguntas por este açougueiro?”

“Por que, que tipo de pessoa é ele?”

“Verás por ti mesmo,” responderam. As pessoas foram até Nanas e lhe disseram: “O grande Rabi Yehoshua quer ver-te.”

Nanas, que não era um erudito, pensou que lhe estavam pregando uma peça e respondeu: “Não zombem de mim! Vão embora!”

Os mensageiros voltaram a Yehoshua e disseram: “Por que nos enviaste a tal homem? Nem ao menos quis falar conosco!”

“Preciso vê-lo,” insistiu Yehoshua. “Voltem a ele e o tragam.”

Os mensageiros voltaram a Nanas e o convenceram a ver Rabi Yehoshua.

Nanas se jogou aos pés do Sábio. “Por que deseja um líder do povo judeu ver um homem simples como eu?”

Yehoshua respondeu: “Quero saber o que fazes todos os dias. Cumpres algum ato especial?”

“Não faço nada de especial”, explicou Nanas. “Sou açougueiro. Trabalho em minha barraca. Tenho pais idosos que não podem se sustentar. Todos os dias, antes de ir ao trabalho, lavo-os, visto-os e alimento-os.”

Rabi Yehoshua ficou de pé, beijou Nanas e disse: “Quão grande é tua recompensa no Gan Eden! Que sorte a minha de ser seu vizinho no Paraíso. Fiquemos contentes pela recompensa que Hashem nos concederá: sinto-me feliz de saber que estarei junto a ti.”

O Sexto Mandamento: Não Matar

“Não Matarás!”

Moshê ordenou aos israelitas em nome do Eterno: “Meu Povo de Israel! Não mateis. Não sejam amigos ou sócios de assassinos, para que vossos filhos não aprendam a matar. Se pecarem e cometerem assassinato, o Templo Sagrado será destruído e a Shechiná abandonará a Terra de Israel.”

Aquele que derrama sangue mutila a Shechiná.

O imperador ordenou que erguessem estátuas suas na província recém-conquistada, e que se cunhassem moedas com sua imagem estampada. A população demonstrou seu descontentamento com o novo conquistador derrubando as estátuas com sua imagem, e destruindo as moedas com sua estampa.

Similarmente, aquele que mata um ser humano, que foi criado à imagem do Eterno, é como se prejudicasse o Próprio Criador.

A punição celestial para um assassino é que será assassinado por alguém.

Envergonhar outro ser humano (fazendo com que o sangue escoe de suas faces) é uma forma de assassinato.

O Sétimo Mandamento: Não Cometer Adultério

“Não cometerás adultério!”

Hashem pune a transgressão de adultério mais severamente, pois Ele é paciente no caso de qualquer pecado, exceto o da imoralidade.

“Não cometerás adultério!”, avisa o Eterno a Seu povo. A pessoa deve ser sempre humilde, comportando-se com modéstia em todo lugar, mesmo quando suas ações não forem visíveis. É uma mitsvá manter distância de pessoas grosseiras e indecentes para não aprender com seus maus hábitos.

Moshê disse aos hebreus em Nome do Eterno: “Não sejam adúlteros, nem sejam amigos ou sócios de adúlteros, para que vossos filhos não aprendam a ser adúlteros. Se cometerem este pecado, serão exilados da Terra de Israel e outras nações ali viverão, no lugar de vocês.”

O Oitavo Mandamento: Não Raptar

“Não Roubarás!”

A proibição de não roubar, nos Dez Mandamentos, refere-se a roubar vidas humanas. (Roubo de propriedade é proibido pelo versículo em Vayicrá, Lv. 19:11.)

Quem rapta uma pessoa e vende-o ou utiliza-o como escravo está sujeito à pena capital pelo tribunal.

Moshê ordenou em Nome do Eterno: “Povo de Israel! Não roubem, e não sejam amigos ou sócios de ladrões, para que vossos filhos não aprendam a roubar.”

O Nono Mandamento: Não Levantar Falso Testemunho

“Não levantarás falso testemunho contra teu semelhante!”

“Não darás falso testemunho contra teu próximo”, disse o Eterno ao povo.

“Eu criei tudo em Meu mundo. Só a falsidade não criei. Portanto, todo aquele que dá falso testemunho contra seu próximo está negando a Criação do mundo.”

Levantar falso testemunho leva à destruição da civilização. Faz com que vítimas sejam punidas por crimes que jamais cometeram. Também permite roubar, matar e oprimir outrem e escapar impune, através de falso testemunho. Aquele que testemunha em falso traz, desta forma, destruição ao mundo. Também nega a Providência do Criador.

Uma “falsa testemunha” é a pessoa que se apresenta perante um tribunal e atesta que viu algo que realmente nunca viu. Não faz diferença se dá falso testemunho para ajudar um amigo ou para prejudicar um inimigo: a Torá nos proíbe de ser testemunha falsa, independentemente da razão.

O Décimo Mandamento: Não Tentar Trazer à Posse de Alguém o que Pertence a Outrem

“Não cobiçarás a casa de teu semelhante, nem sua esposa, nem seus servos, nem nada que pertença a teu semelhante (e, como resultado, engendrar planos para consegui-los)!”

É proibido fazer qualquer tentativa de obter algo que pertença a outro porque alguém deseja possui-lo ele mesmo. Esta proibição inclui convencer alguém a vender algo que não deseja, pressionando-o a fazê-lo. Isto é proibido mesmo se lhe for pago integralmente. Tampouco é permitido desejar, mesmo no íntimo, as posses que pertencem a outros.

A Torá quer que cada pessoa sinta-se feliz com o que tem.

Moshê ordenou em nome do Eterno: “Não desejem o que pertence a outro, nem sejam amigos ou sócios de pessoas que cobiçam o que pertence a outros. Hashem os castigará se cometerem este pecado. O governo confiscará vossos bens.”

O perverso traço de desejar os bens de outrem faz com que a pessoa se torne criminosa, pois em seu impulso de obter o objeto de desejo, é capaz de tornar-se violento se lhe for negado. Pode estar preparado até para matar o dono de seu desejo.

Enquanto os primeiros cinco Mandamentos mencionam o Nome do Eterno, este é omitido dos cinco últimos. Hashem disse: “Que Meu Nome não seja associado a assassinos, adúlteros, ladrões, testemunhas falsas e pessoas invejosas e cobiçosas.”

Mitsvot Dadas Após os Dez Mandamentos

Depois dos Dez Mandamentos, o Eterno encomendou aos hebreus outra mitsvá. Disse a Moshê que lhes ordenasse: “Está proibido talhar imagens de pessoas, do sol, da lua, das estrelas ou anjos de madeira, pedra ou qualquer outro material. Mesmo se não têm intenção de adorar estas figuras, está proibido fazê-las. Assim, ficarão afastados da adoração de ídolos.”

Naquele mesmo dia, o Eterno também transmitiu as leis relacionadas com a construção de um altar.

O povo de Israel também recebeu no dia da Outorga da Torá, as Leis Civis Divinas, incorporadas à próxima parashá (Mishpatim).

A Mitsvá de Não Construir um Altar com Pedras Tocadas por Ferro

O Eterno também enunciou algumas leis sobre como se devia construir um altar:

  1. O altar deve estar apoiado sobre o piso. Não deve construir-se sobre pilares ou outro tipo de apoio.
  2. O altar de cobre para o sacrifício de animais no pátio do Tabernáculo deve estar cheio de terra. Esse altar era oco por dentro para poder ser preenchido com terra.
  3. Não se pode utilizar para cortar pedras para o altar do Templo Sagrado, nenhum instrumento de ferro, como machado ou similar.

O Eterno ordenou a Moshê: “As pedras utilizadas para a construção do altar não podem Ter sido cortadas por ferro. Portanto, não podem cortá-las na medida certa com cinzel ou martelo!”

O ferro é utilizado para fazer instrumentos com fins destrutivos. O altar é construído para trazer paz, e longa vida ao mundo, pois Hashem se reconcilia conosco e abençoa o mundo em razão dos sacrifícios que são oferecidos sobre ele. Por isso, nenhum instrumento que possa ser utilizado para encurtar a duração da vida humana pode ser levado em contato com o altar.

O Eterno disse: “Não deve o ferro, que corta a vida, tocar o altar que aumenta a vida!”

Disto aprendemos algo muito importante: Hashem ordenou que nenhum instrumento de ferro toque o altar, porque o altar traz a paz. Com certeza, o Eterno não permitirá que sofra dano alguém que faz a paz entre duas partes num conflito! Esta pessoa será seguramente protegida pelo Eterno.

As pedras para o altar eram das profundezas da terra ou do mar, onde não poderiam ser tocadas por ferro.

A Mitsvá de que Escadas Não Podem Conduzir ao Altar

Sobre a construção de um altar, o Eterno também ordenou: “Não construam escadas que conduzam ao altar. Construam, em vez disso, uma rampa que conduza a ele.”

Os degraus de uma escada fariam com que os cohanim (sacerdotes) alongassem o passo de maneira imodesta. Portanto o aceso ao altar se dava somente através de uma rampa.

Mesmo subindo a rampa, os cohanim tinham que andar devagar, dando pequenos passos, para evitar qualquer postura que possa parecer imodesta. Eles subiam ao altar de maneira digna, a fim de dar o devido respeito ao Tabernáculo e ao Templo Sagrado.

Mais ainda, a Torá afirma que seria desrespeitoso às próprias pedras do altar se o cohen subisse de maneira imodesta. Isto nos ensina uma importante lição. Se Hashem insiste que se deve dar respeito até a pedras inanimadas, quão mais sensíveis devemos ser com a honra de nosso semelhante, que foi criado à Sua imagem!

Que o eco do Monte Sinai permaneça vivo em nossos corações, e que possamos cumprir “Na’aseh venishma” com temor amoroso e alegria, transmitindo a Torá às nossas gerações até a redenção completa.

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