A Parashá Beshalach narra os milagres extraordinários que o Eterno realizou para proteger e sustentar os Bnei Israel após a saída do Egito: a travessia do Yam Suf, o Cântico do Mar, o adoçamento das águas de Mará, o maná e as codornizes, a água da rocha em Massá uMerivá e a batalha contra Amalec. Estas seleções do Midrash destacam a proteção divina constante, os testes de fé, a gratidão expressa no cântico e a luta eterna contra forças de dúvida e mal, servindo como lições profundas sobre confiança em Hashem, obediência às mitsvot e a importância da emuná em meio às provações do deserto.
As Nuvens da Shechiná Protegem os Bnei Israel no Deserto
O Eterno tirou os hebreus do Egito para levá-los à Erets Israel. O caminho mais curto para lá era cruzando através da terra dos Pelishtim (Filisteus). Porém, Hashem os conduziu por um caminho diferente, maior: ao redor da terra dos Pelishtim. O caminho mais curto, pensou o Eterno, tornaria demasiado fácil para os hebreus o retorno ao Egito. Assim que fossem atacados pelos inimigos, sentiriam medo e tratariam de voltar ao Egito. Por esta razão, Hashem os levou pelo caminho mais longo, através do deserto.
Como Moshê e os Bnei Israel sabiam o caminho? O Eterno enviou uma nuvem que os precedia, e eles a seguiam. À noite, uma coluna de fogo mostrava o caminho. Iluminava o povo de Israel, para que pudessem ver no escuro. Além disso, nuvens os rodeavam, dando-lhes proteção: uma a leste, outra a oeste e outra pelo sul. Uma outra nuvem se estendia debaixo dos seus pés como um tapete, para suavizar-lhes o caminho e levar os tsadikim (justos). Outra nuvem flutuava no ar sobre eles e os protegia do calor do sol. Toda a travessia do deserto foi feita sob a proteção de Hashem.
Uma parábola: Por que o Eterno enviou uma coluna de fogo à noite? Certa vez existiu um rei muito ocupado. Todos aqueles que tinham uma reclamação a fazer iam vê-lo, de modo que pudesse escutá-los e emitir um juízo que estabeleceria a paz entre as partes conflitantes. Os filhos do rei estavam sentados ao redor do trono, escutando os sábios pareceres emitidos pelo pai. Uns atrás dos outros, os súditos iam e vinham. Quando o último saiu, o dia havia chegado ao fim. Caía a noite. A sala do trono estava se tornando escura. O rei pôs-se de pé, acendeu uma tocha, e a colocou à frente dos filhos, para que pudessem achar o caminho e sair do palácio. Todos os nobres e serventes se apressaram em correr para ajudá-lo. “Não se preocupe em segurar a tocha para seus filhos, majestade!” exclamaram. “Nós o faremos.” O rei replicou: “Não seguro a tocha para meus filhos por não ter quem o faça por mim. Seguro-a eu mesmo porque desejo mostrar o quanto amo meus filhos. Então vocês os tratarão com o devido respeito.” De maneira análoga, o Eterno enviou sua coluna de fogo adiante dos Bnei Israel no deserto. Poderíamos dizer que “levou uma tocha por eles.” Fez isso para mostrar às nações o quanto ama os hebreus. Hashem esperava que as nações então dariam aos hebreus o merecido respeito.
O Faraó Persegue os Bnei Israel
Quando o Povo de Israel saiu do Egito, o faraó e toda sua corte se sentiram consternados. “Que erro cometemos ao deixar sair todos estes escravos hebreus!” lamentavam-se. “Agora eles têm até ouro e prata!” O primeiro pensamento do faraó foi perseguir o Povo de Israel, mas vacilou. Afinal, ele e seu povo acabaram de sofrer as dez terríveis pragas. Hashem, porém, fortaleceu o faraó na sua decisão de perseguir os Bnei Israel, pois queria que o exército do faraó se jogasse no Yam Suf (Mar Vermelho). Este seria o castigo final pela crueldade do faraó e dos egípcios, por haver afogado sem piedade os meninos hebreus no rio Nilo. O Eterno ordenou a Moshê: “Diga aos Bnei Israel que deem a volta e se encaminhem novamente ao Egito, para que o faraó pense que se perderam. Então os perseguirá.” Assim que o faraó escutou que os hebreus estavam se aproximando novamente do Egito, convocou os generais e o exército. “Os hebreus estão andando em círculos,” exclamou. “Parecem estar perdidos. Rápido, vamos atrás deles. Cavalgarei à frente do exército. Quando os alcançarmos, mataremos todos os hebreus e recuperaremos nosso dinheiro.” O próprio faraó preparou sua carruagem. Não quis esperar pelos criados, tão ansioso estava para persegui-los.
O Exército do Faraó se Aproxima
Quando os hebreus olharam para trás, viram que o exército do faraó os perseguia muito de perto e estava a ponto de alcançá-los. Ficaram apavorados. “O faraó nos levará de volta ao Egito para ter-nos novamente como escravos,” gritaram em pânico. “Ou farão isso ou nos matarão.” Começaram a fazer tefilá (orar) e a clamar por Hashem, rogando que os salvasse. Alguns hebreus que eram malvados (liderados por Datan e Aviram) queixaram-se a Moshê: “Por que nos tiraste do Egito? Agora o faraó nos destruirá!”
Uma parábola: A ave de rapina e a pombinha. Uma pombinha era perseguida por uma enorme e ameaçadora ave de rapina. A avezinha sabia que fugir não adiantaria de nada, pois não podia voar tão rápido como a ave de rapina. Tampouco podia lutar, pois era muito mais fraca. Logo a ave de rapina alcançaria a pombinha e a destroçaria. Voando, a avezinha procurava desesperadamente um lugar onde esconder-se. Logo descobriu uma rocha num campo que estava sobrevoando. Sobre a rocha, viu um espinheiro. Era perfeito! A pombinha podia refugiar-se ali, onde a ave de rapina não poderia segui-la. Entrou no espinheiro e se encontrou numa pequena cova na rocha. O que seria isso no fundo da cova? Para seu espanto, a pomba escutou um sibilar ameaçador. Uma serpente venenosa se aproximava, a língua em riste, a ponto de atacar. A cova era seu ninho. O que poderia fazer a pombinha? Se se adiantasse, a cobra a devoraria. Se retrocedesse, a ave de rapina a mataria. A pombinha começou a bater as asas, tentando atrair a atenção do dono do campo. Se pudesse escutá-la, espantaria a ave e mataria a serpente. De maneira similar, o Povo de Israel estava encurralado. À sua frente, abriam-se as vastas profundezas do Yam Suf (Mar Vermelho). Se seguissem adiante, se afogariam. Mas não podiam deter-se, pois às costas tinham o exército do faraó, pronto a matá-los. Que fazer? Clamaram ao Eterno. No céu, Avraham, Yits’chak e Yaacov também despertaram e oraram a Hashem. “Por favor, Eterno, ajuda nosso povo!” O Senhor disse: “Estava esperando que os hebreus orassem a Mim. Agora vou salvá-los.” O Eterno disse a Moshê: “Aceitei sua tefilá (oração), não precisas mais orar. Ordena aos Bnei Israel que sigam adiante, pois hei de salvá-los.” Os hebreus continuavam avançando. O exército egípcio os seguia. Hashem, porém, fez com que os egípcios não alcançassem os hebreus. Os egípcios trataram de atacar disparando flechas contra os hebreus pela retaguarda, mas o Eterno mudou a posição da nuvem que ia à frente dos Bnei Israel, deslocando-a para trás. A nuvem atalhou todas as flechas dos egípcios, de modo que nenhum hebreu ficou ferido.
Uma parábola: O pai cuida do seu filho. Um pai levava seu filho a um local que só podia ser alcançado cruzando-se um bosque escuro e solitário. “Não te preocupes” o pai tranquilizou o filho. “Cuidarei para que nada aconteça.” Começou a aterradora viagem. Logo um grito estranho rompeu a quietude do bosque. Um bandido armado com um facão pulou em frente aos viajantes, seguido por seu bando. Logo, o pai escondeu o filho atrás de si, apontou o revólver para a cabeça do líder e disparou, fazendo o mesmo com outro bandido. O resto da quadrilha fez meia volta e desapareceu a toda velocidade. O filho suspirou aliviado, mas a viagem não continuou sendo nada agradável. Um lobo apareceu por trás deles, rugindo ameaçadoramente. O pai pôs o filho diante de si, e disparou contra o lobo. Pouco depois, animais selvagens atacaram de todas as direções, mas o pai dominou a situação. Tomou o filho nos braços e não o soltou nem por um instante, enquanto o protegia. Logo chegaram a uma clareira, e o sol começou a castigá-los. O pai estendeu um manto sobre o menino para protegê-lo do sol. Quando o menino tinha fome, o pai o alimentava; quando tinha sede, dava-lhe de beber. Assim como o pai protegeu o filho de todos os perigos, o Eterno protegeu os hebreus na sua travessia pelo deserto, guiados por Moshê. Quando o faraó e seu exército atacaram os Bnei Israel, Hashem enviou Sua nuvem, que geralmente viajava na frente, para que os protegesse também atrás.
Kriat Yam Suf (Abertura do Mar)
Quando os hebreus estavam a ponto de chegar a Yam Suf (Mar Vermelho), Moshê lhes ordenou em nome do Eterno: “Sigam adiante! Hashem fará um milagre. O mar se abrirá.” Entretanto, grandes ondas se quebravam na praia. O mar estava tão bravo como sempre; poderoso e ameaçador. O Eterno estava aguardando. Queria pôr à prova o Povo de Israel para ver se realmente confiavam n’Ele e se acreditavam que secaria o mar. Continuariam entrando no mar? Nachshon ben Aminadav, o líder da tribo de Yehudá, não pensou duas vezes. Sua fé era tão forte que saltou ao mar sem temor. Os outros hebreus que confiavam em Hashem o seguiram. Continuavam adiante, embora a água lhes chegasse ao pescoço. O Eterno disse: “Sua grande emuná (fé) em Mim será recompensada.” Ordenou a Moshê que estendesse a mão. Toda a água recuou abrindo um caminho por entre as águas que formavam paredes altas dos dois lados. Então o restante dos hebreus cruzou pelo meio do mar, sobre terra firme.
Os Milagres Durante a Travessia
Não havia um só caminho através do mar, pois Hashem criou doze diferentes trilhas secas, pelas quais os Bnei Israel puderam cruzar. Deste modo, cada uma das doze shevatim (tribos) pôde cruzar pela sua própria trilha. À direita e à esquerda de cada trilha, a água se congelou para formar uma parede alta. A água também formou um teto sobre as cabeças, de modo que cada tribo caminhava por um túnel. As paredes e o teto protegiam os hebreus das flechas dos egípcios. Hashem também designou anjos especiais para que protegessem os túneis e cuidassem dos Bnei Israel para que não sofressem nenhum dano. O que acontecia se um menino hebreu sentisse sede ao cruzar Yam Suf (Mar Vermelho)? Assim que pedia água, a parede congelada a seu lado se abria e dela surgia uma fonte de água fresca. Assim que o menino terminasse de beber, o manancial voltava a transformar-se em gelo. Se uma criança tinha fome e começava a chorar, acontecia outro milagre. As paredes de Yam Suf (Mar Vermelho) produziam de imediato uma maçã ou uma romã ou o que a criança desejasse. A mãe estendia a mão, pegava a fruta e a dava ao menino. Este começava a sorrir e desfrutava o resto da travessia pelo mar. Todos os hebreus cruzaram sãos e salvos.
Quais foram os milagres que o Eterno fez no Mar Vermelho? Ética do Sinai, Mishná 5:5, responde – Dez Milagres foram feitos pelo Eterno no Mar Vermelho a favor de nossos pais. Os 10 Milagres foram:
- O Mar se abriu em 12 túneis;
- Um vale se formou em cada túnel;
- Se formou 12 paredões em forma de riachos;
- A terra do leito do mar ficou igual uma argila para as rodas dos carros egípcios atolarem nela;
- Embora seria natural haver vegetação aquática, o mar se tornou um deserto para facilitar a fuga hebraica e não se agredir a natureza;
- O mar se retirou de tal forma que a umidade normal nos túneis desapareceu e se desintegrou;
- O Mar se abriu e um caminho pavimentado de pedras aparecia diante dos israelitas, mas se desfazia em seguida diante dos egípcios que eram atingidos por elas, pois os anjos as atiravam no exército faraônico;
- O Mar se transformou de argila em terra seca para que as rodas dos carros egípcios se quebrassem;
- Os 12 riachos que formaram paredões se tornaram muros que impediam predadores aquáticos de atacarem os israelitas durante a sua travessia;
- As nuvens da Glória Divina pousaram sobre Israel na travessia, impedindo que os raios solares aquecessem as águas de forma que não se queimaram, assim como impediu o reflexo da luz para que não ficassem cegos com a claridade e conseguissem a travessia. Adicionalmente, o Midrash revela que foi possível crianças se alimentarem na travessia por suas mães e até água potável surgiu para os israelitas saciarem sua sede. B”H!😇 Fonte: Ética do Sinai, de Irving M. Bunim, 7ª Edição. (p. 324-328). Editora Sêfer: SP, 1998
O Faraó e seu Exército se Afogam
O exército do faraó também estava se aproximando do mar. Os egípcios atravessaram uma tormenta de granizo e carvões ardentes, que Hashem jogou sobre eles, para confundi-los. Os primeiros soldados egípcios entraram no mar imediatamente depois dos Bnei Israel. Para eles, o mar não era terra firme como para os hebreus. Para os egípcios, o solo estava cheio de barro pois a coluna de fogo mandada pelo Eterno fazia com que a terra ficasse tão quente que os cascos dos cavalos caíram por causa do calor e as rodas das carruagens se incendiaram. Por isso, os cavalos dos egípcios não podiam deter-se e regressar. Hashem os fez arrastar as carruagens mais e mais mar adentro. A cada passo que davam, as carruagens sacudiam de um lado a outro, pois haviam perdido as rodas. Os que iam sentados nelas estavam doloridos. “Saiamos daqui!” gritavam. “O Eterno está lutando pelos hebreus.” Porém, por mais que tentassem voltar com a carruagem, não o puderam. Hashem fez com que os cavalos continuassem sua marcha adiante, e arrastassem os egípcios a uma morte horrível. Quando o último dos hebreus havia saído dos túneis, e todos os egípcios estavam no meio do mar, Hashem ordenou a Moshê: “Estende a mão!” Quando Moshê obedeceu, a água que havia formado paredes sólidas se dissolveu, e voltou a ser mar. Derramou-se em jorros sobre os egípcios, suas carruagens e seus cavalos. Os egípcios saíram das carruagens e ficaram de bruços na água. Ao mesmo tempo em que os egípcios caíam na água, todos os egípcios que haviam permanecido no Egito também foram castigados. (O Midrash não relata de que forma foram castigados.)
O Fim do Faraó
Existem opiniões diferentes no Midrash sobre se o faraó se afogou ou não. Segundo uma opinião, o faraó foi o último dos egípcios a cair no Yam Suf. De acordo com esta opinião, o anjo Gabriel desceu e manteve o faraó com vida debaixo da água durante 50 dias, infligindo-lhe terríveis sofrimentos. Assim foi castigado por suas palavras zombeteiras. “Quem é Hashem que devo escutá-Lo?” Como a palavra “quem” tem valor numérico de 50, o castigo do faraó no mar foi prolongado por 50 dias antes de morrer. Segundo outra opinião, o Eterno salvou o faraó da morte. Embora a princípio o faraó tenha zombado, mais tarde fez teshuvá (se arrependeu) quando viu seu exército se afogar. Quando caiu no Yam Suf (Mar Vermelho), exclamou: “Quem entre os poderosos é como Tu, ó Eterno!!” Quando Hashem viu que o faraó havia feito teshuvá, disse: “Hei de salvá-lo e ele falará ao mundo todo acerca de Minha grande força e os milagres que realizei.” O Eterno enviou um anjo para tirar o faraó da água. O anjo levou o faraó a uma cidade chamada Ninive, onde mais tarde tornou-se rei e levou todo o povo a fazer teshuvá, nos dias do profeta Yoná. O Midrash conclui: “Ambas opiniões são corretas: primeiro Hashem fez o faraó sofrer e afogar-se; ficou debaixo da água e foi coberto por ela. Mas o Eterno o salvou antes que morresse.”
O Povo de Israel Entoa um Cântico de Agradecimento ao Eterno
O dia em que os egípcios se afogaram era o sétimo dia de Pêssach, dia que os hebreus saíram do Egito. A Torá nos ordena que celebremos o sétimo dia de Pêssach como Yom Tov, dia em que não podemos trabalhar. Esse dia é marcado como o dia da libertação dos hebreus do Egito. Até então, ainda corriam perigo de ser destruídos pelo exército do faraó. Quando os Bnei Israel viram os maravilhosos milagres do Eterno e compreenderam que haviam sido salvos e os egípcios castigados, depositaram toda sua confiança em Hashem e Moshê. O Eterno lhes deu ruach hacodesh (profecia), e todos entoaram uma shirá, um cântico de louvor ao Todo Poderoso. Começava assim: “Cantarei ao Eterno pois Ele é sumamente se engrandeceu. O cavalo e seu cavaleiro ergueu no mar.” E terminava com as seguintes palavras: “Hashem reinará para todo o sempre. (Assim como castigou os egípcios, castigará todos aqueles que se rebelam contra Ele, e salvará aqueles que O escutam.)” As mulheres dançavam e cantavam em separado. No Yam Suf (Mar Vermelho), o Povo de Israel se tornou ainda mais rico que quando saíram do Egito. Os cavalos egípcios estavam adornados com ouro, prata e pedras preciosas. Hashem fez com que o mar arrastasse todos estes metais e pedras preciosas até a costa, onde os Bnei Israel recolheram os tesouros.
O Eterno Adoça a Água Amarga de Mará
Os hebreus continuaram viajando pelo deserto para chegar ao monte Sinai. Ali, Hashem lhes entregaria a Torá. (Como se lembram, o motivo pelo qual o Eterno liberou os hebreus do Egito era entregar-lhes a Torá no Monte Sinai.) Entretanto, Hashem quis pôr os hebreus à prova para ver se confiavam n’Ele, e se mereciam receber sua preciosa Torá. Uma prova aconteceu em Mará, caminho do monte Sinai. Quando o Povo de Israel chegou a Mará, a água desse lugar era amarga e não servia para beber. (Mará significa amarga; a Torá chama este lugar por que a água era amarga lá). Por isso, o Povo de Israel tinha estado procurando água, uma fonte ou um poço, por três dias. Não haviam encontrado água e tinham muita sede. Hashem estava pondo os Bnei Israel à prova. Protestariam ou confiariam no Eterno e rezariam a Ele? A maioria do povo não protestou. Apenas os erev rav (mistura de povos convertidos) e os reshaim (malvados) murmuraram: “O Que haveremos de beber?” Hashem prometeu a Moshê: “Realizarei um milagre para os Bnei Israel. Apanhe um ramo da árvore que te mostrarei e joga-o na água amarga!” O Eterno mostrou a Moshê um ramo de sabor amargo. Hashem ordenou: “Agora, joga o ramo na água amarga.” Moshê obedeceu e a madeira amarga adoçou toda a água. Agora os Bnei Israel tinham água suficiente para beber. Todos os hebreus viram o grande poder do Eterno. O erev rav fez teshuvá por haver protestado. Em Mará, o Eterno deu aos hebreus alguns estatutos da Torá, ainda antes dos Dez Mandamentos, de maneira que se acostumassem a observar Torá. Uma das chukot que aprenderam em Mará foi guardar o Shabat.
Maná – O Alimento da Fé
Um mês depois de deixar o Egito, em 15 de Iyar, o Povo de Israel havia utilizado toda a massa que havia levado. Estavam agora no deserto, onde não crescia vegetação alguma. Como poderiam obter comida? Desta vez todos os hebreus, não apenas o erev rav, protestaram. “Trouxeste-nos ao deserto para morrer de fome?” queixaram-se a Moshê e Aharon. “Dê-nos pão e carne!” O Eterno anunciou aos Bnei Israel: “Dar-lhes-Ei pão e carne. Posso alimentar toda uma nação no deserto. Estais certos em pedir pão, pois estais famintos, mas não devereis pedir carne, pois poderiam ter sacrificado alguns dos animais que tendes. Não obstante, dar-lhes-ei carne também. Mas para demonstrar que estou aborrecido, recebereis a carne à tarde, quando já não tereis muito tempo de prepará-la para a ceia.” No dia seguinte, quando os hebreus despertaram, o deserto estava coberto de grãos brancos e brilhantes. Haviam caído do céu durante a noite. “Que é isso?” perguntaram os hebreus com assombro. “É a comida que Hashem nos envia” explicou Moshê. De agora em diante, serão encontradas sobre o solo todas as manhãs. O Povo de Israel chamou o novo alimento de man, maná. Ao comê-la, viram que era doce e deliciosa. Hashem ordenou a cada pai que todos os dias recolhesse um omer (pouco mais de dois quilos) por cada membro da família. A maioria dos pais não pegava a medida exata. Alguns recolhiam um pouco mais de um omer por pessoa, outros menos. Mas, quando chegavam em casa e o pesavam, sempre havia exatamente um omer para cada membro da família. Se haviam recolhido a menos, o maná aumentava; se fosse demais, o maná diminuía. Após comer o maná, Moshê ensinou os hebreus a recitar o bircat hamazon (bênção de agradecimento pelo pão) até as palavras hazan et hakol. Todas as manhãs, quando o Povo de Israel despertava, o café da manhã estava pronto para ser recolhido e degustado. Os tsadikim (justos) encontravam suas refeições à entrada das tendas. Hashem lhes facilitava a comida para que não perdessem tempo do estudo de Torá e no cumprimento das mitsvot. Aqueles que não eram tsadikim tinham que andar um pouco mais para recolher o maná. Os reshaim (malvados) tinham que andar bastante. Que gosto tinha o maná? Era doce e delicioso. Podia ter qualquer sabor que se desejasse. Bastava que a criança dissesse: “Queria que meu maná fosse mel”, e este tinha gosto de mel. Qual a quantidade de maná que chovia todas as manhãs? O suficiente para alimentar os hebreus por dois mil anos! Logo, os hebreus estavam usando apenas a mínima parte do maná que caía. A maior parte ficava no chão e se derretia sob o sol. Por que o Criador permitia tamanho desperdício? É porque Ele queria mostrar Seu grande poder: podia fornecer muito mais do que somos capazes de consumir.
As Mitsvot Relacionadas com o Maná
Moshê advertiu o Povo de Israel: não guardem maná de um dia para o outro. Todas as manhãs receberão maná fresco. Os hebreus obedeceram, exceto os reshaim (malvados) Datan e Aviram – os mesmos repreendidos por Moshê no Egito por estarem brigando – que não confiaram nas palavras de Moshê. E se amanhã o maná não caísse? Guardaram um pouco, só para ter certeza… Mas tiveram uma surpresa desagradável. Não puderam comer o resto do maná no outro dia, porque tinha um odor horrível e estava cheio de vermes. Moshê estava aborrecido com Datan e Aviram. Geralmente Hashem protegia os hebreus de todos os insetos e bichos, e agora esses reshaim tinham feito com que um alimento maravilhoso e celestial ficasse infestado de vermes! Quando chegou sexta-feira, erev (véspera) Shabat aconteceu algo estranho. Os pais recolheram um omer de maná como de costume. Mas ao chegar em casa, viram que a porção estava duplicada! Cada omer se transformara em dois! Que significava isto? Moshê explicou: “Amanhã é Shabat e não cairá maná, pois Shabat é um dia dedicado ao Santíssimo, Bendito Seja Ele, um dia de descanso de 39 Tipos de Trabalho e suas derivações. Todas as sextas-feiras recebereis porção dupla de maná, para durar até o final de Shabat.” Alguns não acreditaram. Outros desobedeceram a ordem. “Sairemos no Shabat para buscar maná!” Naturalmente, tratava-se de Datan e Aviram. Porém por mais que procurassem, não acharam maná em lugar algum. O Eterno estava descontente com eles e castigou-os por seu comportamento. O Eterno ordenou a Moshê: “Guarda um pouco de maná num frasco para que as futuras gerações possam saber como os judeus se alimentaram no deserto.” Durante a travessia do deserto, encontravam maná todas as manhãs. À noite, o Eterno dava carne aos Bnei Israel. Fazia cair aves slav sobre o acampamento. Eram aves casher, gordas e saborosas, que os hebreus podiam comer.
Hashem Dá aos Bnei Israel Água de uma Rocha num Lugar Chamado Massá Umerivá
O povo de Israel se encontrava agora num lugar no deserto onde não havia fontes de água. E os hebreus tinham muita sede. Os hebreus que não eram grandes tsadikim (justos) começaram a protestar: “O Eterno não está ao nosso lado. Por que não nos dá água?” Hashem havia dito a Moshê: “Agora Vou fazer um milagre. Toma teu cajado. Escolha uma rocha e bata nela com o cajado até que se parta. Um milagre acontecerá e a água brotará da rocha.” Moshê golpeou a rocha perante os zekenim (70 anciãos do Sinédrio) do povo. Brotou tal quantidade de água da rocha que puderam beber à vontade. Os hebreus chamaram a rocha de “Poço de Miriam”, pois sabiam que Hashem lhes havia dado água no deserto por mérito da irmã de Moshê, Miriam, que era uma grande tsadeket (justa). Desde então, durante toda a travessia do deserto, tiveram água em abundância, pois o Poço de Miriam os acompanhou onde quer que fossem.
A Batalha Contra Amalek
Amalek era neto de Essav. Os filhos e descendentes de Amalek, os amalekitas, odiavam os Bnei Yisrael. Os amalekitas haviam escutado que Hashem estava protegendo os israelitas e que havia dividido as águas do Yam Suf (Mar Vermelho) para salvá-los. Mas não deram importância. As outras nações não ousavam atacar os israelitas depois do milagre da separação do mar, mas os amalekitas não ligavam e decidiram atacar os Bnei Israel. Não apenas odiavam os israelitas, como também eram inimigos do Eterno, pois não O temiam. Os amalekitas se infiltraram no acampamento de Israel e começaram a atacar os israelitas que caminhavam fora das nuvens de Shechiná. (Tinham de caminhar atrás das nuvens, pois estavam em processo de purificação ritual para reingressar à noite no acampamento israelita). Moshê disse a seu aluno Yehoshua: “Os amalekitas pensam que nos vencerão, pois o antepassado Essav foi abençoado por Yitschak com as palavras: ‘Tu ganharás a guerra.’ Hei de orar a Hashem para que possamos ganhar deles. Irei ao alto da colina, para orar ali, de modo que todos os israelitas me vejam e dirijam seus corações ao Eterno junto comigo.” “Você, Yehoshua, prepare um exército de tsadikim para lutar contra Amalek.” Yehoshua escolheu um exército de tsadikim. Moshê subiu à colina, com seu irmão Aharon e seu sobrinho, Chur Ben Miriam. Ordenou aos Bnei Israel que jejuassem neste dia. Moshê sentou-se sobre uma pedra, elevou as mãos ao céu e fez tefilá (oração). Quando o Povo de Israel olhou para cima e viu Moshê, também dirigiram suas orações e corações ao céu. O Eterno escutou suas preces e fortaleceu o exército de Yehoshua para lutar contra os amalekitas. Porém, os braços de Moshê começaram a enfraquecer de cansaço. Já não podia mantê-los ao alto. Quando os israelitas viram isso, ficaram desanimados e já não podiam continuar dirigindo com a mesma força e ânimo seus corações para Hashem, e então o exército de Amalek se fortaleceu. Aharon e Chur ofereceram ajuda a Moshê. Elevaram os braços dele e os seguraram. Quando os israelitas viram que os braços de Moshê estavam todo o tempo elevados, continuaram orando com todas as forças. O Eterno aceitou as tefilot (preces) dos Bnei Israel e considerou que era seu povo escolhido. Concedeu a vitória a Yehoshua e seu exército. Os amalekitas perderam a batalha e voltaram a seu país. Hashem disse a Moshê: “Quando os israelitas se estabelecerem em Erets Israel e tiverem seu próprio rei, sua primeira tarefa será lutar contra os amalekitas. Todos os reis de Israel deverão combatê-los, até que toda a nação seja destruída. Eu também ajudarei a aniquilar os amalekitas, pois são uma nação de réprobos, que não Me temem.”
Uma parábola: Amalek se assemelha a uma mosca. Você já viu um enxame de moscas? Sabem o que as atrai? Basta deixar um pedaço de carne apodrecer em um lugar aberto e logo estará coberto de moscas. As moscas sentem a podridão e se sentem atraídas. Mesmo se as espantarmos, voltarão. Nossos Sábios comparam a nação de Amalek com as moscas. “Sentem” quando os israelitas estão “podres” (fracos ou maus). Toda vez que os judeus fraquejam no estudo de Torá e mitsvot, atacam. Em todas as gerações, o Eterno nos envia Amalek (ou outros inimigos) que nos causam problemas se não estudamos e cumprimos Torá. Voltam de novo e de novo, se não guardamos Torá. Apenas se formos fortes no cumprimento de Torá e mitsvot o Eterno nos protege dos ataques de Amalek.
Que estas narrativas midráshicas nos inspirem a fortalecer nossa emuná em Hashem, a expressar gratidão pelos milagres cotidianos e a combater toda forma de dúvida e mal, confiando na proteção constante da Shechiná em nossa jornada espiritual.
