A Parashá Bô, que significa “Vem”, conclui o Livro de Êxodo com as três últimas pragas sobre o Egito – gafanhotos, escuridão e morte dos primogênitos –, levando à redenção dos israelitas após 430 anos de escravidão. D’us endurece o coração do Faraó para multiplicar Seus sinais, demonstrando Seu domínio absoluto sobre a criação, os elementos e os falsos deuses egípcios. A porção detalha as instruções para o Pêssah (Páscoa), incluindo o sacrifício pascal, a marcação das portas com sangue para proteção divina, a proibição de alimentos fermentados e a santificação dos primogênitos. Temas centrais incluem a distinção entre Israel e as nações, a importância da memória geracional da redenção, a obediência aos mandamentos divinos e a transição da escravidão para a liberdade, servindo como fundação para as festas judaicas e lições eternas de fé, gratidão e elevação espiritual.
Êxodo 10:1–20 – A Oitava Praga: Os Gafanhotos
10:1–2 Resumo: D’us instrui Moisés a confrontar o Faraó, explicando que endureceu seu coração para manifestar milagres, permitindo que as gerações futuras contem sobre a humilhação do Egito e reconheçam a soberania divina. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi explica que o endurecimento do coração do Faraó foi para multiplicar os sinais, ensinando que D’us pune os opressores com justiça (baseado em Midrash Tanchuma, Bo 1). O Talmud (Sanhedrin 96a) discute como esses milagres servem para educar as gerações, ecoando o mandamento de contar a história na Hagadá de Pêssah. Ramban (Nachmanides) nota que os milagres abertos revelam os ocultos, formando a base da Torá, onde a natureza é milagrosa (Ramban em Êxodo 13:16, aplicável aqui). Cabalísticos: Zohar (Bo 34a) interpreta o endurecimento como uma elevação das centelhas sagradas presas nas klipot (cascas espirituais) egípcias, associando os gafanhotos a Gevurah (severidade), quebrando a rigidez do Faraó e liberando energia espiritual para a redenção.
10:3–6 Resumo: Moisés e Aarão advertem o Faraó a libertar os hebreus, ameaçando uma praga de gafanhotos que devorarão o que restou do granizo, enchendo casas e campos como nunca antes. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi observa que os gafanhotos visam destruir a vegetação remanescente, simbolizando a destruição econômica do Egito (baseado em Midrash Rabbah, Bo 12:3). O Talmud (Ta’anit 8a) liga isso à humildade, comparando o Faraó a uma praga que recusa se curvar. Sforno enfatiza que Moisés sai abruptamente para mostrar desprezo pela teimosia do Faraó. Cabalísticos: Zohar (Bo 35b) vê os gafanhotos como manifestação de Din (julgamento), consumindo as forças impuras do Egito, associadas às sefirot inferiores, preparando o caminho para a revelação de Chesed (bondade) na redenção.
10:7–11 Resumo: Servos do Faraó imploram para libertar os hebreus, reconhecendo a ruína do Egito; o Faraó permite que apenas homens vão, mas Moisés insiste em incluir todos, levando à expulsão. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Midrash (Shemot Rabbah 13:3) que os servos veem a perda iminente, mas o Faraó resiste por orgulho. Ramban discute o livre-arbítrio, notando que o endurecimento divino preserva a escolha do Faraó para punição completa. Cabalísticos: Zohar (Bo 36a) interpreta a resistência como klipot se agarrando às centelhas, com a insistência de Moisés representando a unificação de todas as almas israelitas nas sefirot.
10:12–15 Resumo: Moisés estende sua vara, trazendo gafanhotos via vento oriental que cobrem a terra, devorando toda vegetação remanescente. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi explica o vento como instrumento divino, baseado em Talmud (Berachot 59a), enfatizando controle sobre a natureza. Midrash (Tanchuma Bo 7) descreve a praga como única, sem precedentes. Cabalísticos: Zohar (Bo 37b) associa gafanhotos a Netzach (vitória), consumindo as impurezas egípcias para purificar o mundo inferior.
10:16–20 Resumo: O Faraó confessa pecado e pede remoção; Moisés ora, e um vento ocidental leva os gafanhotos, mas D’us endurece o coração do Faraó novamente. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi nota a confissão parcial, citando Midrash (Shemot Rabbah 13:4), onde o Faraó peca contra D’us e Moisés. Talmud (Sanhedrin 105a) discute arrependimento falso. Cabalísticos: Zohar (Bo 38a) vê o vento ocidental como Hod (glória), removendo klipot, mas o endurecimento mantém o equilíbrio para milagres futuros.
Êxodo 10:21–29 – A Nona Praga: A Escuridão
10:21–23 Resumo: Moisés estende a mão, trazendo escuridão espessa por três dias, imobilizando egípcios, enquanto israelitas têm luz. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Midrash (Shemot Rabbah 14:1-3) que a escuridão serve para matar israelitas ímpios em segredo e permitir que israelitas localizem bens egípcios. Talmud (Megillah 16a) discute a distinção divina. Ramban explica milagres ocultos na natureza. Cabalísticos: Zohar (Bo 39a) interpreta escuridão como excesso de luz cegante, associada a Chochmah (sabedoria), revelando distinção entre kedushá (santidade) e klipot.
10:24–26 Resumo: O Faraó permite partida sem gado; Moisés recusa, insistindo em sacrifícios. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi observa negociação falha, baseado em Midrash (Tanchuma Bo 9). Cabalísticos: Zohar (Bo 40a) vê gado como Malkhut (reino), essencial para serviço divino.
10:27–29 Resumo: D’us endurece o coração do Faraó; ele ameaça Moisés de morte. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Midrash (Shemot Rabbah 14:4) sobre fúria do Faraó. Cabalísticos: Zohar (Bo 41b) associa à separação final de forças impuras.
Êxodo 11:1–10 – O Anúncio da Décima Praga: A Morte dos Primogênitos
11:1–3 Resumo: D’us anuncia praga final; israelitas pedirão prata e ouro; Moisés é honrado. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi explica graça divina, baseado em Talmud (Berachot 9a). Ramban discute reparações. Cabalísticos: Zohar (Bo 42a) vê como elevação de centelhas das klipot.
11:4–8 Resumo: Moisés avisa sobre morte de primogênitos; clamor no Egito; distinção para Israel. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Midrash (Shemot Rabbah 15:12) sobre meia-noite precisa. Talmud (Sanhedrin 39b) discute distinção. Cabalísticos: Zohar (Bo 43b) associa a Binah (entendimento), julgando primogênitos como raízes de impureza.
11:9–10 Resumo: Faraó não escuta; milagres multiplicam. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi nota cumprimento profético. Cabalísticos: Zohar (Bo 44a) vê como preparação para revelação de YHVH.
Êxodo 12:1–20 – As Instruções para o Pêssah e os Pães Não Fermentados
12:1–2 Resumo: Novo calendário lunar inicia com Nisan. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi explica santificação da lua (Rosh Hashaná 22a). Ramban discute renovação. Cabalísticos: Zohar (Bo 45a) associa a Tiferet (beleza), renovando criação.
12:3–13 Resumo: Seleção de cordeiro, degola, sangue nas portas, carne assada; D’us passará, ferindo egípcios. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Mechilta (Bo 7) sobre unidade familiar. Talmud (Pesachim 64b) discute sacrifício. Ramban vê como rejeição de ídolos egípcios. Cabalísticos: Zohar (Bo 46b) interpreta cordeiro como Yesod (fundamento), sangue como sinal de aliança, protegendo de Din.
12:14–20 Resumo: Festa eterna; sete dias de matsá, sem fermento. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi explica banimento de chametz (Pesachim 5a). Midrash (Mechilta Bo 9) liga a humildade. Cabalísticos: Zohar (Bo 47a) vê chametz como yetzer hara (impulso mau), matsá como pureza de Malkhut.
Êxodo 12:21–28 – O Sacrifício Pascal e a Preparação para a Saída
12:21–23 Resumo: Moisés instrui anciãos sobre cordeiro, hissopo, sangue; D’us saltará sobre casas. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Midrash (Mechilta Bo 11) sobre hissopo simbolizando humildade. Talmud (Pesachim 96a) discute proteção. Cabalísticos: Zohar (Bo 48b) associa hissopo a Netzach, sangue a Gevurah protetora.
12:24–28 Resumo: Estatuto perpétuo; explicação a filhos; israelitas obedecem. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi enfatiza transmissão geracional (Hagadá). Cabalísticos: Zohar (Bo 49a) vê como unificação de gerações nas sefirot.
Êxodo 12:29–42 – A Décima Praga, a Saída do Egito e o Despojamento dos Egípcios
12:29–33 Resumo: Morte de primogênitos; clamor; Faraó urge saída. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Midrash (Shemot Rabbah 18:10) sobre pânico. Talmud (Berachot 9b) discute meia-noite. Ramban nota milagres ocultos. Cabalísticos: Zohar (Bo 50a) interpreta como julgamento de Chochmah, destruindo raízes impuras.
12:34–36 Resumo: Massa não fermentada; pedem bens; Egito despojado. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi explica cumprimento de promessa (Gênesis 15:14). Midrash (Mechilta Bo 13) vê como salários devidos. Cabalísticos: Zohar (Bo 51b) vê como elevação de centelhas sagradas.
12:37–42 Resumo: 600.000 saem; multidão mista; 430 anos; noite de guarda. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi calcula exato 430 anos (Megillah 9a). Ramban discute erev rav (multidão mista). Cabalísticos: Zohar (Bo 52a) associa erev rav a klipot misturadas, necessitando retificação.
Êxodo 12:43–51 – Leis Adicionais do Pêssah
12:43–49 Resumo: Nenhum estrangeiro come; circuncisão para prosélitos; lei única. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Mechilta (Bo 15) sobre inclusão de convertidos. Talmud (Pesachim 96b) discute ossos não quebrados. Cabalísticos: Zohar (Bo 53b) vê circuncisão como aliança em Yesod.
12:50–51 Resumo: Israelitas obedecem; saída por exércitos. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi enfatiza obediência. Cabalísticos: Zohar (Bo 54a) interpreta exércitos como ordens angélicas.
Êxodo 13:1–16 – A Santificação dos Primogênitos e a Lembrança da Saída do Egito
13:1–2 Resumo: Consagra primogênitos a D’us. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi explica santidade (Bechorot 4b). Ramban liga a morte de primogênitos egípcios. Cabalísticos: Zohar (Bo 55a) associa primogênitos a Keter (coroa).
13:3–10 Resumo: Lembra saída; matsá sete dias; sinal na mão e olhos. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi cita Midrash (Mechilta Bo 17) sobre tefilin. Talmud (Menachot 36a) discute. Ramban vê milagres como base da fé. Cabalísticos: Zohar (Bo 56b) interpreta tefilin como unificação de Chochmah e Binah.
13:11–16 Resumo: Separa primogênitos na Terra Prometida; resgate; explicação a filhos. Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi explica resgate (Bechorot 51a). Midrash (Shemot Rabbah 19:7) liga a mão forte. Cabalísticos: Zohar (Bo 57a) vê como retificação de centelhas, sinal em tefilin para memória espiritual.
A Parashá Bô nos inspira a viver com consciência dos milagres divinos, tanto abertos quanto ocultos, cultivando fé e transmitindo a herança da redenção para perpetuar a conexão com o Divino em todas as gerações.
