Midrash da Parashá: Vaerá

A Parashá Vaerá aprofunda a revelação do Nome Sagrado do Eterno (YHVH) a Moshê, a reafirmação da aliança com os patriarcas e o início das pragas que demonstram o domínio absoluto de Hashem sobre o Egito e seus deuses falsos. Os midrashim destacam a compaixão mútua dos hebreus na escravidão, o endurecimento do coração do Faraó como castigo divino, os sinais milagrosos que superam a magia egípcia e as lições profundas das dez pragas como etapas de redenção e evolução espiritual. Que estas narrativas fortaleçam nossa confiança nas promessas eternas de Hashem e nos inspirem a perseverar na fé mesmo nas provações mais duras.

Hashem Envia Moshê para Avisar os Hebreus que Serão Libertos

Moshê perguntou ao Eterno: “Por que me mandaste aos hebreus se apenas piorei as coisas? Antes de eu falar com o Faraó, os egípcios proporcionavam palha aos hebreus para fazer tijolos. Mas depois que me enviaste ao palácio, o Faraó ordenou que os hebreus juntassem sua própria palha.”

O Eterno se aborreceu com Moshê e respondeu: “Não me critiques! Tenho boas razões para tudo que estou fazendo.”

Os hebreus foram obrigados a trabalhar até os limites de suas forças para satisfazer as exigências do Faraó. Porém, não se concentraram em seus próprios problemas, porque recordaram que cada hebreu estava passando pela mesma situação. Ao terminar o dia, quando o corpo estava tão exausto que mal podia mover-se, um hebreu que havia terminado o trabalho ainda ajudava o outro a terminar sua tarefa.

Hashem viu como os hebreus mostravam compaixão uns pelos outros. De modo que, também, mostrou compaixão por eles e ordenou a Moshê: “Vá a todos os lugares onde trabalha o Povo de Israel e diga: ‘Logo o Eterno vos tirará daqui!’ Escutei vossas tefilot (preces) e tenho visto como ajudam uns aos outros! Assim como vocês se mostram compassivos entre vós, Hashem mostrará compaixão também!”

Moshê foi aos lugares onde os hebreus trabalhavam e anunciou: “Escutem, ó Bnei Yisrael! Logo estareis livres e Hashem vos levará à Terra que emana leite e mel!”

Mas os hebreus tinham tanto medo dos supervisores do Faraó que não deixaram de trabalhar nem um minuto para escutar Moshê.

As 10 Pragas do Egito Representam Evolução Pessoal para Sermos Livres Existencialmente

No Zôhar (vol. 3, Parashá Bô, p. 64), aprendemos que a Morte dos Primogênitos simbolizou a revelação da Sefirá Kéter, quando Israel foi salvo por ter, pela primeira vez, demonstrado fé pública no Criador, arriscando a própria vida para obedecê-Lo (pois era proibido matar cordeiros no Egito, já que os consideravam seres sagrados, e quem o fizesse era condenado à morte).

Isto quer dizer que para sermos livres — com sensações diversas, desde a auto realização pessoal por um sonho a se tornar palpável no mundo físico até a satisfação do íntimo dever cumprido, em que se começa a viver sua missão na terra de verdade — há 10 etapas representadas pelas 10 pragas.

Moshê e Aharon Mostram Sinais ao Faraó

O Eterno disse a Moshê e Aharon: “Agora volta ao Faraó e diz: ‘O Eterno te ordena: Deixa os hebreus irem embora.’ Se o Faraó pede um sinal de que sou o Senhor que o envia, que Aharon pronuncie as palavras: ‘Cajado – transforme-se em serpente.’ Então transformarei o bastão de Aharon em serpente.”

Com efeito, aconteceu que quando Moshê e Aharon foram ver o Faraó, este lhes pediu um sinal. Aharon jogou o cajado ao solo e pronunciou essas palavras. E o cajado se transformou em serpente.

O Faraó começou a rir: “Acham que me deixarei impressionar por este truque? Não sabeis que nós, os egípcios, somos todos mágicos? Também podemos fazer o mesmo truque!”

O Faraó chamou seus magos. Estes jogaram os cajados ao solo e cada um se converteu em serpente! Logo todos os magos voltaram a converter as serpentes em cajados.

Então Hashem fez um milagre que os egípcios não puderam copiar: A serpente de Aharon voltou a transformar-se em cajado e engoliu a todos os outros cajados!

O Faraó sabia que acabara de presenciar um milagre, algo que nenhum mago poderia fazer. Mas era perverso e teimoso. Disse: “Não escutarei a Moshê e Aharon apesar disso!”

Por que o cajado de Aharon se converteu em serpente e não qualquer outra coisa? Hashem deu a entender ao Faraó: “Tu pronunciaste palavras más, tal como a serpente no Gan Éden quando disseste: ‘Não sei quem é o Eterno.’ Por isso, serás castigado como a serpente foi.”

O Que a Praga das Rãs no Egito Representa em Evolução Pessoal para Sermos Livres Existencialmente?

Segundo a Cabalá, as RÃS representaram uma correção no nível de Yessod (caridade e justiça) que os egípcios precisavam aprender a praticar com os escravizados estrangeiros. As rãs estavam no rio e foram para as casas dos egípcios. Seu coaxar representa o trato dos senhores com os escravos: a culpa da escravidão ou da perseguição sempre é judaica, nunca é da nação antissemita.

Desenvolve-se uma Filosofia de Inquisição: judeus sofrem porque pecaram contra o Eterno e neste sentido, a nação que os oprime acredita que está sendo um instrumento de vingança divina contra os pecados históricos de Israel.

No nível mais abrangente da opressão do sistema, se a pessoa é analfabeta, se está passando fome, doente ou morando na rua, a culpa não é das classes dirigentes, mas sim da própria pessoa ser da ralé.

A retificação está em desenvolver em sua própria fé religiosa o caráter humanitário de aceitação e auxílio dos mais carentes, tal como os hebreus aceitavam os estrangeiros que queriam contribuir para o desenvolvimento da estrutura social de seu país. Tal como a Torá ordena várias leis sociais cidadãs em práticas justas com os excedentes agropecuários, urge que a Sociedade Civil se organize em núcleos ativistas sociais para ajudarem os seus próprios moradores.

As Dez Pragas – A Ordem e o Motivo Militar Divino

Quando Moshê e Aharon saíram do palácio do Faraó, Hashem disse a Moshê: “Venha novamente ver o Faraó amanhã cedo. Irás encontrá-lo junto ao rio… Transformará a água do Nilo em sangue.”

A ordem das pragas que Hashem enviou ao Egito foi:

  1. Sangue
  2. Rãs
  3. Piolhos
  4. Animais selvagens
  5. Morte dos animais (peste)
  6. Sarna
  7. Granizo
  8. Gafanhotos
  9. Trevas
  10. Morte dos primogênitos

Por que o Eterno enviou as pragas nesta ordem em particular? Uma resposta é que o Eterno atuou como general guerreando contra seu inimigo:

  • Sangue: Envenenou os poços de água, cortando suprimentos.
  • Rãs: Barulho ensurdecedor como trombetas de guerra.
  • Piolhos: Flechas picantes sobre os inimigos.
  • Animais selvagens: Convocou aliados para a luta.
  • Peste: Destruiu os animais do inimigo antes da batalha.
  • Sarna: Enfraqueceu os soldados.
  • Granizo: Bombardeio com mísseis.
  • Gafanhotos: Destruição final dos campos.
  • Trevas: Prisão e imobilização.
  • Morte dos primogênitos: Eliminação dos líderes que se julgavam imortais.

Por que os Egípcios Mereceram as Pragas?

Todos os castigos do Eterno são justos. Cada praga correspondia a um tratamento cruel que os egípcios deram ao Povo de Israel:

  • Sangue: Por obrigarem os hebreus a trazer água e por idolatrarem o Nilo.
  • Rãs: Por ordenarem aos hebreus trazerem rãs para diversão.
  • Piolhos: Por forçarem varreduras e aragem constantes.
  • Animais selvagens: Por enviarem hebreus ao perigo para capturarem feras.
  • Peste: Por separarem pastores hebreus de suas famílias.
  • Sarna: Por ordens confusas em banhos e por desprezarem hebreus como inferiores.
  • Granizo: Por ordenarem plantios de jardins.
  • Gafanhotos: Por forçarem colheitas.
  • Trevas: Por encerrarem hebreus em cárceres escuros.
  • Morte dos primogênitos: Por ordenarem matar os primogênitos hebreus, que eram o “primogênito” de Hashem.

A Intransigência do Faraó e as Lições das Pragas

Na praga do sangue, Aharon estendeu o cajado e o Nilo virou sangue. Os egípcios tentaram comprar água dos hebreus, que ganharam muito dinheiro por sete dias.

Na praga das rãs, uma rã gigantesca saiu do rio e, ao ser golpeada, cuspia mais rãs. O barulho era insuportável, e o Faraó prometeu libertar o povo, mas endureceu o coração ao fim.

Na praga dos piolhos, os magos admitiram: “Isto é dedo de Deus!”

Hashem não permitiu que Moshê golpeasse o rio e a terra nas primeiras pragas, pois estes haviam sido bondosos com ele no passado (o rio salvou-o bebê, a terra cobriu o egípcio morto). Assim aprendemos a gratidão mesmo com elementos inanimados.

Sobre o cumprimento das promessas: Todos os perversos agem como o Faraó — prometem melhorar durante o sofrimento, mas esquecem ao alívio. A lição é: Mantenham firme a decisão de teshuvá mesmo após superar dificuldades!

Que esta Parashá nos ensine a compaixão mútua, a gratidão e a perseverança na fé, confiando que as promessas de Hashem se cumprem no tempo certo.

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