Resumo da Parashá: Vaerá
A Parashá Vaerá, que significa “E Eu Apareci”, continua o Livro de Êxodo e aprofunda a narrativa da redenção dos israelitas do Egito. Nela, D’us se revela a Moisés com Seu Nome Sagrado, reafirma a aliança com os patriarcas e inicia as pragas contra o Faraó, demonstrando Seu poder sobre a criação e os falsos deuses egípcios. Temas centrais incluem a revelação divina, a endurecimento do coração humano, a perseverança na fé e a distinção entre o sagrado e o profano, preparando o povo para a liberdade.
Êxodo 6:2–13 – A Revelação do Nome Divino e a Promessa de Redenção
6:2–3 E Deus falou a Moisés e disselhe: “Eu sou o Eterno! E apareci a Abrahão, a Isaac e a Jacob como Deus Todo-Poderoso [‘El Shadai’], mas por Meu Nome, Eterno, não Me fiz conhecer a eles.”
Resumo: D’us se apresenta a Moisés como o Eterno (YHVH), distinguindo Sua revelação aos patriarcas, que O conheceram como El Shadai.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi (em Êxodo 6:3) explica que os patriarcas conheceram D’us como El Shadai, associado a promessas não cumpridas em vida, enquanto YHVH representa o cumprimento fiel dessas promessas. Ramban (em Êxodo 6:2) argumenta que os nomes divinos refletem níveis de revelação: El Shadai para milagres na natureza, YHVH para intervenções sobrenaturais. Midrash Rabbah (Êxodo 3:6) compara os nomes a atributos de julgamento (Elokim) e misericórdia (YHVH), enfatizando que D’us julga com compaixão.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 2a) interpreta YHVH como a essência unificada das Sefirot, revelando a unidade divina além das manifestações parciais (El Shadai como Yesod, o fundamento). Isso eleva a revelação de Moisés, conectando-o à Binah (entendimento superior), permitindo a redenção.
6:4–5 E também estabeleci Minha aliança com eles para dar-lhes a terra de Canaan… E Eu também escutei o gemido dos filhos de Israel…
Resumo: D’us recorda Sua aliança e ouve os gemidos dos israelitas escravizados.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sanhedrin 105a) discute o “gemido” como clamor espiritual, ecoando o de Hagar (Gênesis 21), mostrando que D’us responde à aflição genuína. Rashi (em Êxodo 6:5) nota que “recordei” implica ação imediata, não esquecimento divino.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 7b) vê o gemido como elevação das centelhas sagradas presas nas Klipot (cascas impuras do Egito), ativando a Shechinah (presença divina) para iniciar a redenção.
6:6–8 Portanto, diz aos filhos de Israel: Eu sou o Eterno! E vos tirarei… E vos tomarei por Meu povo…
Resumo: D’us promete quatro atos de redenção: tirar, salvar, redimir e tomar como povo, levando-os à Terra Prometida.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Shemot Rabbah 6:4) liga as quatro expressões às quatro taças do Sêder de Pessach, simbolizando etapas de liberdade. Ramban (em Êxodo 6:6) enfatiza “braço estendido” como juízos milagrosos.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 52-53) associa as expressões às Sefirot: “tirar” a Chesed (bondade), “salvar” a Gevurah (força), “redimir” a Tiferet (harmonia), “tomar” a Netzach (vitória), culminando na Malkhut (reino) na Terra.
6:9 E Moisés falou assim aos filhos de Israel; mas não escutaram a Moisés por causa da angústia do espírito e pela dura servidão.
Resumo: Os israelitas, exaustos, não escutam Moisés.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi (em Êxodo 6:9) explica “angústia do espírito” como respiração curta pelo estresse. Talmud Yerushalmi (Rosh Hashaná 3:5) vê recalcitrância, exigindo paciência de líderes.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 26a-b) interpreta como apego às Klipot egípcias, bloqueando a elevação espiritual até as pragas.
6:10–13 E o Eterno falou a Moisés… para tirar os filhos de Israel da terra do Egito.
Resumo: D’us ordena Moisés e Aarão a confrontar o Faraó, apesar da relutância de Moisés.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Shemot Rabbah 7:3) discute a “dificuldade de fala” de Moisés como humildade, não defeito. Ramban (em Êxodo 6:12) nota que D’us fortalece líderes para missões.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 27b) liga à Binah, elevando a Nukvah (feminino) para Chochmah (sabedoria), superando limitações.
Êxodo 6:14–7:7 – A Genealogia das Tribos e a Missão de Moisés e Aarão
6:14–19 Estes são os chefes das casas de seus pais: os filhos de Ruben… estas são as famílias de Levi por suas gerações.
Resumo: Genealogia das tribos, focando em Levi, ancestral de Moisés e Aarão.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sotá 11b) explica a contagem como simbólica de 70 nações, com Israel como contraponto. Rashi (em Êxodo 6:14) nota ênfase em Levi para validar o sacerdócio.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 2a) associa nomes às Sefirot: Reuven a visão espiritual (Re’iyah), Levi a união (Leviyah) com o Divino.
6:20–25 E Amram casou-se com sua tia Iohéved… Estes são os cabeças dos pais dos levitas.
Resumo: Linhagem de Moisés, Aarão e levitas.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Shemot Rabbah 1:17) elogia Iohéved por sua longevidade e papel na redenção. Ramban (em Êxodo 6:20) discute casamentos permitidos pré-Torá.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 7b) vê Amram como elevação de Yesod, unindo masculino e feminino para gerar profetas.
6:26–30 Eles são Aarão e Moisés… Eis que tenho dificuldade de fala.
Resumo: Confirmação da missão de Moisés e Aarão.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sanhedrin 105a) compara relutância de Moisés à humildade profética.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 23b) liga à harmonia de Tiferet e Malkhut.
7:1–7 E o Eterno disse a Moisés: “Vê, que te coloquei como justiceiro para o Faraó… Moisés tinha 80 anos…
Resumo: Moisés como “deus” para o Faraó, Aarão como profeta; idades dadas.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi (em Êxodo 7:1) explica “justiceiro” como autoridade divina. Midrash (Shemot Rabbah 9:3) nota idades para enfatizar milagres na velhice.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 52) associa às dez Sefirot, com idades simbolizando completude.
Êxodo 7:8–13 – O Sinal da Vara Transformada em Serpente
7:8–13 Quando o Faraó vos falar… mas a vara de Aarão engoliu as varas deles.
Resumo: Vara de Aarão vira serpente e engole as dos magos.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Shabat 97a) vê como superioridade divina sobre magia. Rashi (em Êxodo 7:12) nota “engoliu” como anulação do mal.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 27b) simboliza vitória de Kedushá (santidade) sobre Klipot.
Êxodo 7:14–25 – A Primeira Praga: Sangue
7:14–25 O coração do Faraó está endurecido… houve sangue em toda a terra do Egito.
Resumo: Águas viram sangue; magos imitam, mas Faraó ignora.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Tanchuma Vaerá 14) liga ao Nilo como deus egípcio. Ramban (em Êxodo 7:22) discute limitação da magia.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 28a) associa a Chesed invertida, purificando águas espirituais.
Êxodo 8:1–15 – A Segunda Praga: Rãs
8:1–15 Envia o Meu povo… e o Faraó endureceu seu coração.
Resumo: Rãs invadem; Faraó promete, mas recua.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Sanhedrin 67b) discute magia falhando. Rashi (em Êxodo 8:5) nota precisão temporal.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 30a) vê rãs como Gevurah, quebrando rigidez egípcia.
Êxodo 8:16–19 – A Terceira Praga: Piolhos
8:16–19 Estende tua vara… Isto é dedo de Deus!
Resumo: Piolhos surgem; magos admitem poder divino.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Shemot Rabbah 10:7) enfatiza falha da magia com terra.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 32b) liga a Tiferet, harmonizando elementos.
Êxodo 8:20–32 – A Quarta Praga: Animais Ferozes
8:20–32 Envia Meu povo… não enviou o povo.
Resumo: Animais atacam Egito, poupando Góshen; Faraó recua.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Taanit 8b) discute distinção como prova.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 35a) associa a Netzach, vitória eterna.
Êxodo 9:1–7 – A Quinta Praga: Pestilência no Gado
9:1–7 Envia o Meu povo… não enviou o povo.
Resumo: Gado egípcio morre; israelita poupado.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Midrash (Tanchuma Vaerá 20) vê como punição à opressão.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 37b) liga a Hod (esplendor), revelando glória divina.
Êxodo 9:8–12 – A Sexta Praga: Sarna e Úlceras
9:8–12 Tomai vossos punhos cheios de fuligem… não os escutou.
Resumo: Sarna aflige egípcios e magos.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Rashi (em Êxodo 9:10) nota humilhação dos magos.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 40a) simboliza Yesod purificado.
Êxodo 9:13–35 – A Sétima Praga: Granizo
9:13–35 Madruga pela manhã… não enviou os filhos de Israel.
Resumo: Granizo destrói; Góshen poupado; Faraó recua.
Paralelos Talmúdicos e Comentários: Talmud (Berachot 54b) discute aviso como misericórdia. Ramban (em Êxodo 9:14) vê escalada de pragas.
Cabalísticos: Zohar (Vaerá 42b) associa a Malkhut, reino divino manifesto.
Que esta parashá nos inspire a reconhecer a revelação divina em meio às aflições, confiando no cumprimento das promessas eternas e buscando redenção espiritual.
